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Perfil de prematuridade e adequação neonatal de peso em maternidade de Minas Gerais e comparação com literatura médica
Raisa Rios Lodi Guedes; João Marcos Arantes Soares; Melina de Barros Pinheiro; Jussara Soares Fontes
Resid Pediátr. 2022MÉTODOS: Trata-se de estudo transversal, descritivo e retrospectivo. Nascidos em hospital do interior de Minas Gerais foram analisados em relação ao peso de nascimento e idade gestacional, durante 2 meses, a fim descrever os perfis de adequação ponderal para idade gestacional e de maturidade, usando como referência as curvas de crescimento do Intergrowth-21, e feito uma comparação com outros estudos.
RESULTADOS: Quanto à maturidade, 11,4% dos recém-nascidos eram prematuros, 88,1% a termo e 0,4% pós-termo. Pequenos para a idade gestacional (PIG) foram 8,4% e grandes para a idade gestacional 14,2%. Recém-nascidos baixo peso (RNBP) eram 9,9%, macrossômicos 4,9%. O hospital estudado apresentava valores maiores de RNBP total (p<0,001) e a termo (p<0,001) comparativamente ao Intergrowth-21, porém não significativos se comparados com prematuros (0,07) e outros estudos.
CONCLUSÃO: Os valores encontrados não foram significativamente diferentes, na maioria das vezes, de estimativas encontradas na literatura, considerando as mesmas características. Conhecer o perfil de uma maternidade de referência de Minas Gerais é importante para reconhecer precocemente problemas e otimizar as intervenções oferecidas, e assim atender as reais demandas dessa população.
Implicações nutricionais da alimentação vegetariana e vegana no desenvolvimento infantil: uma revisão narrativa
Aléxia Alves Cabral; Tainá Barros Ventura; Ariella Baeza Bonazzio; Vanessa Manso Torres; Beatriz Amaro Mourão; Diego Santana; Cecília Pereira Silva
Resid Pediátr. 2022MÉTODOS: Trata-se de uma revisão narrativa atual, por meio de um levantamento, nos bancos de dados MEDLINE®, PubMed® e SciELO, de artigos relacionados às dietas vegetariana e vegana em crianças e suas repercussões ao desenvolvimento. Foram usados os descritores “dieta vegetariana”, “dieta vegana” e “desenvolvimento infantil”.
RESULTADOS: O vegetarianismo e veganismo, apesar de seu potencial déficit de nutrientes envolvidos em funções biológicas vitais, dispõem de uma dieta baseada em alimentos vegetais que proporcionam benefícios clínicos, como menor incidência de doenças cardiovasculares, câncer e diabetes. Mulheres veganas que desejam engravidar devem ter uma dieta bem planejada e equilibrada. O aleitamento materno é a forma ideal e a primeira opção alimentar aos bebês vegetarianos/veganos; entretanto, na impossibilidade, há fórmulas a base de soja. As primeiras refeições, aos seis meses, devem ser ricas em proteína, ferro, zinco, sendo a vitamina B12 o nutriente mais preocupante, por sua participação no desenvolvimento neurológico da criança, devendo ser suplementado quando necessário.
CONCLUSÃO: O pediatra deve orientar a família, alertar os riscos e esclarecer que a dieta vegetariana/vegana bem planejada e de qualidade não altera o desenvolvimento infantil, mas demanda monitoramento periódico para avaliação e possíveis suplementações.
Os desafios e estratégias para amamentação no recém-nascido com fissura labiopalatina
Ana Paula Matzenbacher Ville; Leticia Staszczak; Larissa Lopes; Jaine Miorando Vivan
Resid Pediátr. 2022MÉTODOS: Revisão narrativa de literatura realizada através de bases científicas on-line.
RESULTADOS: As fissuras labiopalatinas são malformações congênitas que dificultam o processo de amamentação, interferindo na sucção e deglutição, o que pode prejudicar o desenvolvimento infantil e o vínculo mãe-bebê. Deve-se incentivar o aleitamento materno, avaliar a capacidade de sucção do bebê, demonstrar aos pais o posicionamento adequado da amamentação, apoiar as mães a estabelecer e manter seu suprimento de leite, considerando o equipamento de alimentação adaptável (mamadeiras e mamilos especializados) e educação sobre os benefícios do leite humano. Mesmo que existam fatores que impossibilitem a amamentação, o fornecimento de leite humano, através de mamadeiras especializadas ou outros dispositivos, deve ser incentivado, visto que há nutrientes que só ele pode oferecer ao recém-nascido. A educação da família é parte importante no sucesso da amamentação e o suporte deve ser iniciado assim que a fissura for diagnosticada, durante os períodos pré-natal e pós-natal.
CONCLUSÃO: O aleitamento materno deve ser incentivado, e quando não é possível, deve-se ofertar leite materno. O reparo cirúrgico precoce (nas primeiras duas semanas de vida) em fendas labiais simples aumentou as taxas de AM e deve ser considerado em serviços nos quais há disponibilidade. Ainda, deve-se criar uma rede de apoio aos pais, com profissionais da saúde, para que forneçam orientações sobre as possibilidades e sucesso da amamentação, além de monitorização do ganho de peso e da hidratação.
Transmissão vertical COVID-19: relato de caso no Hospital São Vicente de Paulo
Simone Beder Reis; Laura Werle Dalpasquali; Gabriel Oliveira Weber; Cristiane Agostini Cassanelo; Alessandra Do Amaral Belina
Resid Pediátr. 2022Impactos econômicos e emocionais da pandemia em famílias de crianças e adolescentes com COVID-19: reflexões para o cuidado integral
Danton Matheus de Souza; Ana Paula Scoleze Ferrer; Sandra Josefina Ferraz Ellero Grisi
Resid Pediátr. 2022MÉTODOS: Estudo transversal, descritivo, realizado por meio de entrevistas com 51 famílias de pacientes pediátricos com COVID-19.
