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ISSN (On-line) 2236-6814

doi.org/10.25060/residpediatr

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Volume 16 - Número 2

Edição em construção

ABR/JUN - 2026
Editorial
Artigo de Revisão
Percentual de aleitamento materno exclusivo em hospital de referência da Serra Gaúcha

Angela Rech Cagol; Gabriela Belitski; Suelen Menegotto; Eduarda Cagol; Eunice Goulart

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-10

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1492

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OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi quantificar a taxa de aleitamento exclusivo (AME) por pelo menos seis meses após a alta hospitalar de recém-nascidos (RN).
MÉTODOS: Foi um estudo de coorte prospectivo. A amostra foi descrita a partir de medidas-resumo como médias e desvios-padrão ou medianas e quartis, valores mínimos e máximos para as variáveis quantitativas, e pelas frequências absolutas e relativas para as variáveis qualitativas.
RESULTADOS: Analisaram-se 357 pacientes, sendo 113 excluídos por não terem informações disponíveis sobre a amamentação. A idade média foi de 30,2 anos, escolaridade predominante foi o ensino médio (42,4%); a maioria não tinha plano de saúde (64,4%) e 63% das pacientes realizaram cesariana. Usar fórmula em gestações prévias esteve associado a manter a fórmula na gestação atual (p 0,004). Na amostra analisada, 92% das mães amamentaram na primeira hora de vida e introduzir fórmula no hospital levou ao menor índice de AME (p 0,179). Após a alta hospitalar, o tempo médio de AME foi de 150 dias (51,9%), sendo que o período de introdução da fórmula foi entre 90 e 150 dias (34,3%).
CONCLUSÃO: Os autores concluem, portanto, que amamentar na primeira hora de vida e sustentar essa amamentação até a alta do RN colocam esse hospital num patamar diferenciado e garantem boas práticas hospitalares de AME.

Palavras-chave: Aleitamento materno; Fatores socioeconômicos; Fatores de risco
Artigo Original
Parâmetros antropométricos, metabólicos e os níveis séricos de fenilalanina em pacientes com fenilcetonúria: um estudo de coorte

Hugo Raphael Resende Cruz; Luana Teles de Resende; Jeverton de Santana Santos; Fábio Augusto de Morais Prado Santos; Osmar Mendes Peixoto Filho; Adriana Barbosa de Lima Fonseca

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-7

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1215

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OBJETIVO: Investigar os parâmetros antropométricos, metabólicos e os níveis séricos de fenilalanina em pacientes com fenilcetonúria.
MÉTODO: Estudo de coorte, em um serviço público de saúde de nível secundário. Foram incluídos todos os pacientes com fenilcetonúria, entre 4 e 21 anos de idade, acompanhados no serviço entre janeiro de 2017 e janeiro de 2020. Foram excluídos pacientes com diagnóstico tardio de fenilcetonúria, doenças osteometabólicas crônicas, doença renal crônica prévia ou uso de medicamentos com interferência laboratorial. Foram analisadas as medidas antropométricas e exames laboratoriais. Os dados foram coletados através dos prontuários e analisados por meio de medidas descritivas e análises comparativas.
RESULTADOS: Dos 20 pacientes da amostra, 15 (75%) são do sexo masculino e 5 (25%) do feminino. A idade média obtida foi de 13,26 anos (DP ± 3,98), com peso, altura e IMC médios de 33,76kg (DP ± 14,55, 125cm (DP ± 20,48) e 16,71kg/m2 (DP ± 3,56), respectivamente. A média da altura entre os sexos masculino e feminino apresentou variação, sendo de 125,9cm (DP ± 20,48) e 122,3cm (DP ± 22,61), nesta ordem. A análise laboratorial demonstrou alterações nos níveis de HDL, com média de 27,75mg/dL (DP ± 11,84). Houve mau controle dos níveis séricos de fenilalanina com média de 11,5mg/dL (DP ± 3,68).
CONCLUSÕES: Os resultados apontam para a necessidade de uma abordagem mais abrangente, que englobe aspectos como monitoramento contínuo dos níveis de fenilalanina, adesão rigorosa à dieta restritiva e acompanhamento multidisciplinar.

