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ISSN (On-line) 2236-6814

doi.org/10.25060/residpediatr

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Acrodermatite enteropática: o desafio diagnóstico de uma doença rara manifestada na pele - relato de caso pediátrico

Thamiris Bolzan Moreira; Isabela Guimarães Moreira Sandri

Resid Pediatr. 2026 e1542

INTRODUÇÃO: A Acrodermatite Enteropática é uma doença genética, rara, de herança autossômica e recessiva, que cursa com má absorção do zinco pelo intestino. Em decorrência disso, o paciente apresenta baixos níveis séricos desse elemento, levando à diarreia crônica, alterações na pele e cabelos.
RELATO DE CASO: Paciente feminina, 4 anos, apresentava lesões eritematosas, em placas, bordos bem definidos e crostosos, no dorso de mãos, cotovelos, região interglútea, joelhos, tornozelos e dorso de pés, além de queilite, blefarite, alopecia difusa no couro cabeludo e irritabilidade ao exame clínico. Negava histórico de diarreia crônica. A dosagem de zinco sérico foi de 32,81 (valor de referência = 70–120). A reposição de zinco foi prontamente iniciada, com melhora total das lesões de pele e cabelo.
CONCLUSÃO: Identificar crianças com deficiências nutricionais através das manifestações clínicas e fatores de risco, incluindo doenças genéticas e raras como a Acrodermatite Enteropática, é importante para implementar um tratamento adequado, evitar complicações da doença e proporcionar melhor qualidade de vida.

Progressão da infecção latente para tuberculose doença em adolescentes que interromperam o tratamento preventivo - relato de dois casos

Beatriz Picanço Bezerra de Menezes Costa; Eduarda Raunheitti Giesteira; Eduardo Iatchuk Alves Corrêa de Oliveira Rodrigues; Gabriela Sanchez Carvallo; Victor Lima Dias; Mayara Lopes de Assis; Maria Eduarda Gonandy Araujo; Marina Carvalho de Almeida Leitão; Lucas de Mello Ribeiro; Carmem Lúcia Teixeira de Castro; Christiane Mello Schmidt

Resid Pediatr. 2026 e1549

O relato descreve dois casos de tuberculose (TB) pulmonar em adolescentes que adoeceram após a interrupção do tratamento preventivo da TB. Destacam-se aspectos da avaliação de contato, do diagnóstico e tratamento da infecção latente da TB (ILTB) e da TB pulmonar na adolescência.

Eficácia do nirsevimabe na prevenção de infecções do trato respiratório inferior associadas ao vírus sincicial respiratório: uma revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Isadora Soares Bicalho Garcia; João Vitor Levindo Coelho Novaes; Nivia Brant Lemos; Bárbara Araújo Marques

Resid Pediatr. 2026 e1550

O vírus sincicial respiratório (VSR) representa um importante patógeno com expressivo impacto na saúde respiratória de crianças. Até 2023, o Palivizumabe era o único imunobiológico profilático disponível, restrito a subgrupos de alto risco. Recentemente, o Nirsevimabe surgiu como uma alternativa capaz de contemplar também a população pediátrica saudável. Nesta revisão sistemática, com meta-análise de três ensaios clínicos randomizados envolvendo 9.637 pacientes de diversas regiões do mundo, o Nirsevimabe foi associado a uma redução significativa no risco de infecção do trato respiratório inferior (ITRI) por VSR em comparação ao placebo (RR: 0,26; IC95%: 0,15-0,45; p<0,00001). Além disso, foi observado menor risco de hospitalização por VSR (RR: 0,23; IC95%: 0,12-0,45; p<0,0001) e por qualquer causa (RR: 0,49; IC95%: 0,36-0,66; p<0,00001). Na análise dos eventos adversos, não houve diferenças estatisticamente significativas entre Nirsevimabe e placebo. Esses resultados reforçam o potencial do Nirsevimabe como uma ferramenta eficaz e segura para a prevenção do VSR em lactentes. É essencial considerar aspectos como custo-efetividade, logística de implementação, equidade no acesso e monitoramento contínuo de segurança.

