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Cobertura vacinal contra o HPV de familiares adolescentes de mulheres com câncer cervical
Beatriz Moura Vieira; Jurema Telles de Oliveira Lima; Paula Marina Carneiro Santos; Vitor Hugo Alves Marinho; Carla Rameri de Azevedo; Maria Jullia Gonçalves de Mello; Candice Amorim de Araujo
Resid Pediátr. 2023MÉTODO: Estudo prospectivo, corte transversal. Realizado no setor de oncologia de um hospital terciário de referência, utilizando formulário adaptado.
RESULTADOS: Foram coletados dados epidemiológicos de 102 pacientes em tratamento oncológico e 59 familiares com idade entre 9-21 anos. O grau de parentesco entre essas jovens e as pacientes oncológicas em tratamento foi de filha (56%), irmã (3%), sobrinha (22%) e neta (19%). A maior parte dessas meninas (81%) foi instruída a realizar a prevenção contra o HPV, sendo a escola (39%) a principal responsável por fomentar a vacinação. A respeito das razões para não realização da imunização, a falta de informação sobre a vacina foi a mais citada (63%). Ao questionar aos familiares das meninas se vacinariam suas filhas, 17% afirmaram que não e nenhum desses familiares sabia a função da vacina.
CONCLUSÃO: Apesar dos avanços nos programas de vacinação contra o HPV, ainda é presente uma grande desinformação sobre a temática na população, especialmente entre os familiares do público-alvo. A escola foi apontada como protagonista no acesso à informação e pode ser utilizada como meio de acesso à vacina para as jovens e de informação para seus familiares.
Adequação do volume corrente ofertado durante ventilação mecânica invasiva em prematuros
Andrezza Tayonara Lins Melo; Lizandra Eveline da Silva Moura; Nailton Benjamin de Medeiros Junior; Joice Karen Cavalcante de Souza; Maria Julia Ribeiro de Souza Silva; Andrezza de Lemos Bezerra
Resid Pediátr. 2023MÉTODO: Trata-se de um estudo transversal com amostra composta por RNPT com idade gestacional (IG) <37 semanas internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) do Hospital Agamenon Magalhães (HAM). Coletaram-se seis medidas de VT durante 60 segundos e a adequação do VT encontrada foi avaliada através do cálculo do volume corrente ideal (VTi) utilizando a fórmula VTi = 4ml/kg x peso atual.
RESULTADO: A amostra composta por 16 prematuros, 68,7% apresentaram VT inadequado no momento da coleta. RNPT com IG acima de 30 semanas obtiveram um VT estatisticamente maior (VT = 12,27 ± 2,22mL). Quando corrigido para o peso, aqueles com IG <30 tiveram um VT corrigido de 9,34 ± 4,63mL/Kg, não significativo estatisticamente, porém importante do ponto de vista clínico.
CONCLUSÃO: Verificou-se que os RNPT abaixo de 30 semanas foram expostos a VT maiores que a faixa ideal para o peso. Com isso, é possível identificar a importância da monitorização contínua do VT, favorecendo uma melhor assistência ventilatória, minimizando as lesões pulmonares.
Aspectos clínicos e tomográficos de crianças com bronquiectasias não fibrocísticas em um serviço de pneumologia pediátrica
Danilo Santos Guerreiro; Vivianne Calheiros Chaves Gomes; Alexssandra Maia Alves; Claudia de Castro e Silva; Ana Julia Velozo Ribeiro
Resid Pediátr. 2023Impacto da pandemia de COVID-19 em crianças e adolescentes com excesso de peso: influência do confinamento e do fechamento das escolas na obesidade infantil
Maria Gabriela Brunetta Barth; Rosana Bento Radominski,; Adriane de Andre Cardoso Demartini
Resid Pediátr. 2023OBJETIVOS: Verificar o impacto do fechamento das escolas sobre o índice de massa corporal (IMC), os hábitos de vida e a prevalência de obesidade em crianças e adolescentes.
MÉTODOS: Estudo observacional transversal de pacientes com sobrepeso/obesidade acompanhados em um serviço de referência em endocrinologia. Foram avaliados os dados da última consulta antes da pandemia e da primeira consulta realizada durante a pandemia e um questionário foi aplicado.
