Volume 9 - Número 1
Microcefalia: semiologia e abordagem diagnóstica
Livia dos Santos Pires; Larrissa Nogueira de Freita; Leticia Baldez de Almeida; Livia Caroline Saviolo Cunha; Lohayne Marins Teixeira; Marleany Garcia Barros Mohallem Corrêa; Amanda Ramos Neves Araújo; Clarisse Pereira Dias Drumond Fortes
Deficiência seletiva de IgA: série de casos
Bruna Piassi Guaitolini; Priscilla Filippo Alvim de Minas Santos; Davisson do Sacramento de Lucena Tavares
OBJETIVO: Relatar série de casos de pacientes com deficiência de IgA.
MÉTODOS: Revisão de prontuários de crianças e adolescentes com diagnóstico confirmado de deficiência seletiva de IgA, atendidas em centro de referência em asma, em hospital pediátrico no Rio de Janeiro, nos últimos 3 anos.
RESULTADOS: Foram avaliados quatro pacientes com deficiência seletiva de IgA. A idade média foi de 12 anos, sendo dois do gênero masculino. Todos apresentavam rinite/asma. Além de história familiar positiva para atopia, IgE total alta, eosinofilia no sangue periférico, com níveis séricos de IgA < 7 mg/dL, IgG e IgM normais e EPF negativo. Nenhum paciente apresentava doenças autoimunes, neoplasias, história de imunodeficiência familiar nem consanguinidade entre os pais. Dois pacientes relataram história de doenças autoimunes, um de neoplasia na família. Infecções recorrentes foram encontradas em dois pacientes. No momento, todos estão em uso de corticosteroide nasal, um paciente em uso de corticoestedóide inalatório oral e um, usando broncodilatador associado com corticosteroide inalatório oral com controle dos sintomas respiratórios e infecciosos.
CONCLUSÃO: Apesar da evolução da deficiência de IgA ser geralmente benigna, os pacientes devem ser acompanhados regularmente, pois podem apresentar quadros infecciosos recorrentes e alérgicos graves como foram observados nos pacientes estudados. Palavras-chave: Deficiência de IgA, Asma, Rinite.
Análise do perfil clínico e demográfico da enfermaria pediátrica de um Hospital Universitário
Sabrine Teixeira Ferraz Grunewald; Isabel Pizarro Aroeira; Larissa Magalhães de Paiva; Maisa Adelina Potros Rossi
MÉTODOS: Realizado estudo retrospectivo, qualitativo, no banco de dados do hospital universitário, a partir de prontuários de pacientes internados no período. Como variáveis de estudo foram utilizados: idade; sexo; cidade de origem; doenças preexistentes; motivo da internação atual; tempo de internação; número de internações prévias; e desfecho da internação. As informações foram submetidas a uma análise descritiva, mediada por tabelas de frequência absoluta e relativa.
RESULTADOS: Foram analisadas 746 internações de 509 pacientes. A média de idade foi de 5 anos e 8 meses, 57,6% eram do sexo masculino, e o tempo médio de internação foi de 5,68 dias. A maior parte das internações (86,5%) deveu-se a intercorrências clínicas, que tiveram tempo de internação mais longo (6,17 dias) em relação ao constatado nos pacientes cirúrgicos (2,54 dias), em média. A maioria (82,91%) dos pacientes internou apenas uma vez. Cerca de 42% possuíam pelo menos uma doença preexistente. Pacientes com mais de uma internação apresentaram histórico maior de doenças prévias em relação àqueles que tiveram uma internação (87,35% versus 37,21%).
CONCLUSÃO: O perfil das internações na enfermaria de pediatria estudada é composto predominantemente de crianças jovens, com patologias clínicas e de boa evolução. Esse perfil varia com a complexidade dos serviços e as especialidades oferecidas e deveria ser conhecido por cada instituição, para oferecer a melhor assistência e ensino possíveis. Palavras-chave: Pediatria, Perfil de Saúde, Saúde da Criança, Hospitalização, Unidades de Internação.
Esteatose hepática em crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade
Marcos Antonio da Silva Cristovam; Maysa dos Santos; Adriana Chassot Bresolin; Gleice Fernanda Costa Pinto Gabriel; Fabiano Sandrini
MÉTODOS: Estudo descritivo e transversal, com 30 pacientes analisados, com idade entre 5 a 18 anos, no período entre janeiro/2016 e janeiro/2017. Sobrepeso e obesidade foram definidos como índice de massa corporal ≥ p85 e ≥ p97 para idade e sexo, respectivamente. Foram analisadas as variáveis: sexo; idade; peso; estatura; circunferência abdominal; e pressão arterial. A avaliação bioquímica consistiu de perfl lipídico (colesterol total, LDL-c, HDL-c e triglicerídeos), ALT e glicemia de jejum. A esteatose hepática, avaliada por ultrassonografia, foi classificada em leve, moderada e grave.