Relato de caso: Leucemia mieloblástica aguda em criança com hipótese diagnóstica inicial de maus-tratos

Maria Júlia Pilau Bornia; Ana Paula Kuczynski Pedro Bom,; Georgia Garofani Nasimoto; Julia Campos de Oliveira Casadei; Maria Fernanda Vicentine Sovierzoski; Maria Isabela Oening

Resid Pediatr. 2026 e1551

A leucemia mieloide aguda (LMA) corresponde a cerca de 15% das leucemias pediátricas e pode apresentar manifestações clínicas semelhantes a sinais de violência, como equimoses e sangramentos, dificultando o diagnóstico precoce. Relata-se o caso de uma criança de 3 anos e 9 meses, previamente hígida, que apresentou equimoses em tronco e membros inferiores por 18 dias, sem histórico de trauma. Foi avaliada duas vezes em serviços de saúde com suspeita de maus-tratos e submetida a exame de corpo de delito, sendo liberada para domicílio. Evoluiu com epistaxe autolimitada, dor abdominal e fadiga, sendo internada e transfundida. No exame físico, havia palidez, equimoses dorsais e em membros, sem linfonodomegalias ou visceromegalias. Os exames laboratoriais evidenciaram citopenias, presença de blastos circulantes e alterações compatíveis com leucemia mieloide aguda promielocítica, confirmada por estudo citogenético e molecular. O paciente foi tratado com ácido transretinoico e trióxido de arsênio por oito meses, apresentando remissão após um mês de terapia, encontrando-se clinicamente estável. O caso ilustra que equimoses sem correlação traumática em crianças devem motivar investigação hematológica imediata.

Diagnóstico molecular da síndrome de Joubert associada a uma rara variante genética no gene TCTN1

Stella Kuchler; Laís Regina Rocha de Carvalho; Felício de Freitas Netto

Resid Pediatr. 2026 e1557

As ciliopatias constituem um grupo heterogêneo de distúrbios genéticos decorrentes de disfunção dos cílios primários. Entre elas, destaca-se a síndrome de Joubert, condição multissistêmica de herança autossômica recessiva, caracterizada por atraso do desenvolvimento, hipotonia e alterações neurológicas, faciais e respiratórias. Relata-se o caso de lactente masculino de 14 meses, segundo filho de pais não consanguíneos, encaminhado para avaliação genética por hipotonia e atraso do desenvolvimento desde o nascimento. Ao exame físico, apresentava microcefalia, apraxia oculomotora, hamartoma lingual, polidactilia pós-axial em mãos e pés e padrão respiratório irregular. A ressonância magnética encefálica evidenciou alterações da fossa posterior compatíveis com o espectro da síndrome de Joubert. A análise molecular identificou, em homozigose, variante patogênica do tipo frameshift no gene TCTN1 (c.1775_1778delTTTG; p.Val592Aspfs*106), resultando em alteração do quadro de leitura e produção de proteína aberrante. O caso reforça a importância da investigação molecular em pacientes com atraso do desenvolvimento e malformações congênitas, permitindo diagnóstico etiológico, aconselhamento genético e melhor planejamento clínico.

Tratamento farmacológico da dismotilidade gastrintestinal no período neonatal: uma revisão crítica

Mário Cícero Falcão; Rebeca Benevides Pinto; Nathalia de Carvalho Baldavira; Juliana Zoboli Del Bigio; Werther Bruno de Carvalho

Resid Pediatr. 2026 e1577

A dismotilidade gastrintestinal em neonatos permanece como um desafio clínico, pois existem poucos estudos com alto grau de evidência, apesar da alta prevalência do quadro clínico. Essa dismotilidade é uma condição clínica complexa, que envolve imaturidade neuromuscular do trato digestório, principalmente em nascimentos prematuros, impossibilidade de suporte nutricional enteral, comorbidades e utilização de sedoanalgesia, principalmente com opioides. A intolerância alimentar exige que medidas sejam tomadas para reverter essa situação clínica. Este artigo de revisão tem como objetivo mostrar as evidências atuais sobre a abordagem terapêutica na dismotilidade gastrintestinal do recém-nascido, incluindo uso de procinéticos, antagonistas dopaminérgicos e motilinérgicos, considerando aspectos de segurança e eficácia. A revisão evidencia que, embora alguns fármacos mostrem efeito promissor, como, por exemplo, a eritromicina, as evidências no período neonatal permanecem limitadas em termos de ensaios randomizados e seguimento em longo prazo, além de não existirem diretrizes para dismotilidade gastrintestinal para recém-nascidos.

Diagnóstico precoce da Síndrome de Klinefelter

Erlane Marques Ribeiro,; Maria Denise Andrade de Carvalho,

Resid Pediatr. 2026 e1604

Trata-se de uma carta ao editor sobre o artigo “Diagnóstico precoce de Síndrome de Klinefelter: um relato de caso” em que desejamos pontuar algumas questões como o diagnóstico incidental da S. Klinefelter, a necessidade de aconselhamento genético, a possibilidade da coocorrência de duas doenças genéticas em um só paciente.

Vale a pena ler!

Márcia Cortez Bellotti de Oliveira

Resid Pediatr. 2026 e1714

O presente material trata de uma resenha sobre o livro da Dra. Sanders intitulado “Todo paciente tem uma história para contar: mistérios e aventuras da arte do diagnóstico”.

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