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ISSN (On-line) 2236-6814

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Prevalência de defeitos no desenvolvimento do esmalte em recém-nascidos prematuros de muito baixo peso

Simone Cristina Susin; Michelle Toscan; Vandréa Carla de Souza

Resid Pediátr. 2025
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A prematuridade tem sido identificada como uma das principais causas de defeitos do esmalte desde a década de 1930. Esses defeitos variam de modificações de cor a anomalias dentárias mais graves. Apesar do reconhecimento de longa data dessa correlação, há dados contemporâneos limitados sobre a prevalência de Defeitos do Desenvolvimento do Esmalte (DDE) na dentição decídua de crianças nascidas com muito baixo peso ao nascer (MBP). Este estudo tem como objetivo avaliar a prevalência de DED na dentição decídua de crianças de 12 a 60 meses que nasceram com MBP. Um estudo transversal foi conduzido com 93 crianças acompanhadas em um ambulatório de referência para recém-nascidos prematuros em um centro universitário. Um exame físico intraoral foi realizado por um único examinador usando o Índice de Defeitos do Desenvolvimento do Esmalte Modificado. A prevalência (IC 95%) de DDE foi de 67% (57 a 76), sendo a hipoplasia do esmalte o defeito mais frequente, afetando predominantemente os incisivos superiores. Os resultados deste estudo destacam a prevalência significativa de DED em crianças nascidas com MBPN, ressaltando a necessidade de cuidados odontológicos direcionados e medidas preventivas nesse grupo de alto risco. A identificação e a intervenção precoces são cruciais para mitigar os desafios de saúde bucal a longo prazo enfrentados por essas crianças.
Profilaxia primária de hemorragia digestiva alta varicosa em crianças e adolescentes com hipertensão portal: uma revisão integrativa

Igor Braga Vieira Baião Salgado; Eleonora Druve Tavares Fagundes; Adriana Teixeira Rodrigues; Simone Diniz Carvalho; Lara Floresta Neves Gonçalves; Alexandre Rodrigues Ferreira

Resid Pediátr. 2025
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A hipertensão portal é caracterizada pelo aumento da pressão sanguínea na veia porta e suas ramificações. Estudos recentes mostram que a hemorragia digestiva alta em crianças está associada à morbidade significativa, embora taxas de mortalidade sejam menores que em adultos. Estratégias profiláticas são aplicadas em alguns centros pediátricos, mas não há consenso sobre o melhor acompanhamento para essa população. O objetivo deste trabalho foi a realização de uma revisão integrativa sobre a profilaxia primária da hemorragia digestiva alta varicosa na população pediátrica com hipertensão portal, cirrótica ou não, tanto por meio do uso de betabloqueadores quanto pela realização de procedimentos endoscópicos, como ligadura elástica e a escleroterapia. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura científica nas bases de dados PubMed/Medline. Foram identificados 153 artigos e selecionados 26 para revisão integrativa, após leitura completa, sendo 2 metanálises, 3 ensaios clínicos randomizados e 21 observacionais não controlados. A revisão integrativa destaca as dificuldades e limitações associadas ao uso de betabloqueadores não seletivos em crianças, evidenciando uma considerável frequência de efeitos colaterais, levando à suspensão do medicamento. Estudos comparativos indicam um maior risco de sangramento no grupo utilizando propranolol em comparação com a profilaxia primária endoscópica, apesar das limitações metodológicas. Já os estudos avaliados sobre a profilaxia primária endoscópica indicam que ela possui poucas complicações e demonstra eficácia na erradicação das varizes, embora persista um alto risco de recidiva.
Meningoencefalite bacteriana e suas complicações: relato de 2 casos em pacientes pediátricos

Flávia Yasmine Elias; Letícia Carlota Bonatto; Marina Hideko Kinoshita Assahide; Victor Horácio de Souza Costa Junior

