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ISSN (On-line) 2236-6814

doi.org/10.25060/residpediatr

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Volume 16 - Número 3

Edição em construção: publicação contínua

JUL/SET - 2026
Editorial
Artigo Original
Constipação funcional em crianças: relação entre adesão ao tratamento, crenças dos pais e educação nutricional

Daniele Raguza; Laura Boldrini Niero; José Eduardo Gomes Bueno de Miranda; Cristina Leite de Moraes Andrade

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1503

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1503

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INTRODUÇÃO: A Constipação Funcional (CF) é um dos distúrbios crônicos mais prevalentes entre crianças, com grande impacto na qualidade de vida destas e das famílias, causando preocupação, isolamento social e sobrecarga econômica. O conhecimento limitado sobre os fatores associados à adesão em crianças com CF destaca a necessidade de mais pesquisas para desenvolver estratégias eficazes de tratamento e suporte para essa condição.
OBJETIVOS: Avaliar a adesão ao tratamento em crianças com constipação funcional e avaliar a associação com as crenças dos pais sobre a medicação, percepções sobre a doença, satisfação com o tratamento e satisfação com as informações sobre a medicação.
MÉTODO: Foi aplicado um questionário sobre dados sociodemográficos e clínicos para os responsáveis das crianças com constipação crônica funcional, que estão em acompanhamento no Ambulatório de Gastroenterologia Pediátrica, do Conjunto Hospitalar de Sorocaba.
RESULTADOS: Foram coletadas 85 respostas, 87% destas sendo as mães as informantes; 80% das crianças tinham constipação há 3 anos, 38%, evacuavam uma vez ao dia e 32% apresentavam fezes do tipo 2 na Escala de Bristol. Apenas 34% dos entrevistados faziam acompanhamento psicológico para conversar sobre a condição da constipação. Em relação aos hábitos alimentares, 67% acreditavam que uma dieta adequada desempenha um papel fundamental na regularidade intestinal, sendo que 65% pretendiam realizar essas mudanças.
CONCLUSÕES: A educação dos pais sobre alimentação saudável deve ser a ferramenta primordial na prevenção da constipação, a fim de garantir um tratamento equilibrado e seguro, promovendo o bem-estar e a saúde digestiva de seus filhos.

Palavras-chave: Constipação intestinal; Pediatria; Relações pais-filhos; Doença crônica.
Comparação das apresentações de cetoacidose diabética antes, durante e após a COVID-19 nos pacientes pediátricos de um hospital no Sul do Brasil

Natália Pilan; Fabrício Sbroglio Lando; Sandra Mara Witkowski; Lireda Meneses Silva; Henri Stuker; Elisa Andrade de Faria

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1510

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1510

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INTRODUÇÃO: a pandemia da COVID-19 provocou mudanças no atendimento hospitalar, bem como na procura por parte dos pacientes a esses serviços, impactando o seguimento de doenças como Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1).
OBJETIVO: (1) avaliar a incidência de cetoacidose diabética (CAD) nos pacientes já diagnosticados com DM1 à internação (grupo A) e nos pacientes com primodescompensação (grupo B); (2) comparar as apresentações de CAD dos grupos A e B de acordo com: idade ao diagnóstico, gravidade da cetoacidose, motivo de descompensação, atraso diagnóstico e relação com o SARS-CoV-2.
MÉTODOS: estudo observacional, transversal, retrospectivo e descritivo, obtendo-se 110 prontuários de pacientes internados com CAD entre janeiro de 2019 a dezembro de 2023.
RESULTADOS: Houve 16 casos no período pré-pandemia, 75 durante a pandemia e 19 no pós-pandemia. O tempo entre início dos sintomas e diagnóstico foi de 6,9 dias no pós-pandemia, e 15,7 dias durante a pandemia.
CONCLUSÕES: a pandemia de COVID-19 impactou a incidência de CAD, aumentando significativamente neste período, com predomínio do grupo B, e um aumento mais discreto no pós-pandemia, com maior presença do grupo A. O tempo para diagnóstico foi menor no período pós-pandemia. A omissão de doses de insulina foi a principal causa de descompensação. Não houve mudanças significativas na média de idade ao diagnóstico ou gravidade dos casos de cetoacidose e não foi observada associação direta à COVID-19.