Palavras-chave: Fenilalanina; Antropometria; Metabolismo; Estado nutricional.
Perfil clínico e laboratorial da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) em crianças hospitalizadas em um hospital público

Taiane Cechin; Simone Bonatto; Fernanda dos Santos Biazus; Luana Castro Fauth; Laura Bozzetti Sühnel; Ana Paula Agostini,

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-7

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1469

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OBJETIVO: Avaliar a prevalência da síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica nos pacientes internados em um hospital público universitário.
MÉTODO: Estudo transversal realizado por meio de uma análise dos dados documentados em prontuários de pacientes pediátricos internados em um hospital público devido à COVID-19 no período de julho/2021 a maio/2023. Foram incluídos no estudo pacientes com idade entre 0 e 12 anos e 11 meses e de ambos os sexos. Foram considerados SIM-P os casos que se enquadraram nos seguintes critérios: febre ≥38 °C por ≥3 dias, associada a dois dos critérios estabelecidos pela sociedade brasileira de pediatria. As variáveis numéricas foram descritas como média e desvio-padrão e as variáveis categóricas em percentuais. Na análise bivariada, utilizou-se o Qui-quadrado e o Teste de Fisher para as variáveis categóricas e o teste de Mann-Whitney para as variáveis numéricas. Foram consideradas estatisticamente significativas as associações com valor de p<0,05.
RESULTADOS: A amostra geral foi constituída por 45 pacientes, com infecção aguda pelo coronavírus, sendo que a idade média foi de 2,4±2,5 anos. A prevalência da SIM-P foi de 31,1% (IC95%: 19,5–45,6). Desses 14 pacientes, 57,2% tinham idade entre 1 e 5 anos, 85,8% não apresentavam comorbidades e 64,3% eram meninos. As manifestações cutâneas (p=0,033), alteração de marcadores inflamatórios (p<0,001) e a anemia (p=0,013) foram mais prevalentes no grupo SIM-P.
CONCLUSÃO: A prevalência da SIM-P relacionada à infecção aguda por COVID-19 foi de 31,1% (IC95%: 19,5–45,6). Esses pacientes apresentaram maior prevalência de anemia, manifestações mucocutâneas e alterações de marcadores inflamatórios.

Palavras-chave: COVID-19; Anemia; Proteína C-reativa; Síndrome de resposta inflamatória sistêmica; Criança
Um estudo transversal sobre perfil do tempo de tela na primeira infância

Aline Iorio Martins; Ana Carolina Stanzani; Beatriz Delvelan Ramos; Inês Maria Crespo Gutierres Pardo Alexandre

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-6

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1475

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INTRODUÇÃO:  Novos dispositivos estão cada vez mais presentes no cotidiano infantil. A exposição excessiva e precoce pode causar prejuízos ao desenvolvimento neuropsicomotor, tornando essencial compreender os padrões de uso para orientar intervenções preventivas.
MÉTODOS: Estudo transversal, amostra selecionada por conveniência, avalia o perfil de uso de dispositivos multimídia mediante entrevistas com 200 responsáveis por crianças de 0 a 6 anos, após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Avaliação foi realizada com aplicação de um questionário previamente testado. Para análise estatística, utilizou-se programa SPSS, teste qui-quadrado para variáveis qualitativas e teste de Mann-Whitney para variáveis quantitativas, com significância definida em p<0,05.
RESULTADOS: A média de idade das crianças foi de 32,09 ± 22,32 meses. Todas as crianças utilizam dispositivos multimídia e a média de uso foi de 128 minutos por dia, incompatível com o recomendado por referências pediátricas. Quanto aos pais, 59% negaram ter conhecimento sobre o tema e apenas 18,5% afirmaram que os riscos da exposição às telas foram abordados pelo seu pediatra. Houve associação significativa entre idade e uso de telas, de modo que idade menor significa menos uso de telas (p<0,01). Não há correlação significativa entre classe socioeconômica e orientação pediátrica.
CONCLUSÕES: Há um padrão de uso excessivo de telas na primeira infância. O estudo demonstra falha na orientação pediátrica sobre o assunto, reforçando atuação do pediatra na orientação das famílias, promovendo uso consciente da tecnologia e prevenindo prejuízos ao bem-estar físico, emocional e cognitivo da criança.