RESULTADOS: A esteatose hepática foi diagnosticada em 53,4% dos pacientes e observou-se maior frequência do grau leve (46,7%), seguida de moderada (6,7%). Dos pacientes com esteatose hepática, 56,3% eram do sexo masculino e 43,7% do sexo feminino, sendo que 62,5% apresentavam 12 anos ou mais. Esteatose hepática foi detectada em 18,7% dos pacientes com sobrepeso e 81,3% dos pacientes com obesidade. Hipertensão arterial foi identificada em 10% dos participantes e 60% estavam com a pressão arterial limítrofe. A circunferência abdominal estava aumentada em 90% dos participantes. Na avaliação bioquímica foi encontrada ALT elevada em 6,7%, hipercolesterolemia em 30%, LDL-c elevado em 6,7%, hipertrigliceridemia em 43,3%, HDL-c baixo em 46,7% e hiperglicemia de jejum foi encontrada em 6,7% dos participantes.
CONCLUSÃO: A frequência de esteatose hepática foi elevada em pacientes com sobrepeso e obesidade. Portanto, a sua triagem nos pacientes com fatores de risco está indicada. Palavras-chave: Fígado Gorduroso, Obesidade, Sobrepeso, Criança, Adolescente.
Efeitos do corticoide antenatal em prematuros de muito baixo peso
Gabriela de Carvalho Nunes; Mauricio Obal Colvero
OBJETIVO: Avaliar os efeitos do uso do CA nos recém-nascidos prematuros de muito baixo peso (RNPTMBP).
MÉTODOS: Foram utilizados os dados enviados pela Unidade à Rede Gaúcha de Neonatologia dos RNPTMBP nascidos entre 01/01/2008 e 31/12/2014 no Hospital Fêmina, em Porto Alegre. Analisou-se a exposição ao CA (1 ou 2 doses de 12 mg de betametasona intramuscular) e sua relação com a mortalidade e seguintes comorbidades: doença da membrana hialina (DMH), hemorragia intraventricular (HIC), leucomalácia periventricular (LPV), retinopatia da prematuridade (ROP), enterocolite necrosante (ECN), persistência do canal arterial (PCA) e displasia broncopulmonar (DBP).
RESULTADOS: Obteve-se um total de 496 pacientes, dos quais 68% receberam pelo menos uma dose de CA e 32% não receberam nenhuma. Observou-se significativa redução na incidência de DMH (OR 0,468, p = 0,001), favorável aos pacientes que receberam CA. Notou-se uma redução em 60% de HIC (OR 0,401, p < 0,001). Também foi observada redução na incidência de DBP com o uso de CA (OR 0,269-0,903, p = 0,018). Nã foi observada diferença estatística na incidência de LPV (p = 0,3), PCA (p = 0,68), ECN (p = 0,44) ou ROP (p = 0,58). A redução na incidência de óbitos foi de 78% (OR 0,22, p < 0,001).
CONCLUSÃO: A exposição ao CA, independente do número de doses, confere menor morbidade e menor mortalidade aos RNPTMBP. Palavras-chave: Doenças do Prematuro, Prematuro, Glucocorticoides, Recém-Nascido de muito Baixo Peso.
Descrição do perfil clínico e epidemiológico do parto prematuro e seus desfechos neonatais
Ana Clara Monteiro Laranjeira
MÉTODOS: Estudo retrospectivo envolvendo a análise de prontuários de 94 neonatos nascidos antes de 37 semanas completas de gestação e os de suas respectivas mães. Para investigação, foram observados dados referentes às condições socioeconômicas maternas, a presença de doenças intercorrentes da gestação, a ocorrência de eventos perinatais agravantes, as condições de nascimento e as complicações neonatais apresentadas.
RESULTADOS: A maioria das gestantes estudadas se encontrava na faixa etária de 15 a 35 anos, tinha entre 4 e 7 anos de escolaridade e residia em áreas urbanas. 95% das gestações foram de feto único, e a prevalência de hipertensão e diabetes foi de 12 e 6%, respectivamente. A ruptura prematura de membrana ocorreu em 25% dos casos, as infecções maternas do trato genitourinário, em 27%, e a corioamnionite, em 5%. A maioria dos neonatos pesava entre 1.000 e 2.499 gramas ao nascer. A complicação mais encontrada foi a infecção neonatal (32%), em especial a sepse precoce, mais observada entre os prematuros de menor idade gestacional e peso, e também naqueles cujas mães apresentaram alguma infecção na gravidez. Outros desfechos neonatais relevantes foram as alterações respiratórias (27%) e a icterícia (26%). Houve 26 óbitos na amostra estudada.