RESULTADOS: A maioria (78,4%) das famílias sofreram impactos econômicos, principalmente aquelas previamente vulneráveis. 35,3% das crianças e adolescentes e 54,9% dos responsáveis apresentaram alteração do sono. 94,1% dos adultos apresentaram preocupação com a pandemia, principalmente em relação à saúde da criança e adolescente (66,5%), e 64,7% apresentaram alteração do humor, principalmente ansiedade.
CONCLUSÃO: Os achados desse estudo trazem diversas reflexões, demonstrando a importância da abordagem do profissional de saúde para além dos dados clínicos da infecção pelo SARS-CoV-2, sendo necessário um olhar para o contexto social e familiar, também impactado por esse cenário.
Eventração diafragmática em lactente: um achado radiológico
Larissa Cerqueira Pereira Paes; Maina Tavares Zanoni; Juliana Cristina Castanheira Guarato; Adriana Cartafina Perez-Bóscollo
Resid Pediátr. 2022MÉTODOS: Revisão de prontuário eletrônico institucional.
RESULTADOS: Paciente de 1 ano e 6 meses atendido em pronto socorro com história de febre há três dias. Na investigação foi realizada triagem infecciosa, incluindo radiografia de tórax, a qual evidenciou elevação da cúpula diafragmática esquerda Figura 1. Histórico prévio de um episódio de bronquiolite sem indicação de radiografia. Não apresenta queixas respiratórias recorrentes ou alterações na ausculta pulmonar. Após alteração do exame radiológico, foi solicitada tomografia de tórax para melhor elucidação e acompanhamento do caso.
CONCLUSÃO: A eventração pode associar-se a outras malformações e apresenta clínica ampla e variável desde pacientes assintomáticos, com infecções respiratórias de repetição, até com hipoplasia pulmonar. Como a maioria dos casos é assintomática, a conduta é geralmente conservadora. Se necessária intervenção cirúrgica, essa visa o aumento volumétrico dos pulmões e a reversão de atelectasias.
Violência sexual contra crianças e adolescentes durante a pandemia de COVID-19: dados do ano de 2020 em um serviço de referência no Estado do Pará
Érika de Oliveira Santos; Vilma Francisca Hutim Gondim de Souza; Gabriela Caroline Lobato Pontes; Luiz Felipe Santa Rosa Leão; Patrícia Pereira Carvalho
Resid Pediátr. 2022MÉTODOS: Trata-se de estudo epidemiológico transversal, analítico e descritivo, com dados coletados das fichas de atendimento das vítimas encaminhadas ao serviço de referência ou que compareceram por demanda espontânea, sendo incluídos crianças e adolescentes de 0 a 18 anos.
RESULTADOS: A amostra do estudo foi de 712 crianças e adolescentes. Encontrou-se um maior índice de violência sexual contra o sexo feminino (86%) com idade entre 12 e 14 anos; o serviço de psicologia foi o mais atuante; a capital do Estado foi a detentora do maior número de registros (54,8%); quanto aos agentes da violência sexual, o agressor do gênero masculino totalizou 97,8%, sendo conhecidos da família 91,5% e, 72,8% pertencentes ao núcleo familiar, os principais agressores foram namorados/companheiros (intrafamiliar) e vizinhos (extrafamiliar); o estupro de vulnerável acometeu 55,9% das vítimas.
CONCLUSÃO: O isolamento social estabelecido durante a epidemia, propiciou condição mais favorável para a ocorrência de atos de violência dentro da própria casa. Durante a pandemia houve uma redução das denúncias de violência contra crianças e adolescentes, entretanto, não necessariamente uma diminuição dos casos de violência.
Salpingite e abscesso intra-abdominal por Staphylococcus cohnii em adolescente com COVID-19: relato de caso
Arthur José Roque Cruz; Vitorugo Silvestre Nascimento; Paulo Marcelino Figueira; Nelson Olavo Wolf Choueri; Bianca Netto Mota; Larissa Gonçalves Brabo; Lelia Mara Rizzanti Pereira
Resid Pediátr. 2022RELATO DE CASO: Paciente feminino de 14 anos, não ativa sexualmente, iniciou quadro de vômitos, febre, diarréia e dor abdominal, sem sintomas respiratórios associados. Evoluiu com necessidade de internação e na admissão apresentou o RT-PCR para SARS-CoV-2 positivo e tomografia de abdome com espessamento tubário à esquerda. Após 7 dias evoluiu com piora da dor e recidiva da febre, sendo realizada nova tomografia que evidenciou grande quantidade de líquido localizado em pelve. Foi realizada drenagem do abscesso, com crescimento de Staphylococcus cohnii em cultura. Realizado 14 dias de antibioticoterapia guiada por antibiograma, com boa evolução.
COMENTÁRIOS: A etiologia viral não é usual nas salpingites (geralmente causadas por bactérias sexualmente transmissíveis). Não encontramos relatos de salpingite relacionado ao SARS-CoV-2, porém a paciente não era sexualmente ativa e apresentou RT-PCR positivo, dessa forma, foi levantada a possibilidade de uma etiologia viral. Essa poderia ser uma possível manifestação clínica do vírus, porém mais estudos são necessários para caracterizar essa relação. A infecção pelo Staphylococcus cohnii é comumente tida como oportunista, mas se supõe que foi favorecida pela resposta imune insatisfatória decorrente da infecção pelo SARS-CoV-2.
Aspectos nutricionais e crescimento de crianças vegetarianas e veganas
Letícia Rodrigues Ramos; Maria Inez Machado Fernandes
Resid Pediátr. 2022