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ISSN (On-line) 2236-6814

doi.org/10.25060/residpediatr

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Leishmaniose visceral em paciente pediátrico com recuperação medular pós-tratamento com uso de Filgastrim

Claudia Ferreira Gonçalves; Barbara Sofia Ferreira Diniz; Beatriz Cristina Guerreiro; Iasmin Barufaldi Prette; Isabela da Fonseca Politi; Juliana Hansen Cirilo; Patricia Vidotti Baratto; Sarah Hasimyan Ferreira

Resid Pediátr. 2023
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A leishmaniose visceral (LV) é uma doença crônica infecciosa, sistêmica, causada pelo protozoário tripanossomatídeo do gênero Leishmania que, quando não tratada, evolui para óbito em mais de 90% dos casos. Uma característica da LV é a maior incidência da doença e óbito em crianças menores, pela maior suscetibilidade à infecção e depressão da imunidade observada nesta faixa etária. A LV ainda se mostra como uma doença negligenciada, com alta incidência e alta mortalidade, sendo necessário um grande avanço no seu diagnóstico e tratamento, em especial na população pediátrica. São poucas as drogas disponíveis para o tratamento da LV. A primeira escolha no Brasil é o antimonial pentavalente, N-metil glucamina, que apresenta elevada toxicidade e longa duração. A segunda opção é a anfotericina B nas formas desoxicolato ou lipossomal, drogas com menos efeitos colaterais, porém com uso ainda restrito a uma menor proporção de pacientes. Apresentamos o caso de uma paciente pediátrica com sintomas progressivos por 3 meses, pancitopenia e insuficiência hepática, diagnosticada e tratada com anfotericina B lipossomal. Por manutenção de neutropenia grave, foi realizado teste terapêutico com Filgrastim, evoluindo com boa recuperação medular. A neutropenia é um sinal característico da Leishmaniose, com resolução normalmente rápida após o tratamento. Alguns pacientes mantêm neutropenia grave ainda assim, sendo necessários mais estudos para definir o benefício real do uso de fatores de estimulação de colônias de neutrófilos nestes casos, a fim de reduzir o tempo de internação hospitalar.
Diagnóstico pré-natal de bloqueio atrioventricular total secundário à lúpus materno: relato de caso

Marcus Vinícius de Almeida Ramos Filho; José Alfredo Lacerda de Jesus; Geraldo Magela Fernandes; Guilherme Ramos Rodrigues Buitrago; Matheus Papa Vieira

Resid Pediátr. 2023
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Apresentamos um caso de bloqueio atrioventricular total (BAVT) congênito secundário ao lúpus eritematoso materno, diagnosticado no período gestacional por ecocardiograma solicitado para investigação de redução da frequência cardíaca fetal. A gestação foi interrompida na 36ª semana através de parto cesariano indicado por pré-eclâmpsia. Os passos de reanimação neonatal e as drogas vasoativas não foram efetivas para aumentar a frequência cardíaca da criança acima de 100 batimentos por minuto. Paciente foi submetido à implantação de marcapasso com 20 dias de vida, recuperou-se bem e recebeu alta sem qualquer outro método terapêutico para manter frequência cardíaca. A doença foi atribuída ao lúpus eritematoso sistêmico (LES) materno não diagnosticado previamente, investigado devido ao diagnóstico de BAVT fetal. O procedimento realizado foi adequado e obteve sucesso em decorrência de um programa de pré-natal acessível e sistema público de saúde eficiente.
O impacto do canabidiol na qualidade de vida de crianças com epilepsia

Taysa Maria Nóbrega de Sousa; Brendha Cordeiro Sousa Pimentel Rodrigues; Polyana Maria Cruz Colaço; Andreza Neves Remígio; Carla Magnólia Jácome Fernandes; Sarah Ramos de Melo Dias e Silva; Tobias Sampaio de Lacerda; Alexandre José de Melo Neto; Jaílson Vilberto Sousa Silva; Bruno Leandro de Souza

