TOP - Ano 2017 - Volume 7 - Número 2

Diagnóstico, tratamento e prevenção da toxoplasmose congênita nos Estados Unidos

Diagnosis, treatment and prevention of congenital toxoplasmosis in the United States of America
Diagnóstico, tratamiento y prevención de la toxoplasmosis congénita en los Estados Unidos de America


Organização: Gil Simões Batista1
Apresentação: Marcia Galdino2

O objetivo desse relatório técnico elaborado pela Academia Americana de Pediatria é avaliar as informações sobre o diagnóstico, tratamento e prevenção da toxoplasmose congênita. Foi realizada uma busca de dados no PubMed, tendo sido selecionados 225 artigos, os quais foram submetidos à avaliação da qualidade da evidência pelo sistema The Grading of Recommendations Assessment, Development, and Evaluation (GRADE) system. A qualidade da evidência é classificada em quatro níveis: alta, moderada, baixa ou muito baixa, refletindo a confiança no resultado apresentado.

De acordo com o GRADE, a efetividade da avaliação sorológica para toxoplasmose no pré-natal e do tratamento da gestante seriam de alta qualidade, pois pesquisas futuras dificilmente modificariam o efeito observado. A qualidade da evidência para o tratamento pós-natal seria moderada, pois provavelmente as estimativas apresentariam alterações com a publicação de novos estudos.

A revisão aborda aspectos da biologia do Toxoplasma gondii e a existência de três principais genótipos ou linhagens clonais (I, II e III) na Europa, EUA (Estados Unidos da América) e América do Sul. Essas cepas diferem em virulência e padrões epidemiológicos, podendo explicar, em parte, as variações de espectro clínico da toxoplasmose congênita em diferentes regiões do mundo.

A toxoplasmose é considerada uma doença de origem alimentar e importantes fatores de risco, como a ingestão de água e alimentos contaminados por oocistos e o consumo de carnes infectadas por cistos do toxoplasma, são referidos no texto. Estudos mostram que a transmissão por oocistos predomina nos EUA. No Brasil, a ingestão de água como fonte de contaminação endêmica tem sido um importante fator de risco.

A taxa de soroprevalência da toxoplasmose é variável no mundo, sendo inferior a 10% em alguns países da Europa e chegando a 80% no Brasil.

Alguns países da Europa já implementaram programas de triagem sorológica no pré-natal para toxoplasmose. Os programas atuam também com orientações de prevenção primária às gestantes susceptíveis, tratamento para aquelas que apresentam soroconversão e realização de diagnóstico fetal através do PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) no líquido amniótico.

Apesar de muitos estudos avaliarem a relação custo benefício desses programas baseados na falta de comprovação da eficácia do tratamento na gestação e na baixa prevalência da doença em algumas regiões, muitos estudos observacionais demonstram benefícios do diagnóstico e do tratamento precoce da toxoplasmose na gravidez.

A toxoplasmose congênita é um importante problema em muitos países, apresentando variável espectro de apresentação clínica e elevada morbidade. Geralmente, as crianças nascem assintomáticas, sendo necessário alto nível de suspeição na ausência de avaliação materna no pré-natal.

O diagnóstico sorológico no neonato é feito pela presença de IgM ou IgA anti-Toxoplasma gondii, pois não atravessam a barreira placentária. A manutenção da IgG após 12 meses de vida é considerada padrão ouro para o diagnóstico da infecção congênita.

Mesmo na ausência de um ensaio clínico randomizado demonstrando efeito favorável do tratamento, muitos estudos observacionais apontam a eficácia do tratamento da criança com toxoplasmose congênita, principalmente em relação aos aspectos neurológicos, auditivos e oftalmológicos.

Vale a pena fazer a leitura desse artigo pela relevância da toxoplasmose congênita no Brasil. O conhecimento de estratégias para a prevenção da toxoplasmose congênita e a unificação de condutas praticadas frente à doença poderão contribuir para minimizar a magnitude do problema no nosso meio. Os aspectos abordados no texto estão citados abaixo:

1. Evidências sobre o risco de infecção materna e da transmissão congênita e de doença sintomática nos EUA e Europa.

2. Importantes diferenças entre dados de literatura norte-americana e europeia sobre o assunto.

3. Importantes diferenças de espectro de apresentação clínica e de gravidade da toxoplasmose entre crianças americanas e europeias.

4. Considerações diagnósticas da mãe, do feto e da criança.

5. Evidências de estudos observacionais em relação à efetividade do tratamento da gestante na diminuição da taxa de transmissão vertical e na prevenção de doença grave no neonato.

6. Protocolo de tratamento da gestante (pré-natal) e da criança (pós-natal).

7. Viabilidade do screening sorológico e do tratamento das gestantes no pré-natal.


Link para o protocolo:
http://pediatrics.aappublications.org/content/pediatrics/139/2/e20163860.full.pdf

Maldonado YA, Read JS, AAP COMMITTEE ON INFECTIOUS DISEASES. Diagnosis, Treatment, and Prevention of Congenital Toxoplasmosis in the United States [Internet]. Pediatrics. 2017 [citado 2017 Jun 21];139(2):e20163860. Disponível em: http://pediatrics.aappublications.org/content/pediatrics/139/2/e20163860.full.pdf










1. Chefe do Setor de Pediatria Geral do Hospital dos Servidores do Estado (HSE), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2. Pediatra. Infectologista Pediátrica. Hospital Federal dos Servidores do Estado. MS. RJ. Mestre em Medicina (Doenças Infecciosas e Parasitárias)/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Data de Submissão: 06/03/2017
Data de Aprovação: 06/07/2017