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ISSN (On-line) 2236-6814

doi.org/10.25060/residpediatr

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Critérios e orientações para alta segura do recém-nascido sadio internado em Alojamento Conjunto - Revisão narrativa da literatura

Criteria and guidelines for the safe discharge of healthy newborns admitted to rooming-in unit - A narrative review of the literature

Ariene Aciole Lucas1; Arnaldo Costa Bueno1; Maria Dolores Salgado Quintans2

https://doi.org/10.25060/residpediatr-2025.v15n2-1283 Residência Pediátrica, 15(2), 1-6

RESUMO

A alta hospitalar é momento de grande importância para o recém-nascido (RN) e sua família e merece especial atenção da equipe de saúde. O objetivo é apresentar critérios e orientações de alta hospitalar para RN sadio, a termo (RNT) ou pré-termo tardio (RNPTT), internado em Alojamento Conjunto (ALCOn), que possibilitem realizar uma alta segura. Pesquisa feita em bases de dados e sites institucionais da área da saúde, entre agosto e dezembro de 2022. Utilizaram-se como descritores: "Patient Discharge", "Infant", "Newborn", "Rooming-in Care" e aplicaram-se os filtros referentes à idade e à data da publicação. Foram encontrados 1.252 artigos nas bases de dados e 1.230 nas demais fontes. Ao final da pesquisa, 26 documentos foram selecionados. O planejamento da alta hospitalar do binômio mãe-filho é um processo dinâmico que deve iniciar-se ainda durante o pré-natal. Os critérios e orientações para a alta incluem fatores relacionados ao RN, à puérpera, à família e a todo o contexto no qual estarão inseridos. Deve-se considerar: estabilidade fisiológica do RN e da mãe, avaliação da amamentação, realização dos testes de triagem neonatal e preenchimento da caderneta da criança; cuidados com a pele e coto umbilical, transporte e sono seguros e capacitação dos pais para que possam reconhecer sinais e sintomas que demandam retorno ao serviço de saúde. Existem divergências relativas a vários aspectos inerentes à alta, sobretudo, quanto ao tempo de permanência hospitalar; mais estudos são necessários para que se consiga estabelecer uma unanimidade quanto a este critério, principalmente nos países em desenvolvimento.

Palavras-chave: Alta do paciente, Recém-nascido, Alojamento conjunto.

INTRODUÇÃO

A alta hospitalar faz parte do conjunto de cuidados destinados ao recém-nascido (RN) e à puérpera. É importante que seja cuidadosamente planejada e finalizada de forma segura para mãe e filho. Idealmente, a preparação para a alta deve começar no pré-natal e ser reforçada durante todo o período perinatal1.

Não foi encontrada unanimidade na literatura quanto ao tempo de permanência hospitalar após o nascimento. Contudo, diferentes autores recomendam que este tempo seja individualizado de acordo com a realidade e as necessidades de cada binômio2,3.

Profissionais de saúde devem trabalhar em conjunto durante todo o planejamento da alta. Todos devem envolver-se em conhecer as características individuais, familiares e sociais e com isso desenvolver um plano de alta individualizado para cada RN. Para tal, é indispensável que as habilidades de comunicação da equipe sejam bem executadas3.

O modelo de trabalho na unidade de cuidado obstétrico e neonatal deve ser colaborativo, incluindo obstetra, pediatra, enfermeiros, técnicos de enfermagem, assistente social e demais profissionais que compõem a equipe interdisciplinar. Um dos desafios para estabelecer esse modelo é a efetiva comunicação entre os profissionais e a população assistida. A comunicação clara, precisa e completa reduz a ocorrência de erros e resulta na melhoria da segurança de mãe e filho, além de contribuir para a promoção da saúde3.

Considerando que o planejamento da alta hospitalar é determinante para o início de cuidados domiciliares adequados e sua relevância no contexto da assistência neonatal, faz-se necessário conhecer critérios e orientações bem definidos que permitam preparar o RN e sua família para uma alta segura.

