Em decorrência da prevalência do quadril doloroso na criança, deve-se procurar abordar de maneira sistemática este quadro.
RELATO DE CASO
Paciente, 2 anos, com queixa de claudicação há três dias e piora progressiva da dor. Ausência de febre, sem história pregressa de infecções e/ou trauma. Ao exame, presença de dor à manipulação do quadril à esquerda, dificuldade de deambulação e ausência de sinais flogísticos locais. Hemograma e provas inflamatórias dentro da normalidade e radiografia de quadril e membros inferiores sem alterações.
A dor no quadril na criança é motivo comum de consultas médicas. Processos congênitos, displasia de desenvolvimento, processos infecciosos, inflamatórios, traumáticos, neoplásicos e reumatológicos são causas comuns. A etiologia mais frequente é:
a) Osteomielite;
b) Displasia coxofemoral;
c) Epifisiólise;
d) Sinovite transitória do quadril.
A sinovite transitória do quadril é a causa mais frequente de dor no quadril infantil. A idade de acometimento varia de dezoito meses a treze anos, mas concentra-se principalmente na faixa de três a oito ano. Mais da metade dos casos apresenta antecedente de infecção do trato respiratório superior ou trauma leve.
a) Achados presentes em radiografias sugerem o diagnóstico que pode ser confirmado pela ultrassonografia;
b) Alterações laboratoriais (aumento da velocidade de hemossedimentação e proteína C-reativa) e cultura positiva são bem sugestivas do quadro;
c) O diagnóstico é de exclusão;
d) A ressonância magnética seria o melhor exame para diagnóstico precoce.
O diagnóstico é de exclusão. A radiografia simples não identifica a sinovite, porém pode afastar outras causas de dor no quadril da criança. Autores referem ser possível diferenciar a sinovite transitória do quadril com a doença de Legg-Calvé-Perthes pela análise ultrassonográfica da articulação1.
Diante de um diagnóstico que requer tempo de evolução para ser confirmado, faz-se essencial conhecer bem a queixa do paciente e relacioná-la a possíveis diagnósticos diferenciais. No presente caso foi indicado internação e analgesia regular. A paciente evoluiu bem com remissão progressiva da dor após 48 horas. O tratamento é de suporte. Podem ser prescritos analgésicos e anti-inflamatórios2.
CONCLUSÃO
Diante de um diagnóstico que requer tempo de evolução para ser confirmado, faz-se essencial conhecer bem a queixa do paciente e relacioná-la a possíveis diagnósticos diferenciais.
REFERÊNCIAS
1. Gonçalves KC, Assis IHN, Oliveira EHSO, Cardoso EHS, Spaziani AO, Frota RS, et al. Principais patologias ortopédicas pediátricas do quadril: uma revisão de literatura. Braz J Health Rev [Internet]. 2020; [citado 2022 Fev 04]; 3(2):3218-30. Disponível em: https://www.brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/8888/7633
2. Ribeiro SC, Barreto KSS, Alves CBS, Almendra Neto OL, Nóbrega MC, Braga LRC, et al. Quadril doloroso na infância. Radiol Bras [Internet]. 2020 Jan/Fev; [citado 2022 Fev 11]; 53(1):63-8. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rb/a/zbV85R5VBTP7G9H9HvNBJrq/?lang=pt&format=pdf
Hospital Universitário Antônio Pedro.
Endereço para correspondência:
Tainá Maia Cardoso
Hospital Universitário Antônio Pedro
Rua Marquês de Paraná, 303, Centro, Niterói, RJ, Brasil
CEP: 24033-900
E-mail: tainamaiacardoso@gmail.com
Data de Submissão: 21/02/2020
Data de Aprovación: 10/03/2020
Recebido em: 21/02/2020