Resid Pediátr. 2023
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OBJETIVO: Avaliar o impacto do canabidiol na qualidade de vida das crianças acompanhadas a nível ambulatorial na cidade de João Pessoa, após tentativas falhas com outras medicações antiepilépticas.
MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico transversal descritivo. A pesquisa tem o cenário domiciliar, por conveniência, em bola de neve, com aplicação de um questionário aos pais ou responsáveis legais das crianças epilépticas em uso do óleo de canabidiol acerca das percepções sobre a qualidade de vida delas. A pesquisa teve um “n” de 23 indivíduos. A população foi composta de pais ou responsáveis legais de crianças com até 17 anos em uso do óleo rico em canabidiol. Foi utilizado formulário validado elaborado por Mark Sabaz et al., entitulado “Quality of Life in Childhood Epilepsy - Questionnaire QOLCE: Parent Form”.
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Na variável de Bem-Estar, a média das pontuações foi 92,21 antes do uso do CBD, e 76,95 após o uso. Na seção Comportamento, a média foi 102,34 antes do CBD, e 67,34 depois. Em Saúde, a média de antes do CBD foi 4,43, tendo uma evolução positiva para 2,30 após o uso. A média de Qualidade de Vida descrita antes do canabidiol foi 4,65, tendo também uma evolução para 2,34 após o uso da substância. Em Cognição foi encontrada uma média de 79,65 antes do uso do CBD e 101,26 após o uso. Diante dos resultados adquiridos, constatou-se um impacto positivo do canabidiol na qualidade de vida das crianças, confluente com a literatura da área.
Divertículo de Meckel: aspectos clínicos e cirúrgicos em um hospital pediátrico de referência

Aline Sayuri Imagava; Erik Zhu-Teng; Marina Heller; Giovana Camargo de Almeida; Amanda Ginani Antunes; Izabel Cristina Meister Martins Coelho

Resid Pediátr. 2023
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OBJETIVO: Avaliar o perfil clínico epidemiológico do divertículo de Meckel (DM) sintomático em pacientes internados em um hospital exclusivamente pediátrico no período de janeiro de 2009 até dezembro de 2018.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo de prontuários de pacientes internados em um Hospital Pediátrico de Curitiba no período de 01/01/2009 a 31/12/2018.
Resultados: No presente trabalho, a incidência de pacientes com DM sintomático, foi de 5,3 casos por ano. Dos 43 prontuários, houve predomínio do sexo masculino (69,7%), de modo que 21 (48,8%) eram menores de 1 ano. No quadro clínico, 15 pacientes apresentaram abdome agudo inflamatório (34,8%), 9 hemorrágicos (21%) e 6 obstrutivo (14%). Em 13 pacientes (30,2%) o quadro clínico era inespecífico. Quanto ao tratamento, em 41 pacientes (95,2%) realizou-se enterectomia segmentar com enteroanastomose. A presença de mucosa ectópica foi evidenciada em 19 exames anatomopatológicos, dos quais 16 eram exclusivamente de origem gástrica, 1 pancreática e 2 continham ambas as mucosas. Das complicações pós-operatórias, destacam-se deiscência de sutura (4,6%), íleo paralítico (4,6%) e peritonite (2,3%). Do total, 38 pacientes obtiveram alta (88,4%) e 5 (11,6%) foram a óbito.
CONCLUSÃO: O divertículo de Meckel teve propensão a se apresentar em lactentes, sobretudo, na forma inflamatória e hemorrágica. Dos 9 pacientes com manifestação hemorrágica, 7 (78%) apresentavam mucosa ectópica, o que indica possível relação entre a presença de mucosa ectópica e quadro hemorrágico. A porcentagem dos pacientes que foram a óbito é superior a encontrada na literatura, houve predomínio do sexo masculino e 4 (80%) ocorreram em menores de 1 ano.
Melioidose em adolescente com diabetes mellitus tipo 1 com coinfecção por COVID-19: Relato de caso clínico

Diane Gomes Pontes; Ana Julia Velozo Ribeir; José Holanda Maia Filho; Ângela Elizabeth de Holanda Araújo Freita; Vivianne Calheiros Chaves Gomes