Palavras-chave: Cetoacidose diabética; Pediatria; COVID-19.
Tuberculose em adolescentes: série de casos

Mariana Fialho Araujo da Silva; Ana Paula Chaves de Oliveira,; Pedro Henrique Sant’Anna Antunes; Rafaela Baroni Aurilio,

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1512

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1512

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A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa e transmissível, causada pelo Mycobacterium tuberculosis (Mtb), que afeta principalmente os pulmões, podendo acometer outros órgãos. A infecção ocorre em todas as faixas etárias, apresentando estimativa de 850.000 adolescentes (10 a 19 anos) acometidos por ano. Mesmo evitável e dispondo de tratamento estabelecido, permanece entre as principais causas de morte globalmente. O presente artigo tem como objetivo descrever o perfil clínico dos adolescentes com TB atendidos em um Hospital Universitário (HU) do Rio de Janeiro por meio de um estudo retrospectivo e transversal, do tipo série de casos, por meio da revisão de prontuários de adolescentes com diagnóstico de TB internados. Foram incluídos 6 pacientes: 2 com TB pulmonar e 4 extrapulmonar, dos quais: 2 eram hígidos e 4 possuíam comorbidade. O predomínio da forma extrapulmonar provavelmente está relacionado às comorbidades da população estudada, atendidas em um HU com especialidades pediátricas, as quais apresentam imunossupressão pela própria doença ou pelo uso de imunossupressores, favorecendo a disseminação hematogênica. Entre as formas extrapulmonares, a peritoneal foi a mais prevalente, mesmo rara. Sobre o isolamento bacteriológico, o teste rápido molecular Xpert MTB/RIF foi importante, sendo detectável em 4/6 casos, sobretudo nas formas extrapulmonares, que costumam ser paucibacilares. Sendo um método de PCR em tempo real, possui sensibilidade que se aproxima da cultura, auxiliando no diagnóstico. Assim, concluímos que a TB acomete de forma significativa a população adolescente em apresentações clínicas variadas e que os testes moleculares representam uma ferramenta para o diagnóstico da TB.

Palavras-chave: Tuberculose; Tuberculose pulmonar; Tuberculose extrapulmonar; Saúde do adolescente; Perfil de saúde; Adolescente hospitalizado.
Perfil de pacientes pediátricos com Trombocitopenia Imune Primária acompanhados em um serviço universitário de hematologia pediátrica

Vanessa Cristina Fanger; Thiago de Souza Vilela; Desiree Lombardi Novaes; Josefina Aparecida Pellegrini Braga

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1516

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1516

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INTRODUÇÃO: A Trombocitopenia Imune Primária (PTI) é um dos distúrbios da coagulação mais frequentes em pediatria, caracterizada por baixa contagem de plaquetas e risco de sangramento. Este estudo visa a descrever o perfil clínico e terapêutico de crianças com esta condição atendidas em um serviço universitário de hematologia pediátrica.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo com 57 pacientes pediátricos diagnosticados entre 2019 e 2023. Foram coletados dados demográficos, clínicos, laboratoriais e informações sobre o tratamento inicial e o seguimento.
RESULTADOS: A idade média dos pacientes foi de 84,18 meses, com 54,39% dos pacientes do sexo masculino. 50,91% dos pacientes apresentaram sangramentos de grau I ou II, 29,09% de grau III e 1,82% de grau IV. 18,18% dos pacientes não relataram qualquer sangramento. A infecção prévia ocorreu em 24,56% dos pacientes, e houve relato de vacinação em 5,26%, precedendo a PTI. Ao longo do acompanhamento, 32,14% dos pacientes foram classificados como recém-diagnosticados, 19,64% como persistentes e 48,22% como crônicos. A remissão foi alcançada em 76% dos pacientes. No tratamento inicial, 48,21% receberam corticoides e 17,86% imunoglobulina intravenosa. Em 28,07% dos pacientes, devido a características atípicas, foi coletado o mielograma.
CONCLUSÃO: O perfil observado reflete o contexto de um serviço terciário, que atende casos mais complexos e com maior proporção de cronicidade. As limitações incluem o número reduzido de pacientes e perdas no seguimento. Este estudo destaca a relevância de um serviço especializado no manejo da PTI, especialmente em casos persistentes e crônicos, e sugere a necessidade de acompanhamento intensivo para melhor prognóstico.

