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ISSN (On-line) 2236-6814

doi.org/10.25060/residpediatr

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Resenha

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Márcia Cortez Bellotti de Oliveira1

RESUMO

O presente material trata de uma resenha sobre o livro da Dra. Sanders intitulado “Todo paciente tem uma história para contar: mistérios e aventuras da arte do diagnóstico”.

Palavras-chave: Medicina; Diagnóstico; Exame físico; Anamnese.

Abstract

This review discusses Dr. Sanders’s book “ Every Patient Tells a Story: Medical Mysteries and the Art of Diagnosis”.

Keywords: Medicine; Diagnosis; Physical examination; Medical records.

Quando comecei a ler o livro Todo Paciente Tem uma História para Contar1, uma frase das primeiras páginas chamou imediatamente minha atenção. Ao abordar diagnósticos difíceis “com erros e tudo”, a autora afirma que “estes médicos não se distinguem por seus erros, mas sim pela disposição em discuti-los”. A partir dessa perspectiva da medicina como arte, paixão e aprendizado constante, decidi elaborar esta resenha descritiva da obra, que resgata aspectos históricos, emocionais, filosóficos e éticos da prática médica, além de promover reflexões importantes sobre nossa prática cotidiana e a formação médica atual.

O livro inspirou elementos da série televisiva House, da qual a Dra. Lisa Sanders, formada pela Universidade de Yale, participou como consultora técnica. A leitura é fluida, envolvente, marcada por linguagem acessível e momentos de humor. A obra aborda o processo diagnóstico, especialmente os casos difíceis, por meio da apresentação de diferentes histórias clínicas. A autora define esses casos como situações em que os sintomas são pouco sugestivos, o exame físico pouco esclarecedor e os exames complementares potencialmente enganosos. Nesses contextos, a medicina revela-se novamente como arte, exigindo do médico uma postura investigativa sobre a história, os detalhes do exame físico negligenciados e os exames que podem levar ao diagnóstico correto.

Ao longo do livro, Sanders discute o erro diagnóstico e suas causas, reforçando a importância da história clínica mesmo em uma época marcada por grande avanço tecnológico. Contudo, para a autora, não basta apenas coletar informações; o diferencial está na forma como a história é construída. A boa anamnese é apresentada como um processo colaborativo entre médico e paciente, em detrimento da prática de querer saber “apenas os fatos”. Ao citar William Osler — “É muito mais importante saber que tipo de paciente tem a doença do que que tipo de doença o paciente tem” —, Sanders enfatiza que o paciente deve contar sua história de maneira livre e completa, já que o adoecimento, mais que uma série de sintomas, envolve sentimentos, significados e percepções individuais que podem influenciar a comunicação.

Outro ponto importante da obra é o resgate da humanização da prática médica. A autora pondera que, “ao confundir a história que criaram sobre a doença com o paciente em si”, este pode ser reduzido apenas ao diagnóstico, contribuindo para o distanciamento emocional entre médico e paciente. Assim, surge o risco de formação de profissionais tecnicamente competentes, mas incapazes de enxergar o paciente como um ser humano.

Sanders também discute a perda da centralidade do exame físico no processo diagnóstico, incorrendo em algumas práticas equivocadas e perigosas como o exame por cima das roupas. Entre as razões apresentadas estão a crescente confiança nos métodos tecnológicos, principalmente em situações de gravidade, e a dificuldade com o exame físico por ser “psicologicamente intimidante”.

Acredito que todos nós queremos ser melhores médicos, e esse livro traz o alerta para o constante monitoramento de nossas práticas e de nossos alunos, inclusive as dimensões humanísticas. É um lembrete importante em qualquer momento, mas principalmente em tempos de Inteligência Artificial. Vale a pena ler!

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

Financiamento: Os autores declaram que não receberam financiamento específico para a realização deste estudo.

Conflito de interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

Número CAAE de aprovação no Comitê de Ética: Não se aplica.

REFERÊNCIA

1. Sanders L. Todo paciente tem uma história para contar: mistérios e aventuras da arte do diagnóstico. Rio de Janeiro: Zahar; 2010.



Data de Recebimento: 11/06/2026

Data de Revisão: 11/06/2026

Data de Aprovação: 12/06/2026

Data de Publicação: 20/10/2026

Sobre os autores

1 Faculdade de Medicina Souza Marques, Pediatria - Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil.

Endereço para correspondência

Márcia Cortez Bellotti de Oliveira
Faculdade de Medicina Souza Marques, Pediatria
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro – Brasil.
E-mail: bellotti.marcia@gmail.com

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Como citar este artigo:

Oliveira MCB. Vale a pena ler!. Resid Pediatr. 2026;16(3):e1714. DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1714

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