Palavras-chave: Criança; Desenvolvimento infantil; Tempo de tela
Avaliação do uso de terapêuticas não indicadas para o tratamento de bronquiolite viral aguda em um hospital secundário no estado do Ceará: estamos cometendo excessos?

Isabela Perini Teixeira; Angelica Gomes Belchior; Melyssa Cavalcante Santana; Caio César Otôni Espíndola Rocha

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-6

DOI: 10.25060/residpediatr-2026.v16n2-1480

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INTRODUÇÃO: A bronquiolite viral aguda (BVA) é uma infecção respiratória comum em lactentes, cujo tratamento recomendado se baseia em medidas de suporte. No entanto, a prescrição de terapias não indicadas ainda é frequente na prática clínica.
OBJETIVO: Avaliar a frequência de uso de terapêuticas não recomendadas no manejo da BVA em um hospital secundário no Ceará.
MÉTODOS: Estudo observacional, transversal e retrospectivo, realizado por meio da análise de prontuários de crianças menores de 24 meses internadas com diagnóstico de BVA entre janeiro e julho de 2023. Foram coletados dados demográficos, clínicos e terapêuticos.
RESULTADOS: Foram incluídas 172 crianças, com média de idade de 5,7 meses. A nebulização com broncodilatadores foi realizada em 97,7% dos casos, com tempo médio de 6,8 dias. A corticoterapia foi prescrita em 48,3% dos pacientes, e a antibioticoterapia, em 82,6%, com tempo médio de 4,8 dias. A azitromicina foi o antibiótico mais utilizado. Observou-se também uso de solução salina hipertônica (33,1%) e outros fármacos sem comprovação de benefício.
CONCLUSÃO: O estudo evidenciou uso elevado de terapias não recomendadas no tratamento da BVA, em discordância com as diretrizes atuais. Esses achados reforçam a necessidade de implementação de protocolos clínicos baseados em evidências e de estratégias educacionais que promovam o uso racional de medicamentos, visando à maior segurança do paciente e eficiência na utilização de recursos em saúde.

Palavras-chave: Bronquiolite; Lactente; Tratamento Farmacológico
Explorando o conhecimento sobre amamentação: um estudo na maternidade da Santa Casa de Belo Horizonte

Luiza Marques Grossi; Mariele Vilela Rios; José Mariano Sales Alves Júnior

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-5

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1485

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INTRODUÇÃO: A amamentação é crucial para a saúde materno-infantil, influenciando desenvolvimento e bem-estar, com benefícios à saúde pública.
OBJETIVO: Avaliar o conhecimento materno sobre amamentação, funções e repercussões.
MÉTODOS: Estudo transversal, quantitativo e descritivo, baseado no conhecimento de mulheres sobre amamentação na Maternidade Hilda Brandão, Santa Casa de Belo Horizonte, através de questionários. O estudo não apresenta financiamento ou conflitos de interesse.
RESULTADOS: A amostra majoritariamente possuía ensino médio completo e renda de até dois salários mínimos. A maioria realizou pré-natal de risco habitual com mais de dez consultas, foi amamentada na infância e já havia amamentado. O principal apoio veio do meio social, e o conhecimento sobre o tema foi considerado razoável, adquirido principalmente por profissionais de saúde. A maioria não acreditava em “leite fraco”. A amamentação foi vista como benéfica, auxiliando na perda de peso e prevenção de câncer; apesar disso, algumas mulheres acreditavam estar relacionada com a flacidez mamária. A maioria acreditava em técnica de amamentação, com dificuldade em identificar a pega correta em imagem real.
CONCLUSÃO: A relevância do debate é justificada pela manifestação de interesse e preocupação com o tema por parte da maioria das mulheres, apesar das desinformações.