RESULTADOS: De 50 pacientes (31 meninas) com idade de 11,5±2,4 anos e intervalo entre as consultas de 379,5±79,5 dias, 29 (58%) relataram aumento no número diário de lanches, 76% maior consumo de alimentos ultraprocessados e 54% inalteração na quantidade de alimentos ingeridos. Também foi relatado maior tempo de sedentarismo. Quarenta e cinco pacientes ganharam peso e houve aumento de 19,6% em relação ao peso pré-pandemia, com ganho ponderal de 9,0 kg (-3,6 a 25,5). A mediana do IMC e as variações do escore-z entre as consultas foram de +1,9 kg/m2 (-2,9 a +7,7) e +0,11 (-0,93 a +1,47), respectivamente. A mudança no IMC ajustado para a mediana para sexo e idade foi de +1,65 kg/m2 (-3,60 a +6,90). Houve aumento de 6% na prevalência de obesidade no grupo.
CONCLUSÕES: Definir alterações longitudinais do IMC na faixa etária pediátrica é um desafio. O presente estudo identificou ganho ponderal não saudável, aumento do IMC, aumento do tempo de sedentarismo e explicitou as dificuldades enfrentadas pelas crianças durante a quarentena.
Correlação entre níveis séricos de vitamina D e IMC de crianças e adolescentes atendidos em um ambulatório universitário
Mariana Andrade Lopes Mendonça; Gabriela Corrêa de Souza; Julia Martins Roriz; Natalia Vieira Inácio Calapodopulos; Vírgina Resende Silva Weffort
Resid Pediátr. 2023MÉTODOS: Levantamento dos valores de IMC e níveis séricos de vitamina D de pacientes com idade entre 1 e 16 anos, no período de abril de 2017 a novembro de 2020, atendidos em um hospital universitário.
RESULTADOS: A associação estatística entre classificação de IMC e nível sérico de vitamina D pelo teste exato de Fisher foi p=0,053, valor muito próximo do limite de significância. Dessa forma, foi observada uma correlação limítrofe entre obesidade e hipovitaminose D.
CONCLUSÕES: A relação causal entre excesso de gordura e baixo nível sérico da vitamina D ainda não é bem esclarecida. Questiona-se se os níveis séricos reduzidos da vitamina D funcionam como causa ou consequência, direta ou indireta, do aumento do IMC. Considera-se relevante a triagem rotineira dos níveis dessa vitamina em pacientes com excesso de gordura corporal, devido ao seu papel multissistêmico e multifuncional, além da importante necessidade de suplementação nos pacientes com deficiência da mesma.
Avaliação de tuberculose latente em adolescentes e adultos jovens vivendo com o vírus da imunodeficiência humana em um serviço de referência no Brasil
Fernanda Maia Brustoloni; Fabiana Bononi do Carmo; Aida de Fátima Thomé Barbosa Gouvêa; Regina Célia de Menezes Succi; Daisy Maria Machado
Resid Pediátr. 2023Cuidados de prevenção e seguimento de nascidos prematuros - Ponto de vista do nefrologista pediatra
Michelle Toscan; Samantha Gomes de Freitas Dickel; Vandréa Carla de Souza; Breno Fauth de Araújo
Resid Pediátr. 2023MÉTODOS: Revisão não sistemática da literatura utilizando bases de dados National Library of Medicine, US National Library of Medicine, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde e Scientific Electronic Library Online cobrindo o período de 2010 a 2021. Selecionados artigos em língua inglesa abordando prematuridade, baixo peso de nascimento, crescimento intrauterino restrito e a associação com doença cardiovascular e renal e que propunham estratégias de seguimento. Excluíram-se editoriais, cartas ao editor e artigos não disponíveis na íntegra.
RESULTADOS: A incidência de prematuridade aumentou nas últimas décadas, variando entre 5% e 14%, com consequente elevação das doenças crônicas relacionadas a essa situação. O número incompleto e imaturo de néfrons dos prematuros é decorrente da falta de completude da nefrogênese, que ocorre em torno das 36 semanas de gestação. O déficit de néfrons suscita uma adaptação hemodinâmica para atingir as demandas de excreção urinária. Esse processo pode ser responsável por hipertensão glomerular, hipertrofia dos néfrons remanescentes e consequente injúria renal. Fatores como baixo peso ao nascer, crescimento intrauterino restrito e prematuridade contribuem para aumento global na prevalência de doença renal, hipertensão arterial sistêmica e síndrome metabólica.
CONCLUSÕES: Crianças com histórico de prematuridade, baixo peso e crescimento intrauterino restrito devem ter pressão arterial e função renal monitoradas durante o seguimento pediátrico, com encaminhamento ao nefrologista pediatra quando detectados desvios da normalidade.
Problemática da persistência do canal arterial: um vilão ou uma alteração presente ao acaso?