Resid Pediátr. 2023
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Melioidose é uma infecção rara e potencialmente fatal, emergente no Brasil e endêmica no Ceará, causada pela bactéria Burkholderia pseudomallei,que demanda alto índice de suspeição clínica para seu diagnóstico. Pode se manifestar de forma aguda, crônica ou latente e, em geral, nos pacientes sintomáticos há sepse com ou sem pneumonia. Diabetes mellitus é o principal fator de risco conhecido. Apresentamos o caso de um adolescente diabético, diagnosticado com melioidose septicêmica e com coinfecção por COVID-19.
Investigação citogenética e molecular de casos de autismo atendidos em um ambulatório universitário no sul do Brasil

Jaime Lin,; Fernanda Coan Antune; Lalucha Mazzucchett; Maiara de Aguiar da-Cost; Cinara Ludvig Gonçalves

Resid Pediátr. 2023
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INTRODUÇÃO: O termo autismo sindrômico é utilizado para se referir aos casos de transtorno do espectro autista (TEA) que possuem uma causa definida. Um método de investigação complementar para a determinação etiológica do TEA é a investigação neurogenética, sendo que o autismo pode ter comportamento hereditário em até 90% dos casos.
OBJETIVO: Esse artigo teve como objetivo avaliar a ocorrência de autismo sindrômico e as características genéticas envolvidas em pacientes com TEA.
MÉTODOS: Um estudo observacional, transversal e retrospectivo foi realizado a partir de dados coletados no prontuário de 135 crianças entre 2 e 15 anos, que realizaram investigação genética e que foram diagnosticadas com TEA pelo Ambulatório Materno Infantil da UNISUL em Tubarão, SC, Brasil.
RESULTADOS: De acordo com os resultados dos exames genéticos, 20% dos pacientes que realizaram algum tipo de investigação genética tiveram alteração e foram incluídos no grupo de autistas atípicos. Entre os pacientes que realizaram o exame de CGH Array, 70,97% tiveram alguma alteração genética encontrada, entre os que realizaram cariótipo 5,26% tiveram alterações, seguidos de 2,31% de alterações nos pacientes que fizeram o PCR para X frágil. Verificou-se que a presença de dismorfismo e a microcefalia tiveram significância estatística na probabilidade de alteração na investigação genética.
CONCLUSÃO: Na avaliação etiológica do transtorno do espectro autista é importante a realização do teste genético. O cariótipo, o PCR para X frágil e o CGH Array detectaram a etiologia em 20% das crianças estudadas. Em pacientes com algum dismorfismo os testes parecem ser mais sensíveis.
Hipotermia terapêutica em pacientes com asfixia neonatal - Estudo transversal em UTI neonatal do Sul do Brasil

Mariana Martins Denicol; Marcelo de Freitas Calegari; Cátia Rejane Soares de-Soares; Valéria Raymundo Fonteles Ritter

Resid Pediátr. 2023
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INTRODUÇÃO: A asfixia neonatal provoca grande parte dos óbitos infantis, principalmente durante o período perinatal. Além da alta taxa de mortalidade, é também responsável pela maioria das incapacidades cerebrais em pacientes nascidos a termo. A hipotermia terapêutica é a terapia já reconhecida para redução de danos cerebrais em recém-nascidos que sofreram asfixia e evoluíram com encefalopatia moderada a severa.
OBJETIVO: O presente estudo compara desfechos em pacientes submetidos a hipotermia terapêutica em relação aos pacientes que apresentavam critérios para iniciar o protocolo ao nascimento, entretanto, por piora do quadro ou por atraso no início da terapia, não completaram as 72 horas da terapia.
MÉTODOS: Estudo transversal realizado através de análise de banco de dados da UTI neonatal do Hospital Criança Conceição (HCC) no período de março de 2017 até setembro de 2020.
RESULTADOS:Trata-se de um estudo com amostra de 21 pacientes, dos quais 12 pacientes foram submetidos a hipotermia terapêutica e 9 não realizaram ou não completaram o protocolo de hipotermia terapêutica. Os resultados mostraram melhores desfechos no grupo intervenção quanto à necessidade de uso de oxigênio e possibilidade de alimentação via oral.
CONCLUSÃO: Os resultados deste estudo demonstram uma tendência, já reconhecida por entidades e unidades que utilizam a hipotermia terapêutica, com melhores resultados nos pacientes submetidos a hipotermia.
Seis meses de aleitamento materno exclusivo no pré-termo de muito baixo peso submetido ao método canguru