Palavras-chave: Aleitamento materno; Orientação; Leite humano; Educação em saúde
Relato de Caso
Displasia septo-óptica: relato de caso de lactente com diagnóstico precoce

Anna Jamylle Dias Borges Leal; Rebeca Mont’Alverne Barreto de Paula Pessoa; Lorenna Costa Leal; Carlos Henrique Paiva Grangeiro

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-4

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1360

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INTRODUÇÃO: A displasia septo-óptica (DSO) é uma doença rara com incidência estimada em 1 a cada 10.000 nascidos vivos, caracterizada por defeitos da linha média, como agenesia do corpo caloso e/ou septo pelúcido, hipoplasia do nervo óptico e anormalidades hormonais pituitárias. Sua etiologia ainda não é completamente compreendida, mas acredita-se que fatores genéticos e ambientais desempenhem um papel crucial no desenvolvimento da condição. Apesar dos avanços na compreensão dessa patologia, muitas questões sobre sua patogênese e manejo clínico permanecem desconhecidas.
OBJETIVO: Relatar um caso de DSO diagnosticada no período neonatal em Hospital Universitário de Fortaleza (Ceará).
RELATO DE CASO: Este relato de caso descreve um lactente diagnosticado com displasia septo-óptica no período neonatal, destacando aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos.
DISCUSSÃO: A DSO pode se apresentar ao nascimento com manifestações clínicas variáveis. Este caso ilustra a complexidade do diagnóstico e manejo da DSO, uma condição que requer abordagem multidisciplinar e acompanhamento contínuo.

Palavras-chave: Displasia septo-óptica; Septo pelúcido; Hipoplasia do nervo óptico
Enurese secundária e doença renal crônica em adolescente com medula ancorada: relato de caso

Thaís Baylão Trevisan; Paula Garcez Oliveira Hazan da Fonseca; Maria Anna Brandão; Eliane Maria Garcez Oliveira da Fonseca,

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-5

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1458

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OBJETIVO: Descrever um caso clínico de uma adolescente com diagnóstico tardio de disrafismo espinhal oculto, destacando as manifestações clínicas que levaram à suspeita, confirmação do diagnóstico e complicações.
RELATO DE CASO: Adolescente com história de enurese e infecções urinárias de repetição iniciadas aos 10 anos de idade. Nega sintomas urinários anteriores. Aos 11 anos foi internada devido à pielonefrite e insuficiência renal. Ao exame físico apresentava desvio do sulco interglúteo e dedos em garra. A ultrassonografia de rins e vias urinárias mostrou uretero-hidronefrose, a uretrocistografia miccional refluxo vesicoureteral bilateral grau V, avaliação urodinâmica com hiperatividade detrusora e dissinergia vesicoesfincteriana, e a ressonância magnética de coluna evidenciou lipomielomeningocele.
COMENTÁRIOS: O disrafismo oculto é uma malformação congênita da medula espinhal recoberta por pele íntegra. Na medula ancorada, há perda da mobilidade da medula espinhal e, com o crescimento, há o estiramento desta e aparecimento dos sintomas urológicos, intestinais e de membros inferiores caracterizando a síndrome da medula ancorada. O diagnóstico da medula ancorada no início da vida é fundamental para a boa evolução e prevenção de complicações muitas vezes irreversíveis. Entretanto, nesta fase, o seu diagnóstico pode ser um desafio, sendo necessário estar atento para a presença de estigmas neurocutâneos na região lombossacra, simetria do sulco interglúteo e membros inferiores.

Palavras-chave: Disrafismo espinal; Defeitos do tubo neural; Insuficiência renal crônica; Enurese
Febre Chikungunya e Síndrome de Guillain-Barré em adolescente: um relato de caso

Pâmela Bertollo Ferreira; Renata Pagliari de Oliveira; Ítalo de Oliveira Moreira; Cássia Sousa Ferreira; Nara Moraes Guimarães; Cristina Ortiz Sobrinho Valete,