Esta preparação permitirá ao RN crescimento e desenvolvimento saudável fora do ambiente hospitalar, bem como irá capacitar e encorajar as famílias para cuidar adequadamente do novo membro. O objetivo da presente revisão é elencar, com base em evidências científicas já disponíveis na literatura, critérios e orientações que possam nortear a preparação da alta segura de RN sadio, a termo (RNT) ou pré-termo tardio (RNPTT), internado em Alojamento Conjunto (ALCOn).


MÉTODO

Pesquisa nas bases de dados PubMed, SciELO e LILACS e em sites institucionais da área da saúde: Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Academia Americana de Pediatria (AAP), Ministério da Saúde (MS) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), realizada entre agosto de 2022 e fevereiro de 2023. Nas bases de dados, utilizaram-se como descritores: "Patient Discharge", "Infant", "Newborn", "Rooming-in Care" e aplicaram-se os filtros referentes a idade (nascimento até um mês) e a data da publicação (últimos 10 anos).

Foram reportados 1.252 resultados incluindo diversos tipos de estudos. 97 artigos apresentaram títulos compatíveis com os objetivos da pesquisa e foram selecionados para leitura do resumo. Destes 97, 26 foram selecionados para leitura do texto completo. Ao final, posteriormente à leitura do texto completo, oito dos 26 estudos foram incluídos como parte do embasamento teórico desta revisão. Nos sites institucionais, pesquisou-se por "critérios de alta para recém-nascidos". Ao todo, foram reportados 1.230 resultados, incluindo Manuais, Diretrizes e Normas Técnicas. 51 documentos relacionavam-se diretamente ao tema proposto e 16 deles foram selecionados como parte do referencial teórico, mantendo-se os mesmos intervalos de idade e data de publicação utilizados nas bases de dados (Figura 1). Foram excluídos deste artigo estudos que abordavam o tema em RN prematuro moderado ou extremo, RN internado em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo) ou Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa).


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Um dos aspectos mais controversos dentro do tema é o tempo de permanência hospitalar após o nascimento e ainda não há consenso quanto ao tempo ideal de internação. Do mesmo modo, a definição de alta precoce variou substancialmente entre diversos países2,4.

Revisão sistemática publicada em 2021 avaliou os impactos da alta hospitalar precoce para mãe e filho. Nela foram incluídos 17 estudos, sendo 13 em países de alta renda (Canadá, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Dinamarca, Espanha, Suécia e Suíça) e três em países de média renda (Bangladesh, Egito e Malásia). Estudos em países de baixa renda não foram identificados. Entre os resultados, três estudos definiram alta precoce como tempo de internação menor ou igual a 24 horas; um como menor ou igual a 28 horas e outro como menor ou igual a 36 horas. Outros cinco estudos definiram alta precoce dentro de um intervalo de tempo que variou de 6 a 48 horas2.

Ainda na mesma revisão, um estudo diferenciou a alta precoce de acordo com o tipo de parto, sendo 24 a 48 horas para parto vaginal e 72 a 84 horas para parto cesáreo. Outros cinco estudos definiram alta precoce como 48 horas pós-parto, independentemente do tipo2.

A revisão concluiu que a alta precoce não aumentou as taxas de mortalidade materna ou neonatal, mas aumentou o número de RN readmitidos em 28 dias: o risco de reinternação foi de 69 por 1.000 RN, em comparação com 43 por 1.000 RN no grupo que não recebeu alta precoce2.

Um estudo espanhol definiu como alta precoce aquela que ocorre entre 24 e 48 horas e muito precoce se ocorre em menos de 24 horas após o parto. Segundo a AAP, uma internação hospitalar mais curta (menos de 48 horas pós-parto) para RNT saudáveis pode ser realizada, mas não é apropriada para todas as mães e RN, reforçando a importância de um plano de alta individualizado5,6.

