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ISSN (On-line) 2236-6814

doi.org/10.25060/residpediatr

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Lesão congênita rara como causa atípica de estridor neonatal: relato de caso de teratoma congênito de orofaringe (epignathus) causando manifestação tardia de obstrução de via aérea

Melissa Ameloti Avelino; Leticia S Almeida Prado Berquó; Juliana Alves Caixeta; Camilla Gabriela Oliveira

Resid Pediatr. 2021
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INTRODUÇÃO: Teratoma congênito da orofaringe, denominado epignatus, é uma condição rara, mas com grande potencial de obstrução da via aérea fetal, cursando com insuficiência respiratória podendo causar óbito perinatal. Exames de imagens usuais do acompanhamento gestacional como a ultrassonografia detectam lesões tipo massa ocupando região de cabeça e pescoço do feto, e comumente associação com polidramnio. O teratoma epignatus, quando não detectado no período pré-natal, devido à localização da lesão apresentaria evolução precoce de insuficiência respiratória neonatal grave.
RELATO DE CASO: Relatamos um caso atípico onde lactente de 44 dias, nascido sem intercorrências, mas com relato dos pais de estridor leve, desde o nascimento, sem investigação, evoluiu com insuficiência respiratória grave necessitando de intubação orotraqueal em serviço de emergência. Na ocasião foi detectado lesão em massa obstruindo via aérea. Após exérese cirúrgica da lesão, estudo histopatológico revelou teratoma maduro.
CONCLUSÃO: O estridor neonatal, ainda que discreto, requer uma investigação adequada da etiologia provável. Na prática médica, os casos de estridor grave associado a sintomas como esforço respiratório ou dificuldade de alimentação tendem a ser mais valorizados. Teratoma epignatus não é uma causa comum de estridor neonatal, principalmente em manifestação tardia.
Macrocefalia no lactente: nem sempre um sinal ominoso

Sângela Fernandes da Silva; Lara Samanta Barbosa Ribeiro; Nara Lívia Rezende Soares; Giuliano da Paz Oliveira

Resid Pediatr. 2021
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A hidrocefalia externa benigna (HEB) é uma condição classicamente autolimitada caracterizada por macrocefalia em crianças combinado com achados radiológicos de aumento do espaço subaracnoide, podendo ou não possuir dilatação ventricular. Relatamos o caso de um lactente de 1 ano e 7 meses com macrocefalia, atraso leve do desenvolvimento neuropsicomotor e achados típicos de neuroimagem. Destacamos a importância de reconhecer a HEB na prática clínica do pediatra, enfatizando que a macrocefalia nem sempre é um sinal ominoso.
Pneumonia lipóide exógena em lactente

Ana Flávia Varella e Silva

Resid Pediatr. 2021
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OBJETIVOS: Relatar caso de lactente em aleitamento materno exclusivo que evoluiu com pneumonia após broncoaspiração de óleo mineral para tratamento de pseudoconstipação intestinal.
RELATO DE CASO: LGZ, sexo masculino, cinco meses, previamente hígido, em aleitamento materno exclusivo, com relato materno de ausência de evacuação há seis dias. Procurou atendimento médico na unidade básica de saúde (UBS), onde foi prescrito óleo mineral e, posteriormente, alta domiciliar. Ela relatou que ao administrar óleo mineral paciente apresentou uma crise de engasgo seguida de tosse e vômito. Após quatro horas do evento foi trazido ao serviço de emergência, devido ao quadro de gemência. Deu entrada em regular/mau estado geral, choroso, taquipneico, com obstrução nasal e gemente, saturando 90% em ar ambiente. Foram realizadas medidas de suporte não invasivas, seguida de rastreamento infeccioso e radiografia de tórax. Optou-se pelo início imediato de antibioticoterapia parenteral por pneumonia lipoide exógena. Permaneceu internado em enfermaria por 10 dias, recebeu corticoterapia (metilprednisolona 2mg/kg/dia) e antibioticoterapia com amicacina (15mg/kg/dia) e clindamicina (30mg/kg/dose) para cobertura de infecção secundária. Durante internação, realizou tomografia computadorizada de tórax no 3º dia e procedeu-se a coleta de lavado broncoalveolar no 9º dia. Evoluiu bem, tendo recebido alta hospitalar após 10 dias de internação, em bom estado geral, eupneico, permanecendo em acompanhado ambulatorial, sem aparentes sequelas.
CONCLUSÕES: A pneumonia lipoide é uma patologia potencialmente fatal, causada pelo preenchimento alveolar por óleo, impedindo a troca gasosa. O tratamento principal é a suspensão imediata do óleo mineral.
Tuberculose pulmonar confirmada em lactente: relato de caso