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-4

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1470

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A Febre Chikungunya (FCK) é uma arbovirose causada pelo vírus Chikungunya geralmente autolimitada e com boa evolução. Entretanto, em alguns casos, pode evoluir com complicações. Dentre elas, destaca-se a Síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma condição imunológica que pode ser desencadeada por um quadro infeccioso e constitui uma das causas de morbimortalidade na infância. Este relato de caso descreve a evolução de um caso de Síndrome de Guillain-Barré associado à infecção pelo vírus Chikungunya (IgM positivo), numa adolescente apresentando quadro de febre, artralgia com piora progressiva em três semanas, evoluindo com fraqueza muscular ascendente, hiporreflexia e parestesia em membros superiores. Foram realizados exames laboratoriais de sangue, liquor e de imagem (tomografia computadorizada de crânio, ultrassonografia de quadril) e a eletroneuromiografia, que evidenciou padrão de neuropatia axonal motora aguda (AMAN), corroborando o diagnóstico de SGB. Após o tratamento com Imunoglobulina Humana endovenosa durante cinco dias, além de analgesia que incluiu o uso de gabapentina e fisioterapia motora intensiva, houve retorno parcial dos déficits apresentados. Assim, este relato chama atenção para a possibilidade de associação entre a SGB e a FCK e a importância do diagnóstico tanto para controle epidemiológico como para o tratamento o mais precoce possível, visando a reduzir a morbimortalidade.

Palavras-chave: Febre de <i>Chikungunya</i>; Síndrome de Guillain-Barré; Infecções por arbovírus; Pediatria; Relato de casos
Granulomatose com poliangiite mimetizando infecção fúngica: um relato de caso

Alice Leite Mesquita; Marne Rodrigues Pereira Almeida; Caroline Graça de Paiva; Sarah Polyane Silva Veloso; Alanna Ferreira Alves; Silvana Augusta Jacarandá de Faria

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-5

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1472

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A granulomatose com poliangiite (GPA) é a principal vasculite associada ao anticorpo anticitoplasma de neutrófilos (ANCA), em que 12,4% dos pacientes manifestam a doença antes dos 18 anos. Este trabalho descreve o caso de uma adolescente do sexo feminino com nódulos pulmonares e subcutâneo inicialmente atribuídos à infecção por fungo Fusarium spp. isolado em cultura de lavado brônquico. Após ampla investigação, foram identificadas outras lesões orgânicas (vias áreas superiores, renais, brônquicas), bem como anticorpo ANCA que corroboraram o diagnóstico de vasculite sistêmica pelos critérios EULAR/PRINTO/PRES 2010. Este relato de caso destaca a importância da suspeição do diagnóstico de vasculites em pacientes pediátricos que se manifestem com inflamação sistêmica e comprometimento multiorgânico de causa indeterminada.

Palavras-chave: Granulomatose com poliangiite; Fusariose; Anticorpos anticitoplasma de neutrófilos; Relato de caso
Disfagia lusória por artéria subclávia aberrante em paciente de 6 anos de idade: relato de caso

Cauê Fedrigo Loyola Batista; Fernanda Carolina Ribeiro Godoy; Rafael Forti Maschietto; Ricardo Antônio Bertachi Uvo; Marina Possenti Frizzarin; Isabella Carrapato Assis; Natália Estorino da Costa

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-3

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1476

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A disfagia lusória é uma condição congênita rara causada pela compressão extrínseca do esôfago por uma artéria subclávia direita aberrante (ASDA), variação anatômica presente em até 1,8% da população. A ASDA origina-se abaixo da artéria subclávia esquerda e segue para a direita, cruzando posteriormente o esôfago em até 80% dos casos. Embora a maioria dos pacientes seja assintomática, sintomas podem ocorrer em até 33% dos casos, mais comumente na faixa etária adulta e pouco frequente em crianças. Na idade pediátrica, a identificação precoce é fundamental para prevenir complicações como dificuldades no ganho de peso, doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e pneumonias aspirativas. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, como esofagograma, tomografia e ressonância magnética. No caso descrito, paciente de 6 anos de idade foi diagnosticada com disfagia após apresentar dificuldade para deglutir alimentos sólidos e um episódio importante de engasgo. Exames mostraram DRGE e compressão esofágica causada por ASDA. O manejo da disfagia lusória pode ser conservador ou exigir cirurgia, dependendo da gravidade dos sintomas. No caso em questão, o tratamento inicial foi conservador, optando-se pela introdução de medicação para controle da DRGE e uso de pró-cinéticos, resultando em melhoria completa dos sintomas após três meses de acompanhamento.