No Brasil, o MS, em concordância com a OMS, recomenda permanência mínima de 24 horas em ALCOn e ressalta que, a partir desse tempo, a alta pode ser considerada, desde que o binômio preencha critérios mínimos para tal7,8. Contudo, a SBP alerta para os potenciais riscos da alta com menos de 48 horas pós-parto, destacando como um dos principais dificultadores o pouco tempo para orientar os pais e para identificar situações clínicas que, comumente, não se manifestam antes de 24 horas de vida4.

Um estudo mostrou que a alta precoce, quando seguida de um plano individualizado de acompanhamento pós-alta, foi segura para o RN9. Por outro lado, alguns autores demonstraram que as taxas de reinternação, principalmente por icterícia, foram maiores no grupo de RN que tiveram a alta classificada como precoce10,11.

Neste estudo, planos de seguimento individualizado foram construídos durante a internação e colocados em prática após a alta por meio de acompanhamento telefônico e/ou presencial. O plano mostrou-se efetivo já que, como demonstraram os autores, não houve registro de reinternação por motivos diretamente relacionados à alta precoce9.

Ante tais controvérsias, ressalta-se que saber identificar os critérios necessários para a alta hospitalar e fazê-la de modo individualizado é mais relevante do que normatizar o tempo de permanência hospitalar. Este tempo, enquanto oportunidade de preparação do RN e da puérpera para viverem bem fora do hospital, deve ser suficiente para permitir a identificação de problemas e garantir que a família esteja preparada para cuidar do novo membro6,10.

No contexto da infecção materna pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), não há recomendação de postergar a alta, desde que mãe e filho estejam clinicamente bem. Também não há recomendação de testagem em RN assintomático12. O aleitamento materno deve ser mantido e a família deve ser orientada quanto aos sinais de alerta para adoecimento4,12.

Em relação a RNPTT, ou seja, aqueles com idade gestacional entre 34 e 36 semanas incompletas, a SBP sugere atenção. Geralmente, os RNPTT apresentam peso ao nascer maior que 2.500g e permanecem em ALCOn sendo, por vezes, conduzidos como RNT. Porém, do ponto de vista fisiológico, continuam sendo mais propensos a complicações decorrentes da prematuridade, o que poderia gerar dificuldades na lactação, controle de temperatura corporal, manutenção da glicemia adequada e da respiração11.

O risco de reinternação também é maior nos RNPTT e as principais causas no primeiro mês de vida são: icterícia (em cerca de 1/3 dos casos) e problemas alimentares (26%). Outras causas incluem: infecção, apneia, problemas respiratórios e hipotermia11.

A decisão de encaminhar o RNPTT para ALCOn deve ser ponderada pelo pediatra considerando, sobretudo, a vitalidade e a condição respiratória logo após o nascimento. Uma vez que se opte por ALCOn, é essencial monitorar a temperatura e a glicemia, visto que hipotermia e hipoglicemia são frequentes na primeira hora de vida de RN prematuros11.

A alta deve ser cuidadosamente avaliada e planejada, dada a maior imaturidade fisiológica dos RNPTT e a maior susceptibilidade a reinternações. O acompanhamento pós-alta e a periodicidade das consultas de seguimento também devem ser organizados considerando as particularidades deste grupo11.

Vários autores descrevem critérios e orientações para a alta hospitalar do RN e da puérpera que deveriam ser seguidos pelas equipes de saúde como norteadores de uma alta segura4-7,12. Ao formular o retrato de uma díade mãe-bebê e interpretar a adequabilidade a estes critérios, os profissionais devem considerar fatores sociodemográficos, pré-natais, perinatais e pós-parto10.

Os critérios e orientações para a alta incluirão fatores relacionados ao RN, à puérpera, à família e a todo o contexto no qual estarão inseridos. Cada critério deve ser cuidadosamente avaliado durante a internação e, caso sejam preenchidos, ambos serão considerados aptos para a alta hospitalar. A opinião da mãe, bem como seu grau de confiança em relação aos cuidados com o RN, devem ser considerados durante todo o processo e todos os esforços devem ser feitos para que o binômio receba alta simultaneamente6,13.


