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ISSN (On-line) 2236-6814

doi.org/10.25060/residpediatr

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Terapêutica não medicamentosa para febre: tem validade?

Victor Lenon Aires Peixoto; Fernando de Almeida Machado

Resid Pediátr. 2024
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INTRODUÇÃO: a febre é uma das ocorrências mais incidentes na prática pediátrica. Entretanto, muitas atitudes são tomadas precipitadamente por responsáveis e profissionais na sua abordagem por ser uma manifestação clínica que gera ansiedade. Dentre as atitudes tomadas para seu controle, estão as medidas físicas.
OBJETIVOS: apresentar o que a literatura médica diz sobre o uso dessa modalidade terapêutica não medicamentosa de controle de temperatura corporal, suas vantagens e desvantagens e, se possível, identificar fatores que possam estar associados a essas atitudes.
METODOLOGIA: revisão integrativa da literatura sobre a terapia não medicamentosa da febre. Foi definida a pergunta norteadora: "A terapêutica não medicamentosa da febre tem validade?" Foi selecionada a base de dados Medline e feita uma pesquisa livre para a identificação de material relevante que não estivesse indexado na base de dados selecionada.
RESULTADOS: foram incluídos 25 estudos para análise.
DISCUSSÃO: há muitos resultados conflitantes mostrando ou não eventuais benefícios do tratamento físico da febre, e muitos deles apresentam diminuição da temperatura corporal somente nos primeiros minutos. As inúmeras inconsistências nos resultados podem ser devido a problemas metodológicos.
CONCLUSÕES: atualmente, não existem respostas definitivas na análise de riscos e benefícios referentes ao uso de métodos físicos para controle da febre.
Dermatoses na síndrome de down

Beatriz Elizabeth Bagatin Veleda Bermudez; Charles da Silva Gomes; Iolanda Maria Novadzki; Susana Giraldi

Resid Pediátr. 2024
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A síndrome de Down é o distúrbio cromossômico mais comum, afetando 1 em 700 nascidos vivos. Possui características físicas típicas e anomalias multissistêmicas que incluem a pele. Este estudo tem como objetivo determinar as características dermatológicas de pacientes atendidos em um ambulatório de síndrome de Down. Estudo transversal realizado por meio da revisão de prontuários de pacientes em 2018. Os dados foram submetidos à análise descritiva por meio do software Statistica®. Os dermatologistas trabalhavam no ambulatório de síndrome de Down um dia por semana. Avaliaram 838 pacientes, sendo 474 (56,6%) do sexo masculino e 364 (43,4%) do sexo feminino. As dermatoses mais frequentes foram xerose (57,6%), queratose folicular (26,3%), urticária papulosa (17,6%), hiperceratose palmoplantar (11,9%) e sudamina (9,1%). Diagnosticar e tratar dermatoses em pacientes com síndrome de Down é parte integrante do acompanhamento clínico dessa população e o autocuidado com a pele deve ser estimulado desde a infância.
Aspiração de corpo estranho: causa de estridor recorrente no lactente - Relato de caso

Rafaela Baroni Aurilio; Carla Cristiane Dall Olio; Ana Alice Amaral Ibiapina Parente; Priscila Machado de Matos; Ana Flavia Costa Dalla Martha; Luzia Abraão El Hadj; Adriana Cristina da Luz Lopes

Resid Pediátr. 2024
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A aspiração de corpo estranho (ACE) é um evento adverso muito comum na prática pediátrica, potencialmente fatal e que pode apresentar sintomatologia variada. Diversos fatores contribuem para o diagnóstico tardio da ACE, o que traz prejuízos exuberantes à criança e familiares. O diagnóstico pode ser feito por exames de imagem e, em geral, é necessário complementação através de broncoscopia. O presente relato irá descrever um caso desse fenômeno numa lactente jovem, evidenciando os diversos fatores de confundimento e possíveis erros diagnósticos ao longo da investigação de uma ACE.
Avaliação da qualidade de vida de familiares de pacientes com Dermatite Atópica