Resid Pediátr. 2025
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A meningite bacteriana constitui-se de uma infecção potencialmente grave e com 100% de letalidade se não tratada. Os principais agentes etiológicos entre 2 meses e 2 anos são o Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis. Este relato apresenta dois lactentes menores de um ano de idade, previamente hígidos, com quadro de meningoencefalite bacteriana atendidos em hospital terciário pediátrico no Paraná, que complicaram com empiema subdural e crises convulsivas. A análise do liquor cefalorraquidiano isolou pneumococo no primeiro e meningococo e Herpesvírus no segundo paciente. Ambos receberam antibioticoterapia de amplo espectro por tempo prolongado e realizaram drenagem cirúrgica com posterior derivação ventricular externa. A efusão subdural está presente em 20% a 39% das crianças com meningite bacteriana, configurando uma das principais complicações a curto prazo dessa infecção. Com frequência aparece associada a crises convulsivas, presentes nos dois pacientes relatados. Atualmente, a melhor forma de prevenção às complicações de curto e longo prazo é através da vacinação.
Um relato de caso de Síndrome de Melkersson-Rosenthal na adolescência

Emerson Faria Borges; Gabriela Favaro Zavan; Larissa Rosa Passos; Bruna Schuster de Oliveira Mercer; Jacqueline Martins Siqueira; Natasja Boszczowski; Anderson Nitsche

Resid Pediátr. 2025
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A Síndrome de Melkersson-Rosenthal (SMR) é caracterizada pela tríade: edema orofacial recorrente, paralisia facial e língua fissurada. Ela é uma desordem rara e pode se manifestar na forma oligossintomática ou monossintomática. No relato atual, apresenta-se uma paciente de 13 anos, com paralisia facial periférica e cefaleia diária desde os 8 anos de idade, principalmente em região temporal e frontal, em masseteres bilaterais e holocraniana, com dor em períodos noturnos sem sinais de alerta. Após o primeiro episódio de paralisia facial, manteve seguimento ambulatorial, com melhora parcial dos movimentos de pálpebras e desvio labial, sendo estabelecido o diagnóstico de Síndrome de Melkersson-Rosenthal devido à presença de paralisia facial periférica persistente, dois episódios de língua plicata e edema orofacial em crises. Ressalta-se a importância de realizar o diagnóstico precoce e o tratamento adequado para a melhora da qualidade de vida e investigação de doença sistêmica subjacente, podendo ou não estar presente.
Síndrome nefrite tubulointersticial e uveíte (TINU) após uso de isotretinoína- relato de caso

Raphael de Freitas Borges; Luciana Meister Dei Ricardi; Clotilde Druck Garcia

Resid Pediátr. 2025
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A síndrome TINU é caracterizada pela presença de nefrite tubulointersticial aguda associada à uveíte. Trata-se de uma síndrome rara e uma condição imunomediada que pode ser desencadeada principalmente por infecções e medicamentos. Os autores relatam o caso de uma adolescente que desenvolveu nefrite tubulointersticial e uveíte após o uso de isotretinoína. O principal objetivo desta descrição é alertar sobre a possibilidade de efeitos adversos renais em pacientes que fazem uso dessa medicação, visando auxiliar no diagnóstico e tratamento precoces no caso de comprometimento renal. A isotretinoína é uma medicação eficaz e segura, mas se destaca a importância da monitorização da função renal com exame sumário de urina e creatinina durante o uso dessa medicação e da valorização de sintomas oftalmológicos se houver.
Situação vacinal de crianças e adolescentes internados nas enfermarias de um hospital universitário pediátrico

Luiza Maria Calvano; Ana Lúcia Ferreira; Bruna Camille Maciel de Oliveira; Carolina Costa Felgueiras; Esther Nepomuceno de Souza Oliveira; Louise do Valle Ribeiro; Victória Regina Santos Oliveira

