Resultados da Busca
Avaliação de tuberculose latente em adolescentes e adultos jovens vivendo com o vírus da imunodeficiência humana em um serviço de referência no Brasil
Fernanda Maia Brustoloni; Fabiana Bononi do Carmo; Aida de Fátima Thomé Barbosa Gouvêa; Regina Célia de Menezes Succi; Daisy Maria Machado
Resid Pediatr. 2023Cuidados de prevenção e seguimento de nascidos prematuros - Ponto de vista do nefrologista pediatra
Michelle Toscan; Samantha Gomes de Freitas Dickel; Vandréa Carla de Souza; Breno Fauth de Araújo
Resid Pediatr. 2023MÉTODOS: Revisão não sistemática da literatura utilizando bases de dados National Library of Medicine, US National Library of Medicine, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde e Scientific Electronic Library Online cobrindo o período de 2010 a 2021. Selecionados artigos em língua inglesa abordando prematuridade, baixo peso de nascimento, crescimento intrauterino restrito e a associação com doença cardiovascular e renal e que propunham estratégias de seguimento. Excluíram-se editoriais, cartas ao editor e artigos não disponíveis na íntegra.
RESULTADOS: A incidência de prematuridade aumentou nas últimas décadas, variando entre 5% e 14%, com consequente elevação das doenças crônicas relacionadas a essa situação. O número incompleto e imaturo de néfrons dos prematuros é decorrente da falta de completude da nefrogênese, que ocorre em torno das 36 semanas de gestação. O déficit de néfrons suscita uma adaptação hemodinâmica para atingir as demandas de excreção urinária. Esse processo pode ser responsável por hipertensão glomerular, hipertrofia dos néfrons remanescentes e consequente injúria renal. Fatores como baixo peso ao nascer, crescimento intrauterino restrito e prematuridade contribuem para aumento global na prevalência de doença renal, hipertensão arterial sistêmica e síndrome metabólica.
CONCLUSÕES: Crianças com histórico de prematuridade, baixo peso e crescimento intrauterino restrito devem ter pressão arterial e função renal monitoradas durante o seguimento pediátrico, com encaminhamento ao nefrologista pediatra quando detectados desvios da normalidade.
Problemática da persistência do canal arterial: um vilão ou uma alteração presente ao acaso?
Marina Mafra Carvalhais; José Mariano Sales Alves Júnior; Eduarda Viana Maia Sutana; Marila Cristina Tessari
Resid Pediatr. 2023MÉTODO: Pesquisa no banco de dados da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais de recém-nascidos da Maternidade Hilda Brandão da Santa Casa de Belo Horizonte/MG, entre 2014-2019. Compreendeu neonatos admitidos na maternidade com peso ao nascer entre 401 e 1500g ou idade gestacional de 22 semanas e 0 dias a 29 semanas e 6 dias.
RESULTADOS: Observou-se que, para todas as complicações, o número absoluto de casos foi consideravelmente maior na presença de PCA. Porém, em nossa amostra, não houve estatisticamente relação causal definida entre os eventos estu-dados (presença de canal arterial patente x complicações).
CONCLUSÃO: É indiscutível a presença de alguma associação entre a persistência do canal arterial às várias doenças e complicações inerentes à prematuridade. Porém, como já sugerido em outras séries de caso, neste presente estudo, não foi estabelecida relação causal entre PCA e as comorbidades estudadas, que podem ser todas (inclusive a patência do canal), apenas desdobramentos mais encontrados em um grupo de prematuros mais graves. A ausência de associação causal nos leva a refletir sobre a condução e abordagem do fecha-mento do canal arterial, optando por condutas menos intervencionistas e mais seletivas.