Ana Gabriella Bandeira Freire Andrade; Flávia Naranjo Ravelli

Resid Pediátr. 2024
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OBJETIVO: O objetivo geral deste estudo é avaliar o impacto na qualidade de vida das famílias de pacientes com DA e determinar se há uma relação com a gravidade da doença.
MÉTODOS: Estudo individual, observacional e transversal que inclui 20 pacientes pediátricos com idades entre 1 e 12 anos e seus cuidadores. Serão realizados dois momentos de avaliação (A1 e A2), nos quais o SCORAD do paciente será avaliado e o DFI será aplicado ao membro da família.
RESULTADOS: Ao comparar A1 e A2, o SCORAD demonstrou um escore z de 2,76 (p=0,0058), enquanto o DFI mostrou um escore z de 2,52 (p=0,0119). O coeficiente de correlação de Spearman demonstrou uma correlação positiva com significância estatística (rs = 0,74, p = 0,0002).
CONCLUSÕES: Quando os pacientes experimentaram uma diminuição nos escores do SCORAD, a qualidade de vida de seus membros familiares melhorou, como evidenciado por uma diminuição nos escores do DFI. Além disso, na análise de cada consulta individual, também observamos que escores mais altos do SCORAD em pacientes estavam associados a escores mais altos do DFI. Os resultados deste estudo reforçam o que foi previamente demonstrado em outros estudos: o impacto negativo da DA não apenas nos pacientes, mas principalmente em seus cuidadores. Além disso, observamos que quanto mais grave a doença, maior o impacto na família.
Protocolo de investigação e manejo do AVC isquêmico neonatal

Nicolas Ramos; Gustavo Barbosa David; Simone Cristina Stadnick,; Stephanie Ribeiro Raitez,

Resid Pediátr. 2024
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OBJETIVO: Descrever os sinais e sintomas do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Neonatal (AVCin), a condução do caso apresentado e propor um protocolo de investigação do AVCin.
DESCRIÇÃO DO CASO: Masculino, 38 semanas de idade gestacional, nascido em um hospital terciário do estado de Santa Catarina - Brasil, via cesárea por feto pélvico, sem intercorrências gestacionais ou ao nascimento. Na sala de parto, apresentou hipotonia, hipoatividade e choro fraco, evoluindo com bradicardia, necessidade de VPP e hipoglicemia. Ainda nas primeiras horas de vida, foram observados tremores nos membros superiores ao estímulo. Os exames laboratoriais não elucidaram o quadro, e não foram solicitadas hemoculturas, coleta do LCR ou imagem ultrassonográfica. Na madrugada do nascimento, apresentou episódios de hipoxemia com necessidade de suporte ventilatório. Com 24 horas de vida, foram notados tremores persistentes e desvio de rima labial à direita, com suspeita de crise convulsiva. O manejo foi realizado com doses de fenobarbital para controle dos sintomas. A tomografia computadorizada de crânio evidenciou hipodensidade em hemisfério direito, sugestivo de lesão hipóxico-isquêmica. A angiografia de artérias cerebrais não contribuiu com a investigação diagnóstica. Discutido com a neuropediatra e com o neurocirurgião, foi estabelecido o diagnóstico de AVCin. Nos dias subsequentes, o paciente foi monitorizado e recebeu alta com encaminhamento ao serviço multiprofissional no 35º dia de vida.
COMENTÁRIOS: O AVCin é uma condição prevalente entre os recém-nascidos, porém, pouco diagnosticado no Brasil. Nesta conjuntura, os pacientes acometidos pelo AVCin vivenciam eternamente as sequelas desta condição.
Queimadas e saúde da criança: rumo a um país inabitável?