Resid Pediátr. 2025
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INTRODUÇÃO: O Brasil oferece todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde e foi pioneiro na incorporação de diversas vacinas, mas a alta taxa de cobertura vacinal caiu de forma preocupante.
MÉTODO: Estudo transversal, descritivo, quantitativo. Entrevistados responsáveis por crianças e adolescentes internados nas enfermarias de um hospital universitário pediátrico para identificar a situação do cartão vacinal em relação ao recomendado pelo Ministério da Saúde. Alunos de Medicina aplicaram os questionários e verificaram os cartões de vacina. Perguntas diretas caracterizaram o perfil do paciente e a situação vacinal. Em caso de atraso de vacina(s), foi feita pergunta aberta para identificar o(s) motivo(s).
RESULTADOS: Entrevistados 55 responsáveis, maioria mães (81,8%). Entre os pacientes, predominaram: meninos (58,2%), lactentes (45,5%), hospitalização menor que 1 semana (47,3%) e como motivo de internação, afecções respiratórias (40,0%). Apresentavam outros problemas de saúde 58,1% dos pacientes. Na percepção dos responsáveis, 49,1% tinham atraso vacinal. Entretanto, 74,5% estavam com cartão atrasado, predominando a vacina contra a doença do coronavírus (61%). Como motivos alegados, foram mais frequentes as internações prolongadas ou repetidas (29,2%). Todos os pacientes com internação de 1 mês ou mais tinham vacina(s) atrasada(s).
CONCLUSÃO: Percentual expressivo de pacientes internados apresentaram atraso vacinal, sendo a percepção dos responsáveis bem abaixo do que foi constatado com a verificação dos cartões. Checagem e atualização vacinal precisam ser realizadas durante internação (hospitalizações de longa duração) ou na alta hospitalar (hospitalizações de curta duração).
Apresentação clínica de crianças com suspeita de sífilis congênita em um hospital pediátrico de referência do Sul do Brasil

Isabela Flebbe Strapazzon; Emanuela da Rocha Carvalho,,

Resid Pediátr. 2025
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A sífilis congênita é uma infecção relevante e com desfechos potencialmente graves. A presente pesquisa pretende descrever o quadro clínico, investigação e tratamento realizado em casos suspeitos de sífilis congênita. Trata-se de estudo observacional retrospectivo e descritivo com amostra de pacientes pediátricos com suspeita de sífilis congênita atendidos em um ambulatório de infectologia pediátrica de hospital infantil público referência, em Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, nos anos de 2021 e 2022, com coleta via prontuários, tabulação e análise de dados. Foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisas institucional, não conta com suporte financeiro ou conflitos de interesse. Foram analisados 142 casos. O diagnóstico em 82 (97,62%) dos casos de sífilis congênita foi realizado em período neonatal, com 34 (23,94%) confirmados assintomáticos ao nascimento. Os sinais e sintomas mais comuns ao nascimento foram icterícia e esforço respiratório. À consulta, foram anemia, lesões cutâneas e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, com 56 (66,27%) dos casos de sífilis congênita assintomáticos. Quanto à investigação, testes não treponêmicos foram reagentes em 132 (92,95%) casos, radiografia de ossos longos alterada em 10 (7,04%) e liquor alterado em 25 (17,61%). O tratamento neonatal foi realizado em 78 (92,86%) dos casos de sífilis congênita. A infecção congênita por sífilis apresenta quadro clínico altamente inespecífico, levando à dificuldade diagnóstica e potencial atraso de tratamento. Reforça-se a importância da investigação com testagem de líquido cefalorraquidiano e radiografia de ossos longos, assim como acompanhamento longitudinal, para observação de sintomas, definição de conduta e tratamento oportuno.
In memoriam do Prof. Paulo Camargos

Jose Dirceu Ribeiro; Clemax Couto Sant´Anna

Resid Pediátr. 2025
Casos de Chikungunya por transmissão vertical em um hospital universitário no 1º semestre de 2016