Victória Maria Jardim Jardim; Juliana Dal Col Alves; Eveline de Fátima Almeida Fonseca Eduardo; Renata de Souza da Silva; Rafaela Altoé de Lima; Sabrina Cavalcanti de Barros Fonseca

Resid Pediatr. 2021
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A tuberculose pulmonar é uma infecção causada pelo Mycobacterium tuberculosis. O diagnóstico é realizado através da associação de dados clínico-radiológicos complementado pela identificação do bacilo sempre que possível. Tal procedimento torna-se um desafio particularmente na infância, pois diferente da forma do adulto, a doença na infância se apresenta de forma paucibacilar e ainda há a limitação de expectoração para obtenção das amostras de escarro, principalmente em crianças abaixo de cinco anos de idade. E o lavado gástrico utilizados nesta faixa etária demonstra-se pouco eficaz, uma vez que, em sua grande maioria, apresenta-se negativo na pesquisa do agente causador. O objetivo deste estudo foi descrever um caso de tuberculose pulmonar confirmada em um lactente de 5 meses de idade e discutir sobre os métodos diagnósticos disponíveis para a faixa etária pediátrica.
COVID-19 em pediatria: relato de um caso de síndrome inflamatória multissistêmica

Bruno de Lima; Emanuela da Rocha Carvalho,

Resid Pediatr. 2021
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A pandemia do novo coronavírus trouxe significativos impactos para a população mundial. Até o momento, sabe-se que a doença tem maior impacto em adultos, enquanto em pacientes pediátricos tem manifestações mais leves. Entretanto, a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P), uma manifestação grave e rara da infecção pelo SARS-CoV-2, pode acometer crianças e adolescentes. A nova síndrome apresenta-se com uma clínica variada, que vai desde conjuntivite não purulenta, até choque e disfunção cardíaca grave, com características similares à doença de Kawasaki, Kawasaki incompleto, síndrome do choque tóxico e síndrome de ativação macrofágica. Este relato tem como objetivo descrever um caso de SIM-P, sua evolução clínica, a terapia realizada e, dessa forma, auxiliar profissionais da saúde a reconhecerem as características e a gravidade relacionadas a esta síndrome. Uma criança de 9 anos, feminina, negra, apresentou quadro clínico compatível com SIM-P, segundo critérios do Ministério da Saúde. Durante a internação em hospital terciário pediátrico, evoluiu com choque cardiogênico e necessitou de cuidados intensivos na unidade de terapia intensiva. Apesar da semelhança da SIM-P com outras doenças que evoluem com resposta inflamatória sistêmica, ela possui algumas particularidades, sendo a disfunção ventricular esquerda uma das principais manifestações, de maneira a desencadear choque cardiogênico em boa parte dos casos. O tratamento atual utilizado baseia-se no uso de imunoglobulina humana intravenosa e glicocorticoides. Salienta-se a importância da realização de estudos futuros para que possibilitem descobertas sobre as particularidades fisiopatológicas desta nova síndrome e viabilizem a consolidação de um tratamento eficaz.
Trauma antes e durante a COVID-19 - consequências da quarentena num serviço de urgência pediátrica

Adriana Silva Costa; Bernardo Reis Monteiro; Maria Inês Mascarenhas; Helena Isabel Almeida