Aline Priscila de Souza; Marcos Tadeu Nolasco da Silva; Carla Cristina Gomez de Souza; José Dirceu Ribeiro

Resid Pediátr. 2024
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O Brasil enfrenta uma grave crise ambiental devido às queimadas, cujas CONSEQUÊNCIAS afetam profundamente o meio ambiente e a saúde da população. Em 2024, incêndios atingiram proporções alarmantes, resultando na pior qualidade do ar já registrada na cidade de São Paulo. A poluição gerada agrava riscos à saúde, especialmente em crianças menores de cinco anos, que são mais vulneráveis. Entre os poluentes produzidos pelas queimadas, destaca-se o material particulado inalável fino que penetra profundamente nos pulmões, causando inflamação e aumentando a incidência de doenças respiratórias, como exacerbações da asma, bronquite e de outras doenças respiratórias crônicas, maior probabilidade de pneumonia, resfriados, rinossinusites, traqueítes, adenoamigdalites, conjuntivite, irritabilidade, tosse noturna, anorexia, sensação de cansaço e alterações de sono. Além de comprometer a saúde física, a poluição decorrente das queimadas impacta a saúde mental e cardiovascular, elevando a demanda por serviços de saúde. Também contribui para alterações epigenéticas que podem afetar a saúde ao longo da vida. A crise atual reforça a necessidade urgente de políticas públicas que reduzam as queimadas e protejam os grupos mais vulneráveis, especialmente as crianças. O pediatra tem papel crucial ao monitorar os efeitos da poluição, diagnosticar doenças respiratórias e orientar as famílias sobre medidas preventivas durante picos de contaminação. Além disso, pode ser um defensor de políticas públicas que promovam ambientes mais saudáveis e sustentáveis, garantindo o cuidado adequado às crianças diante desses riscos. Medidas eficazes são essenciais para não caminharmos rumo a um país inabitável.
Gastrite eosinofílica - Relato de caso

Bruno Carminatti da Silva; Jaqueline Cavalcanti de Albuquerque Ratier; Mônica Lisboa Chang Wayhs; Camila Marques de Valois Lanzarin; Renata Meirelles Gaspar Coelho Tomazzoni

Resid Pediátr. 2024
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A gastrite eosinofílica é uma patologia rara caracterizada por uma densa infiltração de eosinófilos na mucosa gástrica. Os processos fisiopatológicos sugeridos são multifatoriais e envolvem mecanismos que se situam entre uma resposta mediada por imunoglobulina E e outra do tipo T helper 2 tardia. A apresentação clínica é variável e há forte associação entre distúrbios alérgicos e gastrite eosinofílica. Neste relato descrevemos os achados clínicos e laboratoriais da gastrite eosinofílica em um menino de 9 anos, tratado com prednisolona e esomeprazol em dose dobrada.
Taquicardia ortostática postural em adolescentes: como e por que diagnosticar

Camila Magalhães Silva; Ludimila Dos Anjos Teixeira Romão; Lalleinny Franthiesca da Costa Alves; Roberta Leão Bassi; Rose Mary Ferreira Lisboa da Silva; Fátima Derlene da Rocha Araújo; Zilda Maria Alves Meira

Resid Pediátr. 2024
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Síndrome da taquicardia postural ortostática (POTS) é uma síndrome heterogênea rara secundária a um distúrbio do sistema nervoso autônomo que se manifesta por taquicardia sinusal sustentada e sintomática em posição ortostática, sem hipotensão arterial. Os sintomas crônicos são inespecíficos e associados a diversos aparelhos, podendo ser incapacitantes com grande prejuízo da qualidade de vida. Embora pouco conhecida pelos cardiologistas é entidade importante no diagnóstico diferencial de pré-síncope. Apresentamos um relato de caso de uma adolescente encaminhada à cardiologia pediátrica para investigar episódios intermitentes e recorrentes de sudorese, dor torácica, perda de tônus muscular sem perda de consciência, palpitações, palidez e taquicardia. À anamnese relatou ainda outros sintomas associados a prejuízo das atividades de vida diária e rendimento escolar. Após exame físico detalhado (avaliação da frequência cardíaca e pressão arterial) e exames complementares (eletrocardiograma, ecocardiograma transtorácico e Tilt Test), foi possível diagnosticá-la com síndrome de POTS e instituir o tratamento (farmacológico e não farmacológico) com melhora da qualidade de vida e controle dos sintomas. O reconhecimento dessa doença, de descrição recente na história da medicina, depende da suspeição clínica durante anamnese e exame físico permitindo instituir tratamento com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do doente.
Metemoglobinemia adquirida secundária à ingestão de alimento ultraprocessado em adolescente: um relato de caso