Marcelo Candido de Andrade Leitão; Nívia Maria R. Arrais; Fabiana A. Filgueira; Mylena T. A. L. Bezerra; Anna Christina do N. Granjeiro Barreto; Josélio M. G. de Araújo

Resid Pediátr. 2025
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A transmissão vertical do vírus da Chikungunya tem mecanismo ainda pouco conhecido, vem aumentando cada surto de arboviroses, sendo causa de manifestações clínicas nos recém-nascidos filhos de mães que tiveram a Chikungunya no periparto.
OBJETIVO: relatar cinco casos de transmissão vertical de Chikungunya e descrever suas manifestações clínicas.
MÉTODO: Um estudo descritivo retrospectivo, baseado em análise de prontuários de bebês com manifestações que pudessem ser atribuídas à Chikungunya, cujas mães tiveram suspeita da doença no periparto. Foi realizada a Reação de Transcriptase Reversa, seguida por Reação de Polimerase em Cadeia - PCR-RT para pesquisa de Chikungunya no sangue e líquor dos bebês. Foram pesquisados dez pacientes e constatou-se que cinco com PCR-RT positivo para Chikungunya.
RESULTADOS: O período da manifestação da doença materna variou de dias antes do parto até o dia do nascimento dos bebês. Dois bebês tiveram líquor positivo e um destes apresentou quadro de encefalite; três tiveram PCR-RT positivo no sangue periférico. Todos os bebês eram termo, do sexo masculino. Dois tiveram alguma alteração articular, como eritema/edema e subluxação do quadril. Três tiveram febre. Um teve hiperpigmentação cutânea e convulsão, dois apresentaram irritabilidade. Dois tiveram lesões bolhosas em todo o corpo. Três bebês tiveram trombocitopenia e dois alterações na ultrassonografia transfontanela.
CONCLUSÃO: Ainda há poucos relatos de casos de Chikungunya perinatal no Brasil. É importante que o pediatra fique atento à história materna para suspeitar desse diagnóstico frente aos sintomas inespecíficos no bebê.
Síndrome hemofagocítica como manifestação inicial do lúpus eritematoso sistêmico na infância

Camila de Sá Conceição; Nicolas Pereira de Brito; Isabelle Giacomett de Carvalho Domingos Silva; Tainá Garcia Ferreira Gama; Andresa Tumelero; Bruna Meira Fadel,

Resid Pediátr. 2025
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INTRODUÇÃO: O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica de causa ainda desconhecida. Na infância é uma doença rara e geralmente se apresenta de forma aguda e agressiva. A síndrome hemofagocítica (SHF) ou linfo-histiocitose hemofagocítica (HLH) é uma doença hiperinflamatória grave, também rara e potencialmente fatal.
OBJETIVO: Descrever um caso de LES em escolar de 8 anos, que se apresentou de forma grave, associada à SHF como primomanifestação.
RELATO DE CASO: Paciente de 8 anos com quadro de entrada de febre diária aferida persistente há 20 dias, máxima de 39 ºC, concomitante à diminuição do apetite, prostração, dispneia a moderados esforços. Aos exames laboratoriais apresentava anemia moderada, leucopenia, EAS com proteinúria e hemoglobinúria, com cilindros granulosos e hialinos. Ao exame de ecocardiograma, apresentava cardiomegalia leve e insuficiência mitral e tricúspide. Na evolução do caso, foi avaliado pela nefrologia pediátrica que aventou a hipótese diagnóstica de LES, corroborada após com FAN e anti-DNA positivos, e consumo de complemento C3 e C4. Apresentou hiperferritinemia e hipertrigliceridemia. Devido a sinais e sintomas apresentados, foi aventada a hipótese de síndrome hemofagocítica, confirmada ao mielograma com a presença de hemofagocitose.
CONCLUSÃO: A SHF é uma doença grave, rara quando associada ao LES, potencialmente fatal e de difícil diagnóstico devido às particularidades de suas características pela presença de sintomas similares entre si.
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