Palavras-chave: Púrpura trombocitopênica; Pediatria; Trombocitopenia.
Distribuição temporal e impacto das infecções por vírus sincicial respiratório em crianças gravemente doentes (2021–2024)

Cláudio D'Elia; Monique da Costa Glinardello Guimarães Pinheiro; Andre Ricardo da Silva Araújo,

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1526

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1526

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OBJETIVO: Caracterizar o padrão temporal e a carga de casos positivos para VSR admitidos nas unidades de tratamento intensivo pediátrico (UTIP) de dois hospitais pediátricos do Rio de Janeiro e comparar estes achados com os dados obtidos a partir do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe).
MÉTODOS: Avaliamos retrospectivamente 5.207 testes de VSR em crianças de março de 2021 a dezembro de 2024. Analisamos a distribuição dos casos ao longo das semanas epidemiológicas (SE) e, para verificar e comparar os dados de ambas as fontes quanto à tendência temporal da carga de VSR, utilizamos modelos de regressão de contagem para a análise estatística.
RESULTADOS: Observamos uma alteração do padrão sazonal habitual do VSR em 2021, com um aumento da atividade na primavera e no início do verão. Houve tendência de regresso à sazonalidade típica em 2022–23 e uma circulação mais típica em 2024. Nas UTIPs, a percentagem total de casos positivos para VSR, entre a SE 10 e 36, foi de 52,9%, 69,7%, 90,5% e 93,6% em 2021, 2022, 2023 e 2024, respectivamente. Verificamos uma taxa de positividade para o VSR mais elevada em 2023–24 em comparação com 2021–22 (IRR = 1,73; IC 95%: 1,42-2,10; p<0,001).
CONCLUSÕES: De acordo com a análise temporal, a interrupção da sazonalidade habitual verificada em 2021 não se manteve nos anos seguintes. Ao contrário dos relatos de outros países, a carga de doenças graves não aumentou nos anos de relaxamento das medidas de mitigação da COVID-19 (2021–22).

Palavras-chave: Cuidados críticos; Síndrome respiratória aguda grave; Estações do ano; Brasil; Infecções por vírus respiratório sincicial.
A influência da pandemia por COVID-19 na ingestão de alimentos ultraprocessados e morbidades associadas em crianças e adolescentes com excesso de peso

Lara Zaccarelli Rubira; Andressa Navarro Pugliese; Nicole de Almeida Nagasawa; Narjara Pereira Leite; Fabíola Isabel Suano de Souza