CRITÉRIOS E ORIENTAÇÕES PARA ALTA SEGURA DO RN SADIO, RNT OU RNPTT INTERNADO EM ALCON

l- Tempo de internação: permanência mínima de 24 horas em internação hospitalar, conforme orientação do MS. A SBP desaconselha a alta hospitalar antes de 48 horas de vida4,7.

ll- Apresentar diurese e eliminação de mecônio: diurese com padrão regular e pelo menos uma evacuação espontânea documentada pela equipe de cuidados1,2,5,7.

lll- Realização das triagens neonatais: teste da oximetria de pulso, teste do reflexo vermelho ocular, triagem auditiva e avaliação do frênulo lingual1,2,5,7.

IV- Realização de exames para determinação de tipagem sanguínea, fator Rh e teste de Coombs como parte da avaliação de risco para hiperbilirrubinemia2,4,7.

V- Realização das profilaxias preconizadas na assistência ao RN (vitamina K; colírio para prevenção da oftalmia neonatal) bem como vacinação contra hepatite B e BCG (esta para RN pesando 2.000g ou mais). Se a vacina BCG não estiver disponível na maternidade, orientar que a família procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) logo após a alta7.

Vl- Observação de pelo menos duas mamadas bem sucedidas nas quais o RN deve apresentar coordenação adequada da sucção, deglutição e respiração e presença de sinais de saciedade que possam ser traduzidos pela mãe. Mãe segura e disposta a amamentar1,2,5,7,14.

Vll- Sinais vitais estáveis entre as mamadas e nas últimas 12h que precedem a alta: temperatura axilar entre 36,5ºC e 37,4ºC medida corretamente e com roupas adequadas; frequência cardíaca entre 100 a 160 bpm em vigília; frequência respiratória abaixo de 60 irpm, sem sinais de esforço respiratório5,6.

VIII- Perda ponderal e estado de hidratação: a perda maior do que 10% do peso de nascimento aumenta o risco de hiperbilirrubinemia e hipernatremia, por isso, quando ocorre, a adequação da alimentação deve ser reavaliada antes da alta1,2,5,7.

IX- Avaliação dos riscos para doenças perinatais: o RN não deve apresentar sinais ou sintomas sugestivos de infecção neonatal como letargia, irritabilidade, diminuição da diurese, desidratação, taquicardia, taquipneia, esforço respiratório, febre, hipotermia ou icterícia significativa e, caso apresente, devem ser realizados exames para rastreio e diagnóstico antes da alta a fim de determinar a necessidade de tratamento em regime hospitalar1,2,5,7.

X- Exame físico: ausência de alterações que requeiram hospitalização continuada, por exemplo, icterícia com necessidade de fototerapia, sinais de sepse, entre outros6.

Xl- Mãe que não apresente contraindicações à alta e que tenha tido seu cartão vacinal e sorologias pré-natais para HIV, sífilis, toxoplasmose e hepatite B verificados1,5,7.

XII- Avaliação do contexto familiar: identificação de riscos e vulnerabilidades sociais como uso de drogas lícitas e ilícitas, alcoolismo, antecedentes de negligência ou maus tratos com filhos anteriores, violência doméstica, doenças transmissíveis, saúde mental, condição socioeconômica. Quando necessário, garantir o acompanhamento pelo Serviço Social1,2,5,7.

Xlll- Orientações quanto à vacinação no puerpério: as vacinas contra Influenza, Covid e dTpa são formalmente indicadas no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para todas as puérperas que não tenham sido imunizadas durante a gestação. Já as vacinas tríplice viral e varicela, que são contraindicadas durante a gestação, devem ser aplicadas no puerpério para atualização do cartão vacinal, quando necessário. A vacina da febre amarela, além de contraindicada para gestantes, também é contraindicada para lactantes até o sexto mês de amamentação e, caso seja necessário aplicá-la, o aleitamento deve ser suspenso por 10 dias após a vacinação15,16.