Marina Mafra Carvalhais; José Mariano Sales Alves Júnior; Eduarda Viana Maia Sutana; Marila Cristina Tessari
Resid Pediátr. 2023MÉTODO: Pesquisa no banco de dados da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais de recém-nascidos da Maternidade Hilda Brandão da Santa Casa de Belo Horizonte/MG, entre 2014-2019. Compreendeu neonatos admitidos na maternidade com peso ao nascer entre 401 e 1500g ou idade gestacional de 22 semanas e 0 dias a 29 semanas e 6 dias.
RESULTADOS: Observou-se que, para todas as complicações, o número absoluto de casos foi consideravelmente maior na presença de PCA. Porém, em nossa amostra, não houve estatisticamente relação causal definida entre os eventos estu-dados (presença de canal arterial patente x complicações).
CONCLUSÃO: É indiscutível a presença de alguma associação entre a persistência do canal arterial às várias doenças e complicações inerentes à prematuridade. Porém, como já sugerido em outras séries de caso, neste presente estudo, não foi estabelecida relação causal entre PCA e as comorbidades estudadas, que podem ser todas (inclusive a patência do canal), apenas desdobramentos mais encontrados em um grupo de prematuros mais graves. A ausência de associação causal nos leva a refletir sobre a condução e abordagem do fecha-mento do canal arterial, optando por condutas menos intervencionistas e mais seletivas.
Completa recuperação pós-covid-19 grave em paciente com mucopolissacaridose tipo 2
Yasmine Gorczevski Pigosso,; Giovanna Zatelli Schreiner; Isabela Sech Emery Cade; Mara Lucia Schmitz Ferreira Santos; Paulo Ramos David João,
Resid Pediátr. 2023RELATO DE CASO: Masculino, 13 anos, portador de MPS-II, é atendido em pronto-atendimento infantil por desconforto respiratório, hipersecretividade de vias aéreas e febre. Ao exame físico, apresentava insaturação em ar ambiente, roncos e estertores grossos difusos em ausculta pulmonar. Exames laboratoriais revelaram: bastonetose, vacuolização citoplasmática em neutrófilos, plaquetopenia, coagulopatia de consumo, nível tóxico de ácido valpróico, acidose respiratória e alcalose metabólica; além de positividade para Covid-19. Radiografia de tórax demonstrou infiltrado peri-hilar com consolidação retrocardíaca. Tomografia computadorizada de tórax evidenciou consolidações peri-hilares e basais bilaterais, além de disseminação endobrônquica bilateralmente. Eletrocardiograma constatou alteração na repolarização ventricular e infradesnivelamento do segmento ST. Assim, foi diagnosticada infecção por Covid-19, com pneumonia bacteriana secundária e repercussões hemodinâmicas e cardíacas, além de intoxicação concomitante por ácido valpróico. O paciente necessitou cuidados de terapia intensiva por 22 dias, suporte de ventilação mecânica por 19 dias, além do uso de drogas vasoativas. Recebeu alta hospitalar após 49 dias, com gastrostomia, traqueostomia e oxigênio domiciliar.
DISCUSSÃO: Portadores de MPS-II tendem a apresentar quadro mais severo e pior prognóstico ao serem infectados por Covid-19. Isso porque existem fatores inerentes à MPS-II que dificultam sua recuperação após infecções pulmonares, como: disfunção pulmonar prévia, macroglossia, hipertrofia das adenoides, hipersecretividade e hipotonia. Tais fatores refletem na longa permanência hospitalar do paciente relatado ao adquirir a Covid-19.
Impactos da pandemia do coronavírus nos fluxos de atendimento do banco de leite humano de um hospital de Porto Alegre/RS
Patricia do Amaral Vasconcellos; Mauricio Obal Colvero; Humberto Holmer Fiori; Claudia Helena Abreu Nunes
Resid Pediátr. 2023RESULTADOS: O número de atendimento em grupo durante a pandemia apresentou uma redução significativa, com uma média de 0,2 atendimento e um desvio-padrão (DP) de ±0,9 em comparação ao período sem a pandemia, que teve uma média de 31,1 atendimentos e com desvio-padrão de (DP) de ±13,6 (p<0,001). Em relação aos volumes de leite coletados, houve uma diminuição significativa durante a pandemia com uma média de 28,9 litros retirados ao mês e um desvio-padrão (DP) de ± 11,9, em relação ao período sem pandemia que apresentou uma média de 59,8 litros ao mês e um desvio-padrão (DP) de ± 29,2 (p<0,001). O número de doadoras mensais diminuiu significativamente durante a pandemia, com uma mediana (P25 -P75) de 16 (10 - 110) em relação ao período sem pandemia, que foi de 158 (131 -201) (p<0,001).
CONCLUSÃO: Durante a pandemia, houve redução significativa de doadoras e consequentemente de volume de leite doado ao banco de leite.