CONCLUSÕES: Prevenir prematuridade e suas consequências demanda conhecimento e monitoramento dos fatores de risco. Palavras-chave: Ruptura Prematura de Membranas Fetais, Sepse, Síndrome do Desconforto Respiratório do Adulto, Mortalidade Neonatal Precoce, Nascimento Prematuro.
A integração precoce dos cuidados paliativos na oncologia pediátrica: um desafio necessário
Poliana Cristina Carmona Molinari,; Carlota Vitória Blassioli Moraes; Simone Brasil de Oliveira Iglesias
Avaliação e tratamento da dor no período neonatal
Rita de Cássia Xavier Balda; Ruth Guinsburg
Uma criança com rash e artrite: qual o seu diagnóstico?
Marianna Caruso M. Bloise; Thamiris Rosa E. Auad; Verônica Oliveira; Bruno Rocha; Adriana Mesquita; Andrea Valentim Goldenzon; Sandra Mara Amaral; Patricia Fernandes Barreto Costa
Lactente com histiocitose de células de Langerhans em mastoide
Liara Paranaíba Ribeiro; Juliana Mara Silva; Jussara Silva Lima
Origem anômala da artéria coronária esquerda a partir da artéria pulmonar - Relato de Caso
Angélica Luciana Nau; Alan Fernandes Strapasson; Guilherme da Silva Martins; Cristiane Nogueira Binotto
RELATO DO CASO: lactente masculino, 7 meses, déficit pôndero-estatural, palidez, sudorese e irritabilidade, além de sopro sistólico em área mitral. Ecocardiograma revelou origem anômala da coronária esquerda a partir da pulmonar, e cateterismo cardíaco corroborou o diagnóstico. Foi submetido a correção cirúrgica, com boa evolução pós-operatória.
DISCUSSÃO: ALCAPA tem difícil diagnóstico. Normalmente, se manifesta até 2 meses de idade, mas os sintomas podem ser mal interpretados e a doença subdiagnosticada. O eletrocardiograma pode mostrar alterações no segmento ST ou onda Q, sugestivos de infarto agudo do miocárdio. Diagnóstico pode ser feito por ecocardiograma bidimensional, com visualização direta da origem anormal da artéria coronária esquerda, associado ao estudo hemodinâmico. Tratamento é cirúrgico, com reimplante da artéria coronária na aorta e, em geral, a evolução é satisfatória. Palavras-chave: Cardiopatias Congênitas, Lactente, Doença das Coronárias.
Kerion celsi: Um relato de caso
Gabriela Miranda Mendes; Brunnella Alcantara Chagas de Freitas; João Ricardo Leão Oliveira; Matheus Fonseca Cardoso; Eduardo Costa Pacheco; Hugo Henrique Morais da Vitória
MÉTODOS: Paciente do sexo masculino, 7 anos de idade, com lesões eritematodescamativas, alopecia e linfadenomegalia cervical, acompanhado durante internação por 7 dias e por mais 60 dias em retornos periódicos. Foi estabelecido o diagnóstico de Kerion celsi e realizado tratamento com griseofulvina (500 mg/dia) por 60 dias e cetoconazol xampu.
RESULTADOS: Houve resolução completa das lesões após o tratamento com griseofulvina (500 mg/dia) por 60 dias e cetoconazol xampu, porém com permanência da alopecia.
CONCLUSÕES: A Tinea capitis é uma infecção fúngica do couro cabeludo que, na maioria das vezes, apresenta-se com áreas pruriginosas de descamação e perda de cabelo. O Kerion celsi é uma manifestação grave da Tinea capitis resultante de uma intensa resposta imune à infecção causada pelo fungo Microsporum canis. Neste relato de caso, ressalta-se a importância do diagnóstico precoce e do tratamento para que se possa evitar o aumento da transmissão e das sequelas deixadas por essa infecção fúngica. Palavras-chave: Infecção, Fungos, Griseofulvina, Cetoconazol.
Cuidados paliativos pediátricos, terminalidade e espiritualidade: Estamos preparados?
Marcielli Grangeiro Ferreira,; Simone Brasil de Oliveira Iglesias,