XlV- Orientações quanto à prevenção da transmissão vertical do HIV durante a lactação: mulheres que tiveram teste negativo para HIV durante o pré-natal e parto devem ser orientadas a manter o uso de preservativo, masculino ou feminino, durante todo o período de lactação. Orientar a mãe a não amamentar outros RN e não permitir que outras mães amamentem seu filho (amamentação cruzada) e orientar quanto às estratégias para diagnóstico precoce17,18.

XV- Orientações quanto ao transporte do RN em veículos particulares: a AAP recomenda transportar o RN em assento de segurança voltando para trás até atingir o peso máximo permitido pelo fabricante. Já a Resolução Nº 277 de 2008 do Conselho Nacional de Trânsito, no Brasil, orienta que crianças até um ano de idade devem ser transportadas em assento do tipo "bebê-conforto" ou conversível, no banco traseiro do veículo, sendo que o bebê-conforto deve estar voltado para trás19,20.

XVl- Orientações quanto aos cuidados com o coto umbilical: A OMS desaconselha o uso rotineiro de soluções tópicas no coto umbilical se o parto ocorreu em ambiente hospitalar com baixa mortalidade neonatal. O MS pontua que o uso de álcool a 70% acelera a mumificação, mas não interfere na colonização, enquanto a clorexidina tem efeito inverso. Em concordância, ambas destacam que manter o coto limpo e seco é a medida mais importante, o que vai de encontro à recomendação dada pela SBP orientando o pediatra a individualizar as recomendações para cada caso17-19.

XVll- Orientações quanto à prevenção da dermatite de fraldas: troca frequente das fraldas, limpeza suave, exposição ao ar e uso de cremes de barreira são medidas que podem ser adotadas para prevenir dermatite de fraldas. A limpeza deve ser realizada, preferencialmente, com algodão e água. Lenços umedecidos podem ser utilizados, desde que contenham tampões de pH e sejam livres de substâncias potencialmente irritantes como álcool, óleos, fragrâncias, sabão e detergente. Cremes de barreira a base de óxido de zinco ou petrolatos são os mais indicados; devem ser aplicados a cada troca e não é necessária sua completa remoção nas trocas subsequentes, desde que a região esteja livre de resíduos fecais21.

XVlll- Orientações quanto ao banho do RN: o primeiro banho deve ser realizado depois que o RN alcançar estabilidade térmica, preferencialmente após 24 horas de vida (excetuando-se RN filhos de mãe com sorologia positiva para HIV ou hepatite B nos quais a recomendação é o banho o mais precocemente possível). Recomenda-se banho de imersão, com água até na cintura, temperatura entre 37ºC a 37,5ºC, não ultrapassando 10 minutos. Pode ser diário ou realizado 2 a 3 vezes por semana, desde que se mantenham higienizadas as áreas de dobras, coto umbilical e área de fraldas. Utilizar sabonetes suaves, destinados à pele do bebê, preferencialmente líquidos e sem perfume22,23.

XlX- Orientações quanto à exposição solar: a SBP orienta que crianças menores de seis meses de vida não devem ser propositalmente expostas ao sol com o intuito de tratar icterícia ou aumentar a absorção de vitamina D. Deve-se sempre utilizar protetores mecânicos, como chapéus e sombrinhas para proteção da pele e, após os seis meses de vida, pode-se iniciar o uso de protetor solar em ambientes expostos ao sol21.

XX- Orientações quanto à prevenção da síndrome de Morte Súbita do Lactente: colocar o RN para dormir na posição supina, em berço livre de adereços, com superfície firme, sem travesseiros; não dormir em cama ou berço compartilhados; evitar superaquecimento e não cobrir a cabeça do RN com cobertores; manter aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida; manter o ambiente livre de fumaça e as vacinas atualizadas conforme a faixa etária2,17,24.