Palavras-chave: Transtornos de deglutição; Anormalidades congênitas; Artéria subclávia
Imunodeficiência combinada grave - É importante conhecer para diagnosticar

Giuliane Colnago Demoner; Paula Fontes Lelis; Joseane Chiabai

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-4

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1477

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As imunodeficiências combinadas graves (SCID - severe combined immunodeficiency) compreendem um grupo de doenças que se caracterizam pela diferenciação prejudicada dos linfócitos T. Tanto a imunidade celular quanto a imunidade humoral são afetadas, ocasionando um comprometimento grave na resposta imunológica. Os pacientes em geral são saudáveis ao nascimento, no entanto desenvolvem infecções bacterianas, virais ou fúngicas nos primeiros meses de vida, e, sem o diagnóstico e o tratamento adequados, as crianças com SCID evoluem para o óbito nos dois primeiros anos de vida. Relatamos o caso de um lactente de 6 meses que, apesar da história familiar de SCID, só foi encaminhado para avaliação e confirmação diagnóstica após um quadro pulmonar de tuberculose, por provável disseminação da micobactéria atenuada da vacina BCG. A investigação laboratorial revelou o diagnóstico de SCID T-B+NK- devido à mutação no gene que codifica a cadeia gama comum do receptor de interleucina 2 (IL-2). O paciente foi submetido a transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH), com excelente evolução.

Palavras-chave: Imunodeficiência combinada severa; Doenças da imunodeficiência primária; Triagem neonatal; Saúde da criança
Tuberculose pulmonar bacilífera em adolescente: um relato de caso

Fernanda Hostim Rabello Ohira; Marina Luise Dorow Persch; Paula Hardt; Marina Padulla Okimura; Thais Isabel da Silva Ribeiro; Jennifer Lana da Silva

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-4

DOI: 10.25060/residpediatr-2026.v16n2-1479

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INTRODUÇÃO:  A tuberculose (TB) é uma infecção causada pelo Mycobacterium tuberculosis, com predomínio de manifestações pulmonares. Em crianças e adolescentes, a baixa sensibilidade dos métodos diagnósticos e a dificuldade de identificação da doença contribuem para a subnotificação. Entre adolescentes, é comum o abandono e a não adesão ao tratamento, o que aumenta o risco de desfechos negativos. Assim, é essencial o reconhecimento e manejo precoce da doença nessa população.
OBJETIVO: Relatar um caso de TB pulmonar bacilífera em adolescente.
RELATO DE CASO: Paciente masculino, 13 anos, asmático, com febre persistente, tosse seca e perda de peso há dois meses, sem resposta à antibioticoterapia. A radiografia de tórax mostrou condensação em lobo inferior direito. Internado por piora clínica, foi encaminhado ao CEDAP após TC sugestiva de TB. A baciloscopia hospitalar foi inconclusiva, mas a ambulatorial foi positiva para BAAR. O escore clínico do Ministério da Saúde pontuou 35, reforçando o diagnóstico. Iniciou-se esquema RHZE com evolução favorável, negativação da baciloscopia em dois meses e melhora clínica.
CONCLUSÃO: A TB em adolescentes permanece subdiagnosticada, com risco aumentado de complicações. O caso reforça a importância da suspeição clínica e do início precoce do tratamento. É fundamental capacitar as equipes de saúde, principalmente na atenção primária, e valorizar quadros respiratórios persistentes. A abordagem da TB nessa faixa etária deve ser multidimensional, com vigilância ativa e tratamento supervisionado para interromper a cadeia de transmissão e melhorar os desfechos.

Palavras-chave: Tuberculose pulmonar; Adolescente; <i>Mycobacterium tuberculosis</i>; Diagnóstico
Tuberculose osteoarticular em criança imunocompetente: um relato de caso

Lis de Souza Martinelli; Isabela Flebbe Strapazzon; Sofia de Miranda Caçote; Isadora Durieux Lopes Destri; Guido Tasca Petroski; Franciso de Souza Santos; Carolina Resende Markiewicz Pastre; Emanuela da Rocha Carvalho,