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1528

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1528

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OBJETIVO: Descrever perfil lipídico, intolerância à glicose e níveis pressóricos em crianças e adolescentes com excesso de peso atendidos em ambulatório. Analisar a relação entre o consumo de ultraprocessados, obesidade, perfil lipídico e intolerância à glicose.
MÉTODOS: Estudo transversal com 36 crianças e adolescentes, entre 3 e 17 anos, com sobrepeso ou obesidade primária, atendidos em ambulatório em 2021 e 2022. Foram coletados dados sobre condição socioeconômica, escolaridade materna, gravidade da obesidade, razão cintura-estatura, pressão arterial, glicemia de jejum, perfil lipídico e ingestão de ultraprocessados. A ingestão calórica e a distribuição dos grupos alimentares foram calculadas pelo programa AVANUTRI®, versão 2022.
RESULTADOS: A média de idade dos participantes foi de 9,3 ± 3,5 anos, sendo 23 (63,9%) do sexo masculino. Dentre os avaliados, 22 (61,1%) apresentavam obesidade grave (escore z do IMC > +3), 12 (33,3%) tinham pressão arterial elevada e 2 (5,6%) apresentaram glicemia de jejum > 100 mg/dL. As alterações lipídicas mais frequentes foram HDL-c reduzido em 19 (52,8%) e triglicerídeos elevados em 20 (55,6%). A média da ingestão energética total foi de 1564 ± 537,2 kcal, sendo 37,4 ± 16,6% proveniente de ultraprocessados. O consumo de ultraprocessados apresentou associação inversa, com tendência à significância estatística, com os níveis de HDL-c (r = -0,313; p = 0,086).
CONCLUSÕES: elevada prevalência de obesidade grave, dislipidemia e pressão arterial elevada entre os participantes. A ingestão de ultraprocessados correspondeu a mais de 30% do total energético. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados pode contribuir para a ocorrência de dislipidemias nessa população.

Palavras-chave: Obesidade; Criança; Alimento processado; Hiperlipidemias.
Impacto da utilização da cânula nasal de alto fluxo em crianças com asma aguda

Melissa Paes Camargo; Valéria Cabral Neves; Emilly Freitas de Souza; André Luís do Carmo

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1508

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1508

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INTRODUÇÃO: Doenças respiratórias, como a insuficiência respiratória aguda, são causas comuns de internação pediátrica em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A cânula nasal de alto fluxo (CNAF) ajuda a evitar ventilação invasiva, melhora a oxigenação e reduz a necessidade de intubação.
OBJETIVO: Avaliar a eficácia da CNAF em reduzir o tempo de internação, permanência em terapia intensiva e necessidade de ventilação mecânica em crianças com exacerbação asmática.
MÉTODO: Estudo observacional, analítico e retrospectivo realizado em unidades pediátricas de um hospital universitário. Dados de 46 internações de crianças de 2 a 14 anos com asma aguda que usaram CNAF foram coletados entre março e setembro de 2024. A análise utilizou testes estatísticos e análise ROC, com p<0,05 para significância.
RESULTADOS: A taxa de falha foi de 15,2% (IC 95%: 6,3% - 28,9%). Os pacientes com sucesso utilizaram CNAF por mais tempo (4,1 ± 2,1 dias) e apresentaram menor tempo de permanência na UTI (3,9 ± 2,4 dias) e de internação total (7,5 ± 2,4 dias). O fluxo inicial foi maior no grupo de sucesso (31,4 ± 10,7 l/min), e 20 l/min mostrou-se eficaz. O ROX não foi significativo, possivelmente devido ao tamanho da amostra.
CONCLUSÃO: A terapia com CNAF foi eficaz no tratamento de exacerbação asmática em crianças, reduzindo o tempo de internação e a necessidade

Palavras-chave: Asma; Oxigenoterapia; Avaliação de resultados da assistência ao paciente.
Perfil de assimetrias cranianas em bebês, variáveis clínicas e relação com o número de sessões fisioterapêuticas para correção

Júlio Cesar Detoni Nadaleti; Paula Zeni; Vanessa Evelin Tardetti Pacazza; Eduarda Meneghetti; Nicole Gonçalves; Junir Antônio Lutinski