Kallyne Estevão Fernandes Santos; Julianne Christine Gadelha Vilela; Thaíssa Paschôa Costa; Élida Falcão de Castro; Claudia Rodrigues Souza Maia

Resid Pediátr. 2023
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OBJETIVO: Conhecer a frequência e os fatores associados ao aleitamento materno exclusivo no follow-up do pré-termo.
MÉTODOS:
Estudo de corte transversal com pré-termo <33 semanas e/ou com peso de nascimento <1.500 gramas, nascidos em 2019, submetidos ao método canguru e acompanhados até seis meses. Utilizou-se o programa IBM-SPSS/Statistics22 para análise descritiva, testes de associação e comparação de médias das variáveis e o desfecho aleitamento materno exclusivo sim (G1) e não (G2).
RESULTADOS:
Dos 111 pacientes que tiveram alta, 82 (100%) foram seguidos até as idades corrigidas 3,8/4,2 e cronológica 5,9/6,3 meses, respectivamente, no G1/G2. O aleitamento materno exclusivo estava presente em 22 (26,8%) pacientes e 60 (73,2%) já tinham iniciado o uso de fórmula. As médias da idade materna foram 28/29 anos, idade gestacional 30,3/30,4 semanas, peso ao nascer 1295/1434g, tempo de ventilação mecânica 5,0/5,8 e de internação total 56/49 dias nos grupos G1 e G2, respectivamente. As frequências do parto cesáreo 68/61%, enterocolite necrosante 4,5/8,3%, hemorragia peri-intraventricular grave 4,5/8,3%, sepse tardia 19/16,9%, e reinternação após alta 4,5/6,8% nos pacientes do G1 e G2. Não houve significância estatística das variáveis analisadas para o desfecho do aleitamento materno exclusivo.
CONCLUSÃO:
Comparada a outras coortes e ao próprio serviço em 2010, a taxa de aleitamento materno foi elevada e, em especial do aleitamento materno exclusivo, condição associada ao melhor desenvolvimento do pré-termo, e as variáveis perinatais não foram determinantes do sucesso do aleitamento materno exclusivo nesses pacientes atendidos pelo método canguru.
Sequência rápida de intubação em pediatria: Atualização e proposta de protocolo

Ana Paula Cauduro Couto; Adriana Koliski; Wendell Paiva Vita; Marcelo Rodrigues

Resid Pediátr. 2023
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A intubação endotraqueal consiste em um procedimento frequente em unidades de cuidados intensivos e atendimentos de emergência. A sequência rápida de intubação (SRI) consiste em uma série de passos para a administração sequencial de drogas sedativas, analgésicas e bloqueadores neuromusculares, fornecendo as condições ideais para a intubação endotraqueal. O objetivo desse estudo é realizar uma revisão bibliográfica das medicações utilizadas na SRI pediátrica, e propor a instituição um protocolo atualizado e que inclua uma medicação analgésica segura. Sugere-se a inclusão de dextrocetamina ou fentanil, conforme condição clínica, para SRI.
Evento tromboembólico em neonato de mãe com COVID-19

Mariana Gaspar Mendonça; Anelise Steglich Souto; Mônica Akemi de Souza dos Reis,

Resid Pediátr. 2023
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INTRODUÇÃO: O nascimento prematuro é uma das principais complicações perinatais da infecção materna por SARS-CoV-2.
RELATO DE CASO: Recém-nascida prematura, filha de mãe com quadro grave de COVID-19, que apresentou evento tromboembólico no primeiro dia de vida e evoluiu com encefalopatia hipóxico-isquêmica.
DISCUSSÃO: Realizada investigação acerca da causa do quadro, manejo com enoxaparina e curativo com colagenase, ainda assim não sendo possível evitar a perda da região auricular. Foi encontrada evidência imuno-histoquímica da proteína Spike-19 na parte fetal placentária. Os testes RT-PCR para SARS-CoV-2 no swab orofaríngeo foram negativos. A infecção materna por coronavírus deve ser incluída no diagnóstico diferencial como causa de evento tromboembólico no período neonatal. 
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