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-5

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1485

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INTRODUÇÃO: A tuberculose (TB) é um importante problema de saúde pública no Brasil, sendo classificada atualmente como a principal causa de morte por agente infeccioso no mundo. Em crianças e adolescentes, a doença apresenta desafios diagnósticos, especialmente nas formas extrapulmonares. A TB óssea, embora rara, apresenta clínica inespecífica e, frequentemente, afeta a coluna e grandes articulações.
OBJETIVOS: Descrever o caso de paciente imunocompetente com TB osteoarticular, assim como suas intercorrências e o seu desfecho.
RELATO DE CASO: Este relato descreve o caso de uma paciente de quatro anos e quatro meses, com quadro de monoartrite por Mycobacterium tuberculosis em joelho direito de evolução insidiosa, sem sintomas extra-articulares, e sem história de contato prévio com TB. À ressonância magnética, apresentou lesão sugestiva de osteomielite femoral distal, associada à linfonodomegalia poplítea. A paciente recebeu antibioticoterapia para germes comuns e abordagem cirúrgica da articulação, sem resposta clínica. A cultura e pesquisa de bacilo álcool-ácido resistente (BAAR) foram negativas e a confirmação do diagnóstico etiológico foi feita através da identificação do complexo M. tuberculosis no teste rápido molecular. O tratamento foi realizado com fármacos antituberculose, o que resultou em evolução clínica e radiográfica satisfatórias, levando à cura da paciente.
CONCLUSÃO: O caso expõe a TB osteoarticular como diagnóstico diferencial necessário e desafiador durante a condução de casos de artrite na população pediátrica, sendo o domínio dos métodos diagnósticos essencial para orientar a investigação adequada.

Palavras-chave: Criança; Artrite; Joelho; Tuberculose
Relato de caso: Torção esplênica em criança

Pedro José Prá; Larissa Lucas Scremin; Willian Sangalli; Letícia Lorenzon; Franco Augusto Alberti

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-3

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1487

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Relato de caso de uma criança de 3 anos, submetida à laparotomia de urgência por torção esplênica. Essa condição rara ocorre por defeito nos ligamentos que fixam o baço e pode levar à isquemia do órgão. Os sintomas são característicos de abdome agudo, como dor abdominal intensa, náusea e distensão. Os achados de imagem são fundamentais para o diagnóstico da patologia. Na tomografia, é possível observar principalmente o aumento do órgão, enquanto, no Doppler, é visível o ingurgitamento vascular, caso haja isquemia do órgão. O prognóstico pós-operatório geralmente é favorável se for realizado diagnóstico precoce e intervenção cirúrgica urgente, em casos de isquemia realiza-se esplenectomia e, quando o órgão não está infartado, a esplenopexia pode ser considerada. No caso descrito, o baço do paciente foi preservado devido à intervenção cirúrgica, porém, ao longo de dois anos em acompanhamento ambulatorial, foi diagnosticada asplenia funcional.

Palavras-chave: Baço; Abdome agudo; Criança
Cirurgia de Kasai em paciente com síndrome de Rubinstein-Taybi: relato de um caso

Ana Luisa Zambelli Mesquita de Oliveira; Melina Silva Bellodi; Maria Angela Bellomo Brandão; Adriana Maria Alves de Tommaso; Gabriel Hessel; Roberta Vacari de Alcântara

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-4

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1488

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A síndrome de Rubinstein-Taybi é uma doença genética rara, descrita inicialmente em 1963. Suas características mais marcantes incluem dismorfismos faciais, esqueléticos, anormalidades neurológico-comportamentais e dermatológicas, além de predisposição a neoplasias, podendo ainda acometer diversos outros órgãos e sistemas. Neste relato, apresentamos o primeiro caso de um paciente com síndrome de Rubinstein-Taybi submetido à portoenterostomia de Kasai por atresia de vias biliares. A associação de ambas as condições clínicas foi descrita anteriormente na literatura apenas uma vez, mas sem menção ao tratamento cirúrgico ou evolução do quadro.