Camila Dalle Rocha; Ariadne Becker Quirino; Mariana Pinheiro Barbosa de Araújo; Mayanne de Fátima de Oliveira Barreto; Thays Taborda Damas; Francisco Carlos Yokoyama; Priscilla de Souza Prigol; Paulo Ramos David João

Resid Pediátr. 2024
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A hipóxia tecidual e até mortes decorrentes de metemoglobinemia ocorrem quando seus níveis ultrapassam 2%, quanto maior o nível, mais graves os sintomas apresentados pelo paciente. Seu mecanismo se dá através da oxidação da hemoglobina do estado ferroso para férrico, tornando-a incapaz de se ligar ao oxigênio. Trata-se de uma patologia congênita ou adquirida, esta quando há exposição a certos agentes oxidantes, como pesticidas, fertilizantes, anestésicos tópicos e nitratos, como no caso descrito. Os sintomas são variáveis, desde apenas pigmentação acinzentada da pele à cianose central, coloração marrom do sangue, síncope, dispneia, convulsões e até insuficiência cardiovascular decorrente da hipóxia tecidual. Mas o principal sinal é a disparidade entre saturação em oximetria de pulso e saturação arterial de oxigênio, refratários à oxigenoterapia. A agilidade no diagnóstico e na instituição do tratamento adequado é essencial para um bom desfecho, tendo como principal medida curativa a administração de azul de metileno. Este artigo apresenta um relato de caso de paciente adolescente com metemoglobinemia adquirida após ingestão de alimento ultraprocessado. Relato estruturado a partir da análise do prontuário e revisão de literatura sobre o tema. Sem qualquer conflito de interesse ou fonte financiadora externa.
Caracterização das crianças com síndrome de Down concomitante ao hipotireoidismo congênito no estado de Mato Grosso, Região Central do Brasil, 2010–2021

Camila Moraes Mello; Stela Maris Silvestrin

Resid Pediátr. 2024
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OBJETIVO: O hipotireoidismo congênito é uma doença frequente na endocrinologia pediátrica, com alta prevalência entre crianças com síndrome de Down. No Brasil, publicações sobre a coexistência dessas duas síndromes na população infantil são escassas. Objetivou-se neste estudo caracterizar clínica e laboratorialmente crianças com síndrome de Down concomitante ao hipotireoidismo congênito.
METODOLOGIA: Trata-se de estudo transversal e retrospectivo com dados de prontuários de pacientes com síndrome de Down concomitante ao hipotireoidismo congênito, entre nascidos vivos do período de janeiro de 2010 a dezembro de 2021, acompanhados em serviço de triagem neonatal de Mato Grosso, Brasil.
RESULTADOS: Foram analisadas 318 crianças com hipotireoidismo congênito, 11 delas com síndrome de Down (prevalência de 1:28,9 entre as crianças com hipotireoidismo congênito). O achado clínico mais comum foi a icterícia (90,0%), seguida de macroglossia (80,0%), hipotonia (66,7%) e livedo reticular (62,5%). Anomalias cardíacas congênitas ocorreram em todas as crianças com síndrome de Down estudadas. A comunicação interatrial e persistência do canal arterial foram as anomalias cardíacas mais frequentes. Os níveis séricos de tireotropina estavam entre 10µUI/mL e 20µUI/mL em 63,6% da amostra e em dois pacientes, esses valores encontravam-se acima de 100µUI/mL. Em 81,8% das crianças, os níveis da tiroxina livre estavam normais. A maioria absoluta das crianças não apresentou alteração ultrassonográfica da tireoide.
CONCLUSÕES: Alta prevalência da síndrome de Down foi observada entre pacientes com hipotireoidismo congênito, sendo a forma subclínica do hipotireoidismo a de apresentação mais comum. Icterícia, macroglossia e cardiopatias congênitas foram os achados clínicos mais relevantes deste estudo.
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