Resid Pediatr. 2021
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OBJETIVOS: avaliar o impacto do confinamento devido à COVID-19 nas visitas ao serviço de urgência pediátrica (SUP).
MÉTODOS: estudo restrospectivo realizado num hospital português. Foram incluídas todas as admissões no SUP entre 19 de Março e 19 de Maio de 2020 (período de confinamento) e comparadas com as visitas no mesmo período de tempo nos anos anteriores entre 2012 e 2018 (pre-pandemia).
RESULTADOS: Entre 19 de Março e 18 de Maio de 2020 foram admitidas 1879 crianças (média de 31 crianças por dia), 19.3% devido a lesões traumáticas (média de 6 por dia). A média por ano no grupo pre-pandemia era de 10042 visitas (média 167 crianças por dia), 18.5% devido a trauma (média 30 por dia). No grupo pre-pandemia 53.4% do trauma ocorria em adolescentes (>10 anos) e 21.7% em crianças abaixo dos 6 anos. Em 2020, 34% das lesões ocorreram em adolescentes e 58.6% em crianças abaixo dos 6 anos. O trauma foi responsável por 92% das admissões pre-pandemia, seguido do envenenamento (5.6%) e abuso (1.6%). Durante a pandemia, o trauma manteve-se a causa mais frequente (82%), aumentando a percentagem dos envenenamentos (14.4%) e abuso (3.6%). Em 2012-2018 existia uma clara diferença no ciclo semanal de admissões ao SUP devido a lesões traumáticas, com uma menor frequência aos fins-de-semana. Esta diferença deixou de se observar durante a pandemia, com uma distribuição regular ao longo dos dias da semana.
CONCLUSÕES: O confinamento alterou profundamente a atividade dos SUP e teve sérias consequências no estilo de vida das crianças.
Sazonalidade da bronquiolite em recém-nascidos e lactentes jovens em tempos de pandemia pelo SARS-CoV-2

Vitoria Marino Dobarrio de Paiva; Mário Cícero Falcão; Felipe Matsushita; Cristina Erico Yoshimoto

Resid Pediatr. 2021
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OBJETIVOS: Comparar a frequência de recém-nascidos e lactentes jovens internados com bronquiolite em uma unidade de terapia intensiva neonatal externa antes e durante o primeiro ano de pandemia pelo SARS-CoV-2.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo, incluindo crianças de até 45 dias de vida, com bronquiolite, internados nos anos de 2018, 2019 e 2020. Foram selecionados dos prontuários: sexo; idade e peso à admissão; agente etiológico; tipo de suporte ventilatório; tempo de internação e desfecho. Análise estatística: comparação entre grupos por frequência (qui-quadrado), por média (ANOVA), por mediana (Mann-Whitney).
RESULTADOS: Em 2018, a frequência de internações por bronquiolites foi de 6,4%, em 2019, 4,2% e em 2020, 1,3%. Média de idade na internação (dias) (2018 - 33,7, 2019 - 33,7, 2020 - 31,6); peso médio à admissão (gramas) (2018 - 2978, 2019 - 3855 e 2020 - 3873); Agente viral isolado (2018 - 28,5%, 2019 - 55,5% e 2020 - 66,6%); ventilação mecânica invasiva (2018 - 14,3%, 2019 - 44,4% e 2020 - 100%); tempo médio de internação (dias) (2018 - 8 (7-12), 2019 - 5 (4-10), 2020 - 12 (8-16)); alta hospitalar em 100% dos casos.
CONCLUSÃO: Em 2020, houve uma redução drástica no número de internações por bronquiolite, justificada pelo isolamento social que resultou em menor circulação de vírus respiratórios.
Líquen plano na infância: um relato de caso raro

Ana Paula da Cruz Gontijo; Julliana Rodrigues Soares; Luisa França Rocha; Mariana Gualandi Murad; Carolina Oliveira Felipe; Brenda Bernabé de Oliveira; Laisa Fiorezi Bassini; Karina Demoner de Abreu-Sarmenghi