Palavras-chave: Síndrome de Rubinstein-Taybi; Atresia biliar; Anormalidades do sistema digestório; Deformidades congênitas dos membros; Continuidade da assistência ao paciente
Manejo conservador de aplasia cútis congênita com exposição meníngea: relato de caso com tratamento tópico à base de ácidos graxos essenciais, copaíba e melaleuca

Iohana Falcão Rebouças Assayag; Ana Rosana Alencar Guedes Mont’alverne; Fernando Antônio Barbosa Benevides

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-4

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1489

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INTRODUÇÃO: Aplasia Cútis Congênita (ACC) é uma condição neonatal rara, caracterizada pela ausência congênita da pele, geralmente envolvendo o couro cabeludo. Quando há lesões extensas e exposição meníngea, o risco de complicações — sobretudo infecções e hemorragias — aumenta significativamente. As abordagens de tratamento variam desde medidas tópicas até procedimentos cirúrgicos.
RELATO DE CASO: Descreve-se a experiência de um caso envolvendo um neonato com ACC, apresentando grande área de couro cabeludo sem pele e exposição parcial da dura-máter. A paciente desenvolveu sepse neonatal, conduzida com múltiplos esquemas de antibióticos. Optou-se por um manejo conservador de feridas, empregando gazes embebidas em ácidos graxos essenciais, óleo de copaíba e óleo de melaleuca, cujas propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas são descritas na literatura. Esta estratégia não invasiva teve como objetivo minimizar riscos cirúrgicos e favorecer a estabilização da lesão. Observou-se melhora clínica progressiva, com cobertura gradativa da área exposta por tecido de granulação.
CONCLUSÕES: Nesta experiência isolada, o uso tópico de ácidos graxos essenciais, óleo de copaíba e óleo de melaleuca associou-se ao controle local de infecção e à regeneração tecidual, sem necessidade de intervenção cirúrgica imediata. Embora promissora, esta abordagem requer investigação adicional, com possíveis estudos multicêntricos ou séries de casos para validar segurança, eficácia e desfechos de longo prazo. Ressalta-se a importância da individualização da conduta e do monitoramento rigoroso em neonatos com essa condição rara.

Palavras-chave: Anormalidades congênitas; Ácidos graxos essenciais; Recém-nascido
Desnutrição grave na infância: diferentes etiologias, um mesmo desafio clínico

Resid Pediatr. 2026;16(2):1-4

DOI: 10.25060/residpediatr-2026-1493

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OBJETIVO: Descrever três casos de pacientes acometidos por desnutrição proteico-calórica grave com etiologias distintas.
RELATO DE CASO: Os casos apresentam desnutrição grave, porém com etiologias e tratamentos distintos. A primeira paciente, 1 ano e 8 meses, foi admitida com desnutrição grave, vômitos, desidratação e anemia severa, necessitando UTI, antibioticoterapia, suplementação vitamínica e fórmula de aminoácidos; apesar de colite pseudomembranosa tratada com metronidazol e vancomicina, evoluiu com recuperação nutricional e motora. O segundo paciente, 10 meses, inicialmente internado por gastroenterite com diarreia sanguinolenta, evoluiu com acidemia e hipogamaglobulinemia, sendo diagnosticado com SCID (TREC indetectável); recebeu fórmula de aminoácidos, antibióticos, imunoglobulina intravenosa e suporte nutricional intensivo, com expressiva melhora clínica. O terceiro, 5 anos, hígido prévio, apresentou hematêmese, febre e pancitopenia, necessitando UTI para manejo da síndrome hemofagocítica por CMV; tratado com imunoglobulina, corticoterapia, ganciclovir e suporte nutricional, apresentou melhora progressiva, tolerância alimentar e ganho ponderal.
DISCUSSÃO: A desnutrição grave na infância é um problema de saúde pública com impacto significativo no desenvolvimento físico e cognitivo. Diferentes etiologias podem levar a esse quadro clínico, exigindo uma abordagem diagnóstica criteriosa para um manejo adequado. A evolução clínica dos pacientes reforça a necessidade de uma avaliação multidisciplinar e individualizada, abordando não apenas a reposição nutricional, mas também o tratamento da causa subjacente. A diferenciação etiológica da desnutrição é essencial para a adoção de estratégias terapêuticas eficazes para melhores desfechos clínicos.

Palavras-chave: Desnutrição proteico-calórica; Diarreia; Imunodeficiência combinada severa; Infecções por citomegalovírus
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