XXl- Orientações quanto ao reconhecimento de situações de risco: capacitar os pais e cuidadores para identificar precocemente alterações que representem perigo ao RN como cianose, dificuldade respiratória, febre ou hipotermia, sucção débil, letargia, sinais de desidratação, sinais de infecção do coto umbilical e identificação de parada cardiorrespiratória (PCR) para que busquem atendimento médico rapidamente1,2,7,17.

XXIl- Preenchimento da caderneta da criança: anotar todos os dados referentes ao nascimento, incluindo idade gestacional, peso, perímetro cefálico, resultados das triagens neonatais e vacinas administradas5,7.

XXlll- Orientações quanto ao seguimento pós-alta: referenciar a família para continuidade do cuidado na UBS onde o RN deverá passar pela primeira consulta em até 72 horas pós-alta; orientar quanto à aplicação das primeiras vacinas e realização de triagem biológica (teste do pezinho) em prazo oportuno (entre o 3º e 5º dia de vida)1,5-7.

Atenção especial deve ser dada à amamentação. Toda puérpera deve ser orientada quanto aos benefícios da amamentação e técnica adequada. Durante a permanência no ambiente hospitalar, a técnica deve ser revisada e corrigida, quando necessário. Também deve-se orientar quanto aos cuidados para prevenir e tratar complicações relacionadas à lactação como fissuras, ingurgitamento e mastite10,14.

O MS recomenda que, durante a permanência no ALCOn, orientações à mãe e aos familiares sobre vários aspectos relacionados ao cuidado do RN devem fazer parte da rotina dos profissionais de saúde que ali atuam. Também é importante certificar-se de que não haja interpretações errôneas por parte dos pais e cuidadores devido a barreiras linguísticas5,7,17.


CONCLUSÃO

A alta hospitalar marca um momento de grande importância para toda a família e deve ser preparada considerando-se, além de aspectos técnico-científicos, uma visão holística do binômio mãe-filho e seu contexto familiar. Embora a literatura consiga fornecer critérios bem estabelecidos, o planejamento da alta hospitalar vai além. Requer da equipe de saúde tempo e capacitação que permitam oferecer não apenas orientações, mas também apoio individualizado de acordo com cada realidade. Cabe ao profissional de saúde trabalhar em equipe para garantir que a transição hospital-casa seja realizada do modo mais seguro possível.


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1. Universidade Federal Fluminense - UFF, Pediatria - Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
2. Universidade Federal Fluminense - UFF, Pediatria/Neonatologia - Niterói - Rio de Janeiro - Brasil

Endereço para correspondência:
Ariene Aciole Lucas
Universidade Federal Fluminense - UFF, Pediatria
Niterói - Rio de Janeiro – Brasil
Rua Desembargador Athayde Parreiras, 100
Niterói, RJ, Brasil. CEP: 24070-090
E-mail: ariene.aciole@gmail.com

Data de Submissão: 02/05/2024
Data de Aprovação: 12/07/2024

Recebido em: 02/05/2024

Aceito em: 12/07/2024

Sobre os autores

1 Universidade Federal Fluminense - UFF, Pediatria - Niterói - Rio de Janeiro - Brasil.

2 Universidade Federal Fluminense - UFF, Pediatria/Neonatologia - Niterói - Rio de Janeiro - Brasil.

Endereço para correspondência:

Ariene Aciole Lucas

Universidade Federal Fluminense - UFF, Pediatria Niterói - Rio de Janeiro – Brasil Rua Desembargador Athayde Parreiras, 100 Niterói, RJ, Brasil. CEP: 24070-090

E-mail: ariene.aciole@gmail.com

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Como citar este artigo:

Lucas, AA, Bueno, AC, Quintans, MDS. Critérios e orientações para alta segura do recém-nascido sadio internado em Alojamento Conjunto - Revisão narrativa da literatura. Resid Pediatr. 15(2):1-6. DOI: 10.25060/residpediatr-2025.v15n2-1283

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