Resid Pediatr. 2021
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Líquen plano é uma dermatose inflamatória crônica que se apresenta sob várias formas clínicas, as quais variam de acordo com a morfologia e distribuição das lesões. Sua incidência é maior em adultos, principalmente entre terceira e sexta década, sendo infrequente na infância, com incidência menor de 4% no total de casos. Por ser menos comum na infância, tem subdiagnóstico e retardo no início do tratamento. Isto compromete a qualidade de vida do paciente, visto que são lesões extremamente pruriginosas, com distribuição tanto cutânea quanto em mucosas, que ferem seu bem-estar emocional, social e psíquico. Desta forma, é importante o reconhecimento dessa condição também nesta faixa etária para que o diagnóstico preciso beneficie o paciente com atenção e tratamento adequado. Nós relatamos um caso de uma criança de 6 anos e 9 meses que apresentou um quadro de líquen plano cutâneo e oral, sua abordagem e desfecho.
Síndrome de Stevens-Johnson em pré-escolar em tratamento de pneumonia: relato de caso

Caroline Arns-Neumann; Camila Silvino Alves; Fernanda Yuki Ito; Beatriz do Rosario Schmidt; Larissa Habib Mendonça Topan; Leisiane Maia Cleve Bittencourt

Resid Pediatr. 2021
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INTRODUÇÃO: A síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) é caracterizada por uma reação cutânea severa que pode ser desencadeada principalmente por reação alérgica a fármacos. É uma condição potencialmente ameaçadora a vida e possui uma incidência mundial de 0,36 em 100.000.
RELATO DE CASO: Paciente masculino, 5 anos, branco, apresentou lesão bolhosa em lábio superior e febre, após um quadro de amigdalite bacteriana seguido de pneumonia, em que foram administrados sequencialmente amoxicilina, amoxicilina-clavulanato e ceftriaxona. Houve disseminação das lesões na mucosa oral e internamento com suspeita de farmacodermia devido ao uso dos antibióticos. Mesmo após troca do antibiótico e prescrição de anti-histamínicos, o paciente evoluiu com aumento do número de bolhas nas mucosas labial, oral e nasal, na língua, aparecimento de edema palpebral, lesão cutânea em pavilhão auricular e enantema conjuntival, genital e perianal. O paciente foi admitido na UTI pediátrica e foi realizada a biópsia das lesões cutâneas, que demonstrou extensa necrose epidérmica inferior com infiltrado de células inflamatórias, o que confirmou a suspeita diagnóstica da síndrome de Stevens-Johnson. O tratamento foi realizado com o uso de corticoide oral, prednisolona na dose de 1mg/kg/dia por 10 dias, com desmame gradual por mais 12 dias e uso de curativos com membrana de celulose.
CONCLUSÃO: O caso aborda a provável correlação da síndrome de Stevens-Johnson com o uso de amoxicilina e apresenta as manifestações clínicas características da SSJ, evidenciando a importância da suspeita diagnóstica e do tratamento precoce dessa condição.
COVID-19 em neonato com cardiopatia congênita: relato de caso

Paula Pires de Souza; Fernanda A. Oliveira Peixoto; Lais da Silveira Botacin; Melissa Ameloti Avelino

Resid Pediatr. 2021
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Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde declarou como pandemia a COVID-19. Atualmente no Brasil, mais especificamente na região Centro-Oeste, a pandemia encontra-se no pico da curva de casos novos, inclusive entre os neonatos, que vêm apresentando manifestações clínicas diferentes das até então relatadas em outras faixas etárias, em raras vezes com necessidade de internação em leito de unidade de terapia intensiva, devido ao quadro multissistêmico, que passou a ser chamado de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P) relacionada à COVID-19. Neste relato, os autores demonstram o caso de um recém-nascido com cardiopatia congênita, com evolução desfavorável rara após infecção pela SARS-CoV-2 nos primeiros dias de vida.
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