Completa recuperação pós-covid-19 grave em paciente com mucopolissacaridose tipo 2
Yasmine Gorczevski Pigosso,; Giovanna Zatelli Schreiner; Isabela Sech Emery Cade; Mara Lucia Schmitz Ferreira Santos; Paulo Ramos David João,
Resid Pediatr. 2023RELATO DE CASO: Masculino, 13 anos, portador de MPS-II, é atendido em pronto-atendimento infantil por desconforto respiratório, hipersecretividade de vias aéreas e febre. Ao exame físico, apresentava insaturação em ar ambiente, roncos e estertores grossos difusos em ausculta pulmonar. Exames laboratoriais revelaram: bastonetose, vacuolização citoplasmática em neutrófilos, plaquetopenia, coagulopatia de consumo, nível tóxico de ácido valpróico, acidose respiratória e alcalose metabólica; além de positividade para Covid-19. Radiografia de tórax demonstrou infiltrado peri-hilar com consolidação retrocardíaca. Tomografia computadorizada de tórax evidenciou consolidações peri-hilares e basais bilaterais, além de disseminação endobrônquica bilateralmente. Eletrocardiograma constatou alteração na repolarização ventricular e infradesnivelamento do segmento ST. Assim, foi diagnosticada infecção por Covid-19, com pneumonia bacteriana secundária e repercussões hemodinâmicas e cardíacas, além de intoxicação concomitante por ácido valpróico. O paciente necessitou cuidados de terapia intensiva por 22 dias, suporte de ventilação mecânica por 19 dias, além do uso de drogas vasoativas. Recebeu alta hospitalar após 49 dias, com gastrostomia, traqueostomia e oxigênio domiciliar.
DISCUSSÃO: Portadores de MPS-II tendem a apresentar quadro mais severo e pior prognóstico ao serem infectados por Covid-19. Isso porque existem fatores inerentes à MPS-II que dificultam sua recuperação após infecções pulmonares, como: disfunção pulmonar prévia, macroglossia, hipertrofia das adenoides, hipersecretividade e hipotonia. Tais fatores refletem na longa permanência hospitalar do paciente relatado ao adquirir a Covid-19.
Impactos da pandemia do coronavírus nos fluxos de atendimento do banco de leite humano de um hospital de Porto Alegre/RS
Patricia do Amaral Vasconcellos; Mauricio Obal Colvero; Humberto Holmer Fiori; Claudia Helena Abreu Nunes
Resid Pediatr. 2023RESULTADOS: O número de atendimento em grupo durante a pandemia apresentou uma redução significativa, com uma média de 0,2 atendimento e um desvio-padrão (DP) de ±0,9 em comparação ao período sem a pandemia, que teve uma média de 31,1 atendimentos e com desvio-padrão de (DP) de ±13,6 (p<0,001). Em relação aos volumes de leite coletados, houve uma diminuição significativa durante a pandemia com uma média de 28,9 litros retirados ao mês e um desvio-padrão (DP) de ± 11,9, em relação ao período sem pandemia que apresentou uma média de 59,8 litros ao mês e um desvio-padrão (DP) de ± 29,2 (p<0,001). O número de doadoras mensais diminuiu significativamente durante a pandemia, com uma mediana (P25 -P75) de 16 (10 - 110) em relação ao período sem pandemia, que foi de 158 (131 -201) (p<0,001).
CONCLUSÃO: Durante a pandemia, houve redução significativa de doadoras e consequentemente de volume de leite doado ao banco de leite.
Impacto da COVID-19 sobre a função tireoidiana de crianças e adolescentes: uma revisão integrativa
Uliana Pereira da Silva Lisboa; João Pedro Pereira Brito; Lucimar Retto da Silva de Avó; Debora Gusmão Melo; Carla Maria Ramos Germano
Resid Pediatr. 2023MÉTODOS: Realizou-se uma busca nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Google Scholar, entre janeiro de 2020 e julho de 2022, a partir da combinação dos descritores: COVID-19, função tireoidiana e população pediátrica, em conformidade com o MeSH e DeSC, em português, inglês e espanhol.
RESULTADOS: Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 8 dos 842 artigos encontrados foram considerados elegíveis para revisão, totalizando uma amostra de 288 pacientes, com 1 mês a 18 anos, acometidos por várias formas de alteração da função tireoidiana relacionadas à COVID-19, dentre as quais, tireoidite subaguda, elevação do TSH em pacientes com síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, síndrome do doente eutireoidiano e hiper ou hipotireoidismo autoimune, diagnosticados após COVID-19 ou exacerbados pela infecção. Os artigos sugerem que avaliações periódicas da função tireoidiana em crianças e adolescentes acometidos pela COVID-19 podem permitir rastreio de pacientes assintomáticos e elucidar precocemente quadros clínicos associados a patologias tireoidianas no período pós-infecção pelo SARS-CoV-2.