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1530

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1530

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Nos recém-nascidos, a presença das fontanelas permite a deformação do crânio. Diversos são os fatores de risco, bem como as consequências a longo prazo, caso a patologia não for tratada. A mais comum é a plagiocefalia postural e a fisioterapia é o tratamento conservador indicado. Esse estudo buscou identificar a assimetria craniana mais frequente, observar correlações e a efetividade do tratamento de correção. Realizou-se revisão de prontuários fisioterapêuticos de 88 pacientes com idades entre 0 e 12 meses atendidos numa clínica de fisioterapia de abrangência regional, com análises descritivas e inferenciais. A plagiocefalia direita foi a mais registrada e o número médio de sessões de fisioterapia para correção, 3,8. Apenas três pacientes não alcançaram a reversão completa do quadro, devido ao abandono do tratamento. Identificou-se correlação entre o tipo de assimetria craniana e o gênero, posição do bebê na barriga, grau de assimetria e idade do início do tratamento; tal variável não apresentou relação com a via de parto e o tipo de amamentação. Também, o número de sessões não difere entre as variáveis intervalos de idade, tipo de assimetria, via de parto, posição do bebê na barriga e tipos de amamentação. Quanto aos fatores de risco presentes, observou-se a ocorrência de parto longo sem sucesso, uso do fórceps durante o parto vaginal, hemorragia intracraniana, gestação gemelar, torcicolo congênito e fenda palatina e labial. A fisioterapia pediátrica é intervenção de primeira linha para assimetrias não sinostóticas, sendo essencial para melhorar os desfechos clínicos dessas condições.

Palavras-chave: Desenvolvimento fetal; Modalidades de fisioterapia; Plagiocefalia.
Análise dos desfechos clínicos e laboratoriais de recém-nascidos com reação de incompatibilidade ABO

Mariana Curto Pasin; Nicole Lee Udsen,; Maria Renata Tollio Chopard; Nathalie Fonseca Thurler; Gabriel Alberto Brasil Ventura,; Alexandre Sales Neto

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1539

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1539

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INTRODUÇÃO: A reação de incompatibilidade do sistema ABO, apesar de frequente na população, cursa com baixa incidência de doença hemolítica do recém-nascido (DHRN) e de necessidade de tratamento com fototerapia. Existem controvérsias na literatura a respeito da positividade dos testes imunológicos e sua correlação com o quadro clínico de doença hemolítica.
OBJETIVO: descrever e analisar a evolução clínica e laboratorial, assim como as medidas terapêuticas adotadas para todos os pacientes que apresentaram teste de eluato positivo num período de 1 ano.
MÉTODO: Estudo de coorte retrospectiva realizado em um hospital público da cidade de São Paulo, Brasil.
RESULTADOS: Foram incluídos 360 recém-nascidos, com predomínio de pacientes com tipagem A e teste de Coombs direto negativo. Do total, 43,6% dos pacientes necessitaram de fototerapia e 25,8% apresentaram DHRN.
CONCLUSÃO: os pacientes avaliados apresentaram evoluções clínicas, laboratoriais, desfechos e tratamentos diversos ao longo dos primeiros dias de vida, com pouca necessidade de tratamento com fototerapia e ausência de desfechos graves.

Palavras-chave: Incompatibilidade de grupos sanguíneos; Teste de <i>Coombs</i>; Anemia Hemolítica; Icterícia Neonatal; Fototerapia.
Relato de Caso
Tumor edematoso de Pott na pediatria, uma rara complicação de rinossinusite: um relato de caso e revisão da literatura

Emanuela Conte; Raquel Kunzler; João Vitor Cândido Santos; Arthur de Oliveira Witiuk; Natalia da Costa Nunes; Simone de Menezes Karam,; Thiago Amaral Medeiros

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1364

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1364

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O Tumor de Pott é uma entidade clínica caracterizada por osteomielite do osso frontal e abscessos subperiosteais. Essa patologia é uma complicação potencial da rinossinusite, mas também pode ser causada por traumatismo cranioencefálico, abuso de drogas intranasais e doenças dentárias. Em um hospital público do extremo sul do Brasil, foi diagnosticado um caso dessa condição rara em uma criança de 10 anos de idade. Apesar do quadro complicado, que incluía empiema subdural e paquimeningite, o tratamento escolhido baseou-se na antibioticoterapia, com duração de 22 dias, e punção única para redução do abscesso frontal. A conduta escolhida neste caso pode ser utilizada para analisar a necessidade de procedimentos cirúrgicos, uma vez que pode indicar que a antibioticoterapia pode ser suficiente, mesmo em casos complexos. Este artigo é um relato de caso que tem como objetivo descrever as medidas adotadas, analisando diferentes tratamentos e suas indicações. Também é realizada uma revisão da literatura sobre o tema, o que pode contribuir com as informações existentes sobre a patologia.

Palavras-chave: Tumor de pott; Rinossinusite; Meningite; Empiema subdural.
Penfigoide bolhoso em lactente: relato de caso

Maria Luiza de Andrade Correia; Andrea Gisele Pereira Simoni

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1521

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1521

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O penfigoide bolhoso (PB) é uma enfermidade autoimune rara na infância, caracterizada pela formação de bolhas subepidérmicas. Relata-se o caso de um lactente do sexo masculino, de 5 meses de idade, que apresentou quadro de lesões cutâneas pruriginosas e difusas, evoluindo para bolhas tensas, inicialmente diagnosticadas erroneamente como escabiose. O diagnóstico de PB foi confirmado por exame histopatológico e imunofluorescência direta. Instituiu-se terapia com corticoide sistêmico, resultando em resolução completa das lesões. Este caso ressalta a importância de considerar o PB no diagnóstico diferencial de dermatoses bolhosas na primeira infância, a fim de possibilitar tratamento precoce e eficaz.

Palavras-chave: Penfigoide bolhoso; Dermatologia; Relatos de casos.
Relato de caso: meningite pneumocócica associada a piomiosite em paciente pediátrico

Anna Paula de Sousa Silva; Paola Cristine Ferigolo Macedo; Sylvia Maria Leite Freire

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1527

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1527

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Trata-se de estudo descritivo observacional do caso clínico de paciente com meningite pneumocócica associada a piomiosite, acompanhado em enfermaria de doenças infecciosas pediátricas. O diagnóstico de meningite foi realizado através dos sintomas e exames laboratoriais e confirmado agente etiológico por culturas do líquido cefalorraquidiano (LCR). Foi realizado tratamento com ceftriaxona, visando cobertura para pneumococo e meningococo, visto que são os principais causadores de meningite bacteriana em crianças e lactentes. Durante a internação, a criança evoluiu com dor intensa em membro inferior direito, com limitação da mobilidade, e retorno da febre, apesar da melhora parcial dos sintomas neurológicos. Tomografia computadorizada da pelve revelou abscessos no músculo ilíaco direito e no reto femoral, sendo diagnosticada piomiosite, adicionada clindamicina ao tratamento e realizada drenagem cirúrgica. Apresentou boa resposta terapêutica ao término do tratamento. A piomiosite pneumocócica é uma condição clínica rara, que pode evoluir de forma grave, e muitas vezes, tem diagnóstico e tratamento atrasados pela apresentação clínica inespecífica. No caso relatado, a coexistência de meningite pneumocócica e piomiosite dificultou o diagnóstico devido à sobreposição dos sinais e sintomas. Dessa forma, a divulgação de associações clínicas atípicas visa auxiliar o pediatra na suspeição do diagnóstico da piomiosite de forma precoce, a fim de realizar exames mais direcionados e melhorar os resultados com redução de complicações graves.

Palavras-chave: Piomiosite; Meningites bacterianas; Pediatria.
Relato de caso: síndrome de Wiskott-Aldrich em um paciente gemelar

Deimyson Felipe Xavier da Costa; Suênia Mendonça de Araújo; Vera Lúcia Coutinho Batista

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1531

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1531

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INTRODUÇÃO: A síndrome de Wiskott-Aldrich é uma entidade enquadrada no grupo dos erros inatos da imunidade ligados ao cromossomo X, apresentando-se com a tríade clássica formada por: imunodeficiência, eczema grave e trombocitopenia.
OBJETIVO: Descrever o caso clínico de um paciente com síndrome de Wiskott-Aldrich, visando compreender a patologia e reconhecer a entidade clinicamente.
DESCRIÇÃO DO CASO: Paciente D.H.F.S.S.D., 2 anos e 3 meses, proveniente de região rural de Itacoatiara/AM, realizando acompanhamento multidisciplinar em Manaus/AM, apresentando quadro de infecções recorrentes desde o período neonatal associado a plaquetopenia congênita e eczema grave.
DISCUSSÃO: A síndrome de Wiskott-Aldrich é uma patologia de difícil diagnóstico e com alto índice de mortalidade, evoluindo com complicações graves como, sepse, hemorragias intestinais e intracranianas, doenças autoimunes e neoplasias malignas.
CONCLUSÃO: O pediatra possui o papel fundamental no reconhecimento precoce da síndrome de Wiskott-Aldrich, sendo necessária a intervenção precoce visando à redução das complicações da doença.

Palavras-chave: Doenças da imunodeficiência primária; Síndrome de Wiskott-Aldrich; Eczema; Trombocitopenia.
Síndrome da medula presa oculta: relato de caso, controvérsias e revisão da literatura

Vivian Suellen Freitas Lopes; Juanna Gabriella de Souza Dehon; Ângelo Raimundo da Silva Neto

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1532

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1532

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A síndrome da medula presa oculta é reconhecida na literatura pelo aparecimento de sintomas neurológicos, ortopédicos e urinários típicos de medula presa, com achados radiológicos normais. Relatamos aqui o caso de paciente com 9 anos, do sexo feminino, com retenção urinária desde o primeiro ano de vida, dor lombar e radicular, escoliose e constipação intestinal. A ressonância mostrava cone medular em L1L2 e filum sem anormalidades. Foi proposta microcirurgia para secção do filum terminal, realizada através laminectomia L3. Discutimos aqui a evolução clínica, uma breve revisão do tema, incluindo controvérsias.

Palavras-chave: Defeitos do tubo neural; Bexiga urinária neurogênica; Escoliose.
Síndrome de Kinsbourne como um diagnóstico diferencial de encefalite: um relato de caso

Maria Eduarda Barreto de Siervi; Christine Carvalho de Almeida; Rebeca Ataíde de Cerqueira; Mariele Carvalho Crespo; Luan Guanais Soriano; Paula Dantas Meireles Silva; Paloma Cheab Ribeiro Moura Costa

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1533

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1533

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A síndrome opsoclonus-mioclonus-ataxia, ou síndrome de Kinsbourne, é caracterizada por movimentos oculares involuntários, bruscos, rápidos e multidirecionais, frequentemente associados a tremores posturais, ataxia cerebelar, encefalopatia e distúrbios comportamentais. Seu diagnóstico é feito a partir de 3 dos 4 critérios: (1) opsoclonia; (2) mioclonia ou ataxia; (3) distúrbio do sono; (4) neuroblastoma. Por sua raridade e por ser pouco difundida entre os profissionais de saúde, pode ser confundida com encefalite viral e ataxia cerebelar aguda, o que parece provocar um intervalo de tempo prolongado entre o início dos sintomas e estabelecimento da terapêutica. Visto sua intrínseca relação com neuroblastoma oculto e a importância desse diagnóstico, esse artigo tem como objetivo descrever um caso de síndrome de Kinsbourne com pródromo viral e neoplasia oculta, inicialmente conduzido como encefalite. Uma vez o diagnóstico da síndrome estabelecido, o tratamento consistiu em corticoterapia, infusão de imunoglobulina e exérese tumoral com resposta clínica favorável.

Palavras-chave: Síndrome de opsoclonia-mioclonia; Neuroblastoma; Encefalite infecciosa.
Artrite séptica neonatal: um relato de caso

Maria Clara Silva Melo; Milene Dalcin; Brenda Mackmillan Barcellos; Eduarda Luza; Laura Ferreira Lemes; Arlinda Quesada Beck

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1535

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1535

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A artrite séptica é uma condição infecciosa incomum e potencialmente fatal que afeta principalmente articulações diartrodiais e manifesta-se clinicamente de forma inespecífica. Em recém-nascidos, os sinais e sintomas podem ser diferentes daqueles apresentados por pacientes adultos ou por crianças maiores. Este relato de caso apresenta um neonato, nascido de parto vaginal domiciliar, com diagnóstico de artrite séptica ao 14º dia de vida e traz o tratamento, em unidade de terapia intensiva, com terapia conservadora e cirurgia. O estudo pretende discutir os desafios enfrentados no diagnóstico e no tratamento dessa condição, com foco na identificação precoce e no manejo adequado, para, dessa forma, ampliar o conhecimento, auxiliar a prática clínica pediátrica e evitar complicações, como destruição articular, sepse e óbito.

Palavras-chave: Relatos de casos; Artrite infecciosa; Recém-nascido.
Cisto tímico: um relato de caso de massa mediastinal em paciente pediátrico

Maria Eduarda Barcik Lucas de Oliveira; Carolina Inocêncio Alves; Giovana Maier Techy; Artur Blos Lopes; Gilberto Pascolat; Maurício Marcondes Ribas; Bruna Leiko Morais Sato; Alan Cristian Cordeiro Siqueira; Paula Rubio Vilar; Sylvio Avilla

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1536

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1536

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INTRODUÇÃO: Os tumores de mediastino podem permanecer assintomáticos ou manifestar sintomas decorrentes da compressão de estruturas vizinhas. Frequentemente são identificados de forma incidental em exames de imagem e são classificados conforme a localização no mediastino, que se divide em anterior, médio e posterior. Considerando a escassez de relatos na literatura, este trabalho tem como objetivo apresentar um caso de cisto tímico em paciente pediátrico, destacando os desafios diagnósticos e a relevância do reconhecimento clínico-radiológico precoce.
DESCRIÇÃO DO CASO: Paciente masculino, 3 anos e 6 meses, admitido em hospital pediátrico com quadro de dor torácica súbita associado à dispneia. Durante investigação complementar, identificada massa cística à direita realizando compressão de estruturas adjacentes. Paciente submetido a ressecção cirúrgica com biópsia confirmando diagnóstico de cisto tímico.
DISCUSSÃO: Massas mediastinais inicialmente podem apresentar dificuldade diagnóstica devido à clínica inespecífica e muitas vezes assintomática. A necessidade de associação de exames de imagens complementares é de grande valia para diagnóstico etiológico. As características das lesões associadas à localização permitem o direcionamento para a hipótese diagnóstica principal.
CONCLUSÃO: O caso descrito ilustra os desafios diagnósticos das massas mediastinais na infância. A dor torácica e a dispneia foram manifestações centrais, decorrentes da compressão mecânica decorrente de um diagnóstico tardio. A inclusão de novos casos à literatura pode ampliar o conhecimento sobre a apresentação clínica e evolução desses pacientes, beneficiando futuras abordagens diagnósticas mais precoces.

Palavras-chave: Doenças do mediastino; Cisto mediastínico; Timo; Cirurgia torácica.
Meningoencefalite por tuberculose: tratamento e comorbidades em um lactente: relato de caso

Magnólia Arango Loboguerrero; Juliana Chamorro

Resid Pediatr. 2026;16(3):e1746

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1746

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Os autores descrevem um caso de menino de 2 anos com quadro de febre e convulsões tônico-clônicas, cujo diagnóstico de meningoencefalite por tuberculose (TB) foi retardado, teve evolução desfavorável, a despeito do início do tratamento. Houve várias intercorrências clínicas durante a evolução. Discute-se também as lacunas nas medidas preventivas cabíveis no caso apresentado.

Palavras-chave: Meningoencefalite; Tuberculose; Tuberculose meníngea.
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