CONCLUSÕES: Os artigos analisados, apesar do pequeno número, trazem casos ilustrativos de alterações da função tireoidiana na população pediátrica relacionadas à infecção pela COVID-19. Os trabalhos apontam a necessidade de mais estudos em crianças e adolescentes para definir de forma mais precisa a evolução desses quadros tireoidianos, a melhor forma de rastreio e o seu manejo mais adequado, considerando que o funcionamento tireoidiano é essencial para um pleno desenvolvimento pediátrico.
Dependência de jogos eletrônicos em adolescentes na unidadepediátrica de um Hospital Universitário no Distrito Federal
Isadora de Oliveira Cavalcante; Marilúcia Rocha de Almeida Picanço; Alice Gomes Duart; Bruna Dellatorre Diniz; Ian Carvalho Bezerra; Luana Fernandes de Matos; Marina de Freitas Ferreira; Eduardo Freitas da Silva
Resid Pediatr. 2023MÉTODOS: Estudo observacional transversal, conduzido com adolescentes entre 10 e 19 anos de idade, usando um questionário com 10 questões de múltipla escolha, usado para avaliar a dependência em 5 dimensões, em relação à compulsão para com jogos eletrônicos. Também avaliamos: dados sociodemográficos (idade, sexo, educação e repetência escolar) e parâmetros de uso de jogos eletrônicos (frequência de jogos por semana e tempo diário gasto em jogos eletrônicos). O questionário foi aplicado durante 4 meses, e as análises estatísticas foram feitas usando o SAS 9.4. Um valor p <0.05 foi considerado significativo.
RESULTADOS: entrevistamos 114 adolescentes com idade média de 15 anos. A maioria (71%) relatou usar algum tipo de jogo eletrônico como meio de recreação, dos quais 62,1% eram meninos. A prevalência da dependência foi de 3,51% e o risco de dependência foi de 9.65%, com o item “restrição de tempo” sendo o mais frequente, com 42,9%. Somente o item escolaridade apresentou associação significativa com a ocorrência de risco de dependência (RD = 6,16, IC 95%: 1,48; 25,65; p = 0,0125).
DISCUSSÃO: Mesmo com algumas limitações, este estudo se destaca por ter sido capaz de demonstrar a prevalência de dependência de jogos eletrônicos em uma amostra semelhante àquela encontrada na literatura, assim como a elaboração de um perfil epidemiológico de fatores de risco associados à dependência dos pacientes entrevistados.
Sequelas do neurodesenvolvimento encontradas em crianças em tratamento para doenças hemato-oncológicas
Rafael Schlossmacher; Aline Debs Diniz; Leticia Cristina de Oliveira; Amanda Schuchovski Ribeiro; Camile Cripa Vicentini; Maria Fernanda Rosa Bertolini; Adriana Jasper,
Resid Pediatr. 2023OBJETIVO: O atual estudo tem como objetivo correlacionar os impactos gerados no neurodesenvolvimento de pacientes em tratamento neoplásico atendidos em um hospital pediátrico terciário em Curitiba/PR. Como objetivo secundário, realizar análise epidemiológica de crianças em tratamento hemato-oncológico em hospital de referência, na cidade de Curitiba.
METODOLOGIA: Foram selecionados 156 prontuários do serviço de Hemato-Oncologia nesse hospital de referência na cidade de Curitiba/PR. Posteriormente, realizou-se análise descritiva dos dados, apresentados em números absolutos e em frequência, seguida de correlações entre as sequelas do neurodesenvolvimento encontradas e as doenças oncológicas diagnosticadas, juntamente com as respectivas terapias utilizadas.
RESULTADOS: A leucemia linfoide aguda (LLA) correspondeu à neoplasia mais predominantemente encontrada, com 52,6% dos casos, seguida dos tumores do sistema nervoso central (SNC) e da leucemia mieloide aguda (LMA). Os principais efeitos colaterais encontrados foram: ansiedade, depressão, agressividade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), paralisia cerebral, déficits auditivos, visuais, motores e de linguagem.
CONCLUSÃO: apesar da importante redução da morbimortalidade, as terapias antineoplásicas utilizadas são capazes de gerar sequelas precoces e tardias nos pacientes em tratamento.
Perfil epidemiológico em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal na Região da Amazônia brasileira
Cínthia Kanazawa Silveira; Letícia Maris Camargos Brasil; Jorne Vinícius Cordeiro Cerqueira; Pedro di Tárique Barreto Crispim; Aline Simone Dantas Carvalho
Resid Pediatr. 2023MÉTODOS: Foram coletados os dados de 234 neonatos admitidos na UTIN do serviço estudado no período de 15 de junho de 2019 até 15 junho de 2020.
RESULTADOS: Os dados apontaram uma prevalência do sexo masculino com peso adequado para idade gestacional, com diagnóstico na admissão principalmente de comorbidades do trato respiratório e prematuridade. Em 57,03% das hemoculturas não houve crescimento bacteriano, e quando houve crescimento, o Staphylococcus coagulase-negativa esteve presente em 20,27%. A taxa de óbito calculada no período foi de 19,74%. Quanto ao perfil materno, 52,36% realizaram seis ou mais consultas de pré-natal, 73,39% tiveram parto cesárea e 32,76% apresentaram diabetes e/ou hipertensão.
CONCLUSÃO: O perfil encontrado neste estudo corrobora a literatura, demonstrando uma alta taxa de óbito e parto cesáreo, com causas possivelmente evitáveis com uma melhor assistência materno-fetal durante o pré-natal, comoavaliado no near miss neonatal. É necessário que ocorram mais estudos em relação ao perfil epidemiológico nas Unidades de Terapia Intensiva neonatais da Região Norte, pois a escassez e a insuficiência de dados epidemiológicos nessa região dificultam o desenvolvimento de ações públicas que visam à melhoria da qualidade na assistência das Unidades de Terapia Intensiva neonatais.
Estilos de vida comportamentais e motivações para adoção do estilo vegetariano entre universitários do Estado de São Paulo, Brasil.
Sofia Maestre; Isabela Mazzeo; Ana Carolina Leme,; Mauro Fisberg,
Resid Pediatr. 2023MÉTODOS: Análise transversal com 692 estudantes de graduação entre 18 e 25 anos. Participantes reportaram as características sócio-demográficas e estilos de vida. Questionário para não-consumidores de carne foi relacionado a aspectos de adesão aos estilos vegetarianos, e classificados em dificuldades, aspectos positivos e negativos da dieta. Dados relacionados à saúde global foram questionados. Analise descritiva e regressões logísticas foram realizadas.
RESULTADOS: Maioria dos participantes era do sexo feminino (79,2%), com idade média de 21,2±0,07 anos. Cerca de 18% dos participantes não consumiam carne, sendo 78,9% desses ovo-lacto-vegetarianos. Consumidores de carne apresentaram maiores probabilidades para praticar menos atividade física (AF) (OR 1,51; 95%IC 1,01, 2,27) e ter menos baixo peso (OR 0,22; 95%IC 0,10, 0,49) ou peso normal (OR 0,48; 95%IC 0,28, 0,84) comparados a não consumidores de carne. Ovo-lacto-vegetarianos apresentavam maiores probabilidades para reduzir itens industrializados (OR 3,69; 95%IC 1,18, 11,56) e estarem menos dispostos para fazer as coisas (OR 0,10; 95%IC 0,01, 0,52) que os veganos.
CONCLUSÃO: Maioria dos participantes são consumidores de carne, e apresentam maiores probabilidades para não praticar AF e apresentarem excesso de peso. Veganos podem estar consumindo mais alimentos industrializados e mais dispostos. Estudos futuros devem ser considerados para generalização dos dados